Setor primário já está atento às fortes chuvas

Em: 17 de março de 2022
Governador Wilson Lima acompanha Operação Enchente 2021 nos municípios de Juruá e Carauari 12 de abril de 2021 Por Agência Amazonas

Equipe técnica do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Estado do Amazonas), está realizando levantamento de informações relacionadas às perdas na produção agrícola  junto à Defesa Civil, nas áreas de produção, que envolvem a calha do rio Juruá. Apesar do comportamento do rio apresentar mudança, a cheia no alto Juruá foi acima do normal, em apenas três dias baixou novamente. O  período de inverno amazônico com as constantes chuvas servem de alerta de monitoramento pois coloca em risco o cultivo de diversos produtos, além de afetar diversas famílias.

Pelo histórico, os municípios das calhas dos rios Purus e Juruá que concentram os manejos na área de várzea, geralmente enfrentam grandes impactos ocasionados pelas cheias. A produção de hortaliças e fruticultura, como maracujá e banana, além da alface e do cheiro verde, cultivados nessas áreas, são comumente atingidas. Os municípios do Alto Solimões, Alto Juruá , Alto Purus e Madeira, que geralmente são os primeiros a serem impactados. No entanto, o presidente do Sindicato Rural de Boca do Acre,  informou não ter havido prejuízos de forma significativa neste ano na cheia do Purus.

Segundo o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária), Muni Lourenço, a calha do Purus, por exemplo, sofre impacto em cheias acima do nível de normalidade a partir do mês de fevereiro. “No Purus as culturas agrícolas mais atingidas nos anos anteriores são principalmente mandioca, frutas e hortaliças. Nos anos anteriores em que houve grandes cheias a pecuária também  foi afetada. Este ano, a cerca de uma semana iniciou a vazante”. 

O município de Ipixuna na calha do rio Juruá, já decretou  situação de emergência. De acordo com a prefeitura do município, a cheia atinge mais de 3 mil pessoas. A subida acelerada do Vale do Juruá atinge vários moradores tanto na área rural quanto na urbana. O status atinge sete bairros. Conforme a prefeitura, muitas famílias tiveram que construir marombas para não perderem tudo.

“As chuvas de março têm sido determinantes para ajudar a prever como a cheia de 2022 irá afetar a população. Muitos municípios, como Ipixuna, já estão tomando medidas para tentar contornar a situação”, informou o comunicado. 

Segundo o município, faltam 46 cm para o rio chegar a marca histórica de 2017, quando atingiu a cota de 13,84 metros. A gestão municipal e a Defesa Civil já fazem um monitoramento e um levantamento das famílias afetadas.

Em janeiro, o  Idam já estava em alerta acionando as unidades locais e tomando medidas para monitorar o avanço da enchente em todo o Estado. Já seguiam monitorando os municípios do Alto Solimões, Alto Juruá , Alto Purus e Madeira, que geralmente são os primeiros a serem impactados. 

Para o técnico hidrometrista que opera para a ANA (Agência Nacional de Águas), terceirizado da empresa Água e Solo, Heudrian Giovanni, se esse comportamento for mantido, com esse período de chuvas nas cabeceiras dos rios é arriscado ficar ainda mais vulneráveis a este fenômeno de enchente podendo prolongar a estabilidade do rio ou até mesmo encher mais do que está.

“Estamos realizando campanha de medição de vazão no rio Juruá, estávamos na cabeceira dele nas extremidades da comunidade “Foz do Breu”  apresentou uma cheia de mais ou  menos 3 metros. Para nosso conforto já está começando a vazante porém não é só ele que impacta nesse fenômeno de enchente, as afluentes também contribuem, dentro do nosso quadro de medição de vazão não apresenta nenhuma anomalia,  está dentro do esperado”, analisou. 

Conforme informações, o nível do rio Juruá marcou 13,13 metros nesta quarta-feira, ultrapassando a cota de transbordo, que é de 13 metros. 

Aporte

Em dezembro, o governo do Amazonas anunciou o plano de ação para a Operação Enchente 2022. Na ocasião,  o governador Wilson Lima estimou que  aproximadamente 130 mil famílias nos 62 municípios do Amazonas, possivelmente, enfrentarão os prejuízos causados pela subida dos rios da região.

Com base nos dados de monitoramento hidroclimatológico que apontavam risco de enchente dos rios do Estado acima da normalidade, em 2022. Diante da previsão em dezembro de um cenário de cheia, o governo não descartou investir R$ 100 milhões para minimizar os impactos causados pela subida dos rios.

“Nós estamos mobilizando toda a nossa estrutura, todos os secretários. Inclusive nós estamos reunindo para discutir ações integradas para prestar socorro a esses municípios e famílias que forem atingidas pela subida dos rios”, disse o governador.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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