Participação feminina cresce 8,9% no mercado

Em: 8 de setembro de 2015
Movidas pela necessidade de contribuir para a manutenção da família ou pelo desejo de obter realização profissional, as mulheres estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho
Movidas pela necessidade de contribuir para a manutenção da família ou pelo desejo de obter realização profissional, as mulheres estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho

Movidas pela necessidade de contribuir para a manutenção da família ou pelo desejo de obter realização profissional, as mulheres estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho. Apesar de os homens manauenses ainda terem uma participação bem mais expressiva na indústria da transformação (74,5% dos homens fazem parte da força de trabalho) que as mulheres (25,5% encontram-se na mesma situação), a taxa de participação feminina cresceu 8,9%, enquanto a masculina caiu 3,6% este ano, de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos d o Amazonas.
Esse aumento recente da força de trabalho feminina no mercado local é resultado, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, responsável pela divulgação dos dados, da maior inserção de mulheres na faixa etária de 25 a 39 anos e de 40 anos ou mais, cujas taxas alcançaram patamares sucessivamente mais elevados, com expansões de 16,5% e 20,1%, respectivamente, desde o início dos anos 2000.
Essa evolução da mão-de-obra feminina mereceu análise de especialistas, segundo as quais frente aos novos desafios profissionais e concorrência cada vez maior com a ala masculina, a redefinição do papel da mulher nos diversos setores da economia local precisa ser avaliada.
Na opinião da analista social e diretora executiva da CNM (Confederação Nacional dos Metalúrgicos no Amazonas), Emília Valente, o 08 de março (Dia Internacional da Mulher) deve servir de momento para reflexão diante de questões como machismo no mercado de trabalho e o diferencial competitivo, temas recorrentes no chão de fábrica.
Emília Valente explicou que a emancipação feminina parece ter acarretado para o homem uma sensação de inadequação, um deslocamento social, além de uma profunda dificuldade para encontrar o próprio lugar. A diretora se disse muito favorável a ter uma mescla 50% homens e 50% mulheres em qualquer organização, avaliando que energias masculinas e femininas se somam e se completam em uma empresa. “Quando um departamento tende a ter mais mulheres ou homens, considero relevante, sim, fazer uma mão dura para trazer o sexo oposto. Mas isso só é feito quando há dois candidatos exatamente iguais em competência, e o critério de desempate pode estar relacionado à harmonia do conjunto”, analisou.
A executiva Magui Lins de Castro, especialista no recrutamento de profissionais de alto escalão para o distrito industrial, concorda que o segredo do sucesso em qualquer repartição reside na conquista desse equilíbrio. A profissional fez questão de frisar que independente do sexo, executivo é sempre executivo e deve ser pago para trazer volume de negócios lucrativos para a empresa, preservando os valores da mesma.
Magui Castro explicou ainda que na competição com os homens pelos cargos de chefia e liderança, as mulheres trazem aspectos inerentes à sua natureza, sendo, portanto, mais intuitivas, ponderadas e multilineares (conseguem desenvolver várias tarefas ao mesmo tempo).

Barreira da culpa deve ser superada

Segundo o pensamento de Magui, alguns homens se sentem diminuídos tendo uma mulher como chefe ou líder de seção, o que leva algumas mulheres, por conta dessa pressão, a assumirem um comportamento masculinizado e por vezes até grosseiro. “Mulher executiva não precisa ser masculina para se provar. Tem que ser competente. Dar resultado. Saber como manter o time junto, coeso. Ter habilidade para se comunicar com coerência e transparência. Mas não se deve esquecer que essas qualidades são necessárias tanto nas mulheres quanto nos homens”, ponderou.
Mas a presença cada vez maior do público feminino nos meios de produção e administração esbarra num desafio bem real frente à cobrança da sociedade, segundo a mestra em psiquiatria pela Unicamp, Maria de Jesus Xavier. “O principal desafio das mulheres no mercado de trabalho reside nela mesma: a culpa. A culpa de não dar muita atenção aos filhos, ao marido, de não ser a esposa perfeita, de não corresponder plenamente a um certo padrão que sua mãe lhe ensinou”, explicou.

Papel multissocial

Na análise de Maria de Jesus, por se tratar de uma cidade que teima em abandonar conceitos provincianos, em Manaus ainda acontece de muitas mulheres abrirem mão de uma carreira de sucesso para poderem se dedicar à vida pessoal. “Elas renunciam à ascensão profissional porque essa busca poderia requerer um tempo e uma energia que, a seu ver, são excessivos. Mas não vejo esse tipo de renúncia como algo negativo, pois se trata de uma opção de vida, e, como tal, é perfeitamente válida. Acho importante ressaltar, no entanto, que muitas vezes as mulheres não vão mais longe em suas carreiras porque, definitivamente, não o querem, não veem isso como prioridade”, observou.
Não bastassem os desafios e percalços que a luta por maior espaço e respeito no mercado de trabalho trazem à ala feminina, um relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho), divulgado no último fim de semana, afirma que as mulheres sofrerão mais com o desemprego do que os homens em 2009 devido à crise econômica mundial. No estudo da entidade, a taxa de desemprego das mulheres passou de 6% em 2007 para 6,3% no ano passado.
A OIT ainda afirma no documento que o número de desempregadas chegará a pelo menos 6,5% em um cenário mais otimista, e 7,4% segundo o mais pessimista, podendo alcançar 7,8% nos países desenvolvidos. O cenário mais otimista se baseia nas previsões de crescimento mundial de 0,5% formuladas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) em janeiro.
Por outro lado, de acordo com pesquisa divulgada pelo governo federal, as capitais dos estados da região Norte aparecem na liderança do ranking das 26 capitais de todo o país sobre a presença feminina nos secretariados municipais, bem acima da média nacional (19,85%). São 60 homens (68,19%) titulares das secretarias municipais contra apenas 28 mulheres (31,81%).
Também são nortistas as duas únicas capitais brasileiras com absoluto equilíbrio da presença masculina e feminina: Boa Vista (RR) e Belém (PA). Nas duas cidades, 50% dos cargos municipais de primeiro escalão são ocupados por homens e 50% ocupados por mulheres. As sete capitais nortistas totalizam 88 secretarias.
Em Manaus, a presença feminina na alta administração do Executivo alcança o percentual de 33,33%, distribuído nas áreas da Assistência Social e Cidadania, Cultura, Desenvolvimento Local, Educação e Finanças.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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