A Conab melhorou suas projeções para a safra de grãos 2021/2022 do Amazonas, na revisão de fevereiro. A estimativa é que a produção atinja 56 mil toneladas, valor 1,45% superior ao patamar calculado em janeiro (55,2 mil toneladas). Caso seja atingido, o resultado será 2,6% superior ao da safra de 2020/2021 (54,6 mil toneladas). Duas das quatro culturas sondadas no Estado têm estimativas positivas, uma mantém retração e a outra pontua estabilidade. A área de plantio segue com a mesma elevação anual (+4,6%), enquanto a produtividade teve seu índice de queda (-2%) atenuado.
De acordo com o quinto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento para a atual safra, o Estado subiu do 24º para o 17º lugar do ranking nacional de maiores altas proporcionais – após encerrar a temporada 2020/2021 na terceira colocação. Mas, ainda perde para os desempenhos aguardados para o Brasil (+5%) e região Norte (+3,4%), que foram corrigidos para baixo em relação ao prognóstico anterior (+12,5% e +6,2%, na ordem). O melhor índice vem da Paraíba (+46,5%) e o pior, do Rio Grande do Sul (-24,7%).
Para o Amazonas, o panorama é de parcial inversão em relação às últimas safras. Campeão absoluto de produção no ano passado, com expansão de três dígitos (+200%), o arroz ainda figura como o único ponto negativo da pauta, com queda aguardada de 22,2%, entre os períodos de 2020/2021 (16,2 mil toneladas) e de 2021/2022 (12,6 mil toneladas). Vice-campeã da etapa anterior, a soja começou a presente safra com prognósticos negativos e, até janeiro, contava com expectativa de queda de 10,1%. Na atual revisão, a Conab calcula que o resultado será 4,7% melhor, com 13,5 mil (2021/2022) contra 12,9 mil (2020/2021) toneladas.
Produto com o pior desempenho na safra mais recente, o milho ainda aparece com o melhor dado da lista (+19% e 27,5 mil toneladas), mas já teve sua trajetória corrigida em relação ao dado anterior (+23,4% e 28,5 mil toneladas). Já o feijão (2.500 toneladas), que atravessou pelo menos três anos seguidos de queda, ainda aparece com projeção de estabilidade – em desempenho melhor do que o confirmado no período anterior (-3,8%).
Área e produtividade
Não houve mudanças nos cálculos da Conab, no que diz respeito à área a ser utilizada para o cultivo dos grãos, no Amazonas. A projeção para a área de plantio ainda é de 22,7 mil hectares, patamar 4,6% superior aos 21,7 mil hectares da safra de 2020/2021. O melhor desempenho ainda vem do milho (+23,6% e 11 mil hectares), seguido de longe pela soja (+4,7% e 4.500 hectares). A estimativa para o feijão (2.700 hectares) ainda é de estabilidade ante o período anterior. A pior perspectiva vem do arroz (4.500 hectares), que sinaliza ficar 22,4% aquém do número anterior (5.800 hectares).
Já a produtividade continuou no campo negativo. Mas, a estimativa de recuo passou de 3,5% para 2%. Com isso, o indicador deve sair de 2.521 kg/ha (2020/2021) para 2.467 kg/ha (2021/2022), conforme a Companhia Nacional de Abastecimento. Apenas uma das quatro culturas listadas no Amazonas aparece com desempenho menor do que o registrado na safra precedente, enquanto as demais figuram repetir o desempenho anterior. O milho sinaliza retração de 3,8%, com 2.500 (2021/2022) kg/ha contra 2.600 kg/ha (2020/2021).
Em matérias anteriores com a reportagem do Jornal do Commercio, a Conab informou que a produção de milho do Amazonas se concentra principalmente em Manacapuru e Boca do Acre, onde está o maior plantel animal, já que entre 60% e 70% da produção é destinada à ração. A soja vem de Humaitá (a 591 quilômetros de Manaus), na Fazenda Santa Rita. O arroz tem destaque nos municípios do rio Juruá, principalmente Eirunepé e Envira. O feijão, por outro lado, é cultivado na calha do rio Purus – em especial, Lábrea e Boca do Acre.
Cotação valorizada
Sem entrar em detalhes sobre os desempenhos das culturas, o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, comemorou a nova melhora no panorama do segmento no Estado, esboçada na revisão da estatal. “A projeção da Conab demonstra o crescimento da produção de grãos, principalmente localizada no Sul do Amazonas. Isso tem relação com a valorização da cotação de grãos tanto no mercado interno como externo”, asseverou.
Em entrevistas anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, o dirigente disse aguardar uma confirmação do prognóstico positivo, nos próximos meses. Mas, não deixou de admitir que há preocupações no setor, em razão da expectativa de uma nova cheia recorde, entre outros fatores. “Esperamos que a produção cresça no Amazonas, mas isso depende principalmente de questões climáticas e custo de insumos, além da aceleração da regularização fundiária e ambiental, principalmente no Sul do Estado”, frisou.
“Matriz econômica”
O titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, também celebrou a nova rodada de números da Conab. “A produção de grãos no Sul do Amazonas voltou a crescer, após vários anos de estagnação. Esse crescimento demonstra claramente que o Programa Agro Amazonas vem correspondendo, mesmo em tempos difíceis de pandemia. O objetivo do planejamento é diversificar a matriz econômica e interiorizar o desenvolvimento sustentável. É possível conciliar produção de alimentos com a conservação da floresta”, declarou.
Em entrevistas anteriores, o secretário estadual reforçou que a tendência para os próximos levantamentos era que os números do arroz devem melhorar, após avaliação conjunta entre Conab, Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas) e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas, reforçou que a decisão cabe ao produtor rural do Amazonas “que, corretamente, leva em consideração os custos de produção e o preço de mercado”.
Regularização e licenciamento
Na mesma linha, o ex-superintendente da Conab, administrador com especialização na gestão de informação ao agronegócio familiar e empresarial, e colaborador do Jornal do Commercio, Thomaz Meirelles, avalia que a redução aguardada pela Conab para a safra de arroz se deve à escolha do produtor por outra cultura, mas lembra que ainda há tempo para revisões, já que há outros levantamentos previstos até a conclusão da safra 2021/2022. E reforça que só o setor primário pode interiorizar o desenvolvimento do Estado.
“Precisamos destravar a regularização fundiária e licenciamento ambiental, além de finalizar o ZEE [zoneamento ecológico-econômico] para punir quem desmata de forma ilegal e liberar crédito ao produtor rural que está no campo para produzir alimentos. Até hoje, o crédito de carbono, o Red+ e as concessões florestais não se tornaram dinheiro no bolso dos que vivem e mantiveram a floresta em pé. Recomendo também aos produtores a leitura do Plano Safra do Amazonas e do programa Agro Amazonas, para conhecer as ações apoiadas pelo Estado e apresentar demandas”, concluiu.






