Mais de 4 mil podem ser demitidos em abril

Em: 8 de setembro de 2015
O pacote de medidas do governo estadual do Amazonas para conter os efeitos da crise econômica internacional no PIM (Polo Industrial de Manaus) e os ajustes de medidas planejados para o fim deste trimestre não devem evitar demissões
O pacote de medidas do governo estadual do Amazonas para conter os efeitos da crise econômica internacional no PIM (Polo Industrial de Manaus) e os ajustes de medidas planejados para o fim deste trimestre não devem evitar demissões

O pacote de medidas do governo estadual do Amazonas para conter os efeitos da crise econômica internacional no PIM (Polo Industrial de Manaus) e os ajustes de medidas planejados para o fim deste trimestre não devem evitar demissões. A previsão é que entre 4.000 e 5.000 trabalhadores sejam desligados somente no setor de duas rodas, justamente o que mais contribuiu para a desaceleração de 5,5% da produção industrial do Amazonas em janeiro de 2009, conforme dados divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“Independente do ajuste no pacote de medidas vai haver demissões nessa ordem, a partir de abril”, informou o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, ao ressaltar que as fábricas do segmento de duas rodas não têm como manter “essa intensidade de trabalhadores nas empresas, se a demanda do mercado não consegue absorver a produção”.
Conforme ele, os desligamentos são necessários. “O setor não fez ainda os ajustes previstos para o último trimestre do ano, por considerar os resultados negativos do perío­do”, avaliou. Dados do IBGE apontam que a desaceleração na fabricação de motocicletas, peças e acessórios foi de 62,5% em janeiro, no comparativo mês a mês.
O desempenho negativo, aliado à retração de 33,3% na produção de material eletrônico e equipamentos de comunicação foram os principais destaques no recuo da indústria do Amazonas em janeiro, em comparação aos números de dezembro do ano passado – o pior resultado, ajustado sazonalmente, entre os 14 locais pesquisados pelo Instituto.
Para o presidente do Sinaees-AM (Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Amazonas), Wilson Périco, o desaquecimento na produção do setor se deu em função da “competição com os produtos importados”, sobretudo da Ásia, que segundo ele, começou a ser sentida no início do ano, apesar do problema ocorrer desde os últimos meses do ano passado.
O dirigente também não descartou a possibilidade de demissões, a partir do próximo mês, caso o poder público não atente para a necessidade de preservar tanto o emprego dos trabalhadores quanto os investimentos das indústrias. “Essa crise é uma crise de crédito e de credibilidade. A primeira, por conta das dificuldades de acesso ao crédito para a população e a segunda, em virtude da contaminação geral com esse pessimismo”, afirmou.

Retração foi bem maior que média nacional

A performance negativa em janeiro veio em sentido inverso ao desempenho fabril do Estado no mês anterior, quando a produção expandiu 1,3% entre dezembro e novembro do ano anterior. No quadro comparativo com janeiro de 2008, a redução foi de 23,1%, quase seis pontos percentuais acima da média nacional de queda de 17,2% nessa comparação, período em que todos os índices regionais registraram baixa generalizada.
Para o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, a retração em janeiro, já esperada para o mês, por conta da sazonalidade, sofreu ainda forte influência da crise econômica mundial. “O resultado negativo do primeiro mês do ano repercutiu os dados do último trimestre de 2008, que não foi bom, em termos de produção e faturamento, e quando houve demissões no Distrito Industrial”, justificou o dirigente industrial

Quedas sucessivas

De acordo com dados do IBGE, a baixa de 23,1%, em relação a janeiro de 2008 é a terceira queda consecutiva na comparação com o mesmo mês do ano anterior e menor taxa da série histórica, iniciada em 2002. Além da desaceleração nas indústrias de duas rodas e eletroeletrônica, puxadas pelas férias coletivas e os recuos na fabricação de telefones celulares e rádios, respectivamente, o saldo negativo é explicado pelos decréscimos em outros seis dos 11 setores pesquisados. Os principais impactos positivos vieram de setor de alimentos e bebidas (13,8%) e máquinas e equipamentos (2,5%), conforme o Instituto.
Conforme o diretor executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra, a tendência da produção industrial também é de baixa nos dois meses subsequentes à pesquisa do IBGE. “No mês de fevereiro, que foi mais curto, a produção deve ser menor ainda, bem como há a expectativa de retração em março”.
A explicação, na análise de Dutra, tem relação direta entre a conjuntura econômica desfavorável e a demanda do mercado. “Com a crise, as pessoas passam a se preocupar mais com as necessidades básicas, a exemplo da alimentação e do vestuário, quando o destaque da produção do PIM é justamente o de bens supérfluos. Por isso, os resultados aqui são mais preocupantes”, argumentou.
O índice mensal de janeiro (-23,1%) ficou bem abaixo do indicativo registrado no quarto trimestre de 2008, cuja baixa foi de 4,6%. Esse movimento, no Amazonas, foi verificado em sete ramos, tendo sido destacado em outros equipamentos de transporte (de -5,0% para -62,5%); e material eletrônico e equipamentos de comunicações (de -9,8% para -33,3%), mais uma vez.
A média móvel trimestral apresentou a quarta taxa negativa (-4,3%), acumulando queda de 11,0% entre outubro e janeiro. Considerando o acumulado dos últimos 12 meses, o resultado é positivo em 0,7%, marca mais baixa desde setembro de 2007 (0,5%). A variação positiva vem em trajetória descendente desde setembro do ano passado (8,3%).

Índices da produção avançam em oito Estados

Dos 14 locais pesquisados pelo IBGE, a produção industrial avançou em oito deles, no comparativo mês a mês, com liderança de crescimento no Paraná (6,8%), seguido de Pernambuco (6,4%), Santa Catarina (5,0%) e Rio Grande do Sul (3,6%), onde o crescimento foi acima da média nacional (2,3%). Os demais locais com taxas positivas nesse confronto foram São Paulo (2,2%), Minas Gerais (2,1%), região Nordeste (2,0%) e Pará (1,1%). A exemplo do Amazonas, os resultados negativos foram pontuados pelo Espírito Santo (-4,6%), Rio de Janeiro (-1,6%), Goiás (1,3%), Ceará (-0,8%) e Bahia (-0,2%).
Já na análise com janeiro de 2008, o recuo na atividade industrial foi nacional (17,2%). Entre as áreas com taxas negativas mais acentuadas, figuraram Espírito Santo (-33,2%), Minas Gerais (-28,9%), Amazonas (-23,1%), Rio Grande do Sul (-20,3%) e São Paulo (-18,0%). Também com resultados negativos, porém abaixo da média nacional, ficaram Ceará (-5,3%), Goiás (-7,3%), Pará (-7,5%), Pernambuco (-7,5%), Paraná (-8,4%), região Nordeste (-10,7%), Santa Catarina (-11,6%), Rio de Janeiro (-13,0%) e Bahia (-16,8%).

Resultados regionais

Todos os resultados regionais para o primeiro mês de 2009 ficaram bem abaixo dos índices para o quarto trimestre de 2008, ambos frente a igual período do ano anterior. A desaceleração foi mais intensa no Amazonas, onde a taxa passou de -4,6% no quarto trimestre de 2008 para -23,1% em janeiro, Minas Gerais (de -12,9% para -28,9%) e Espírito Santo (de -18,6% para -33,2%).
Os sinais de desaceleração também ficam evidentes no acumulado nos últimos 12 meses, que também apontou perda de ritmo entre setembro de 2008 e janeiro deste ano em todos os locais pesquisados, com destaque para Espírito Santo (de 14,1% para 1,7%), Minas Gerais (de 7,2% para -1,6%), Amazonas (de 8,3% para 0,7%), Rio Grande do Sul (de 6,1% para 0,1%) e São Paulo (de 8,8% para 2,8%).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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