O artesão Raimundo Nonato da Silva, de Ariquemes (RO), não tem dúvida: as pulseiras que confecciona fazem sucesso até em novelas de televisão. Quem viu e contou foram parentes e amigos, mas a certeza de que eram elas está na sua convicção de que “são únicas, sem igual”.
Raimundo Nonato é um dos 40 integrantes da Asaoama (Associação dos Artesãos Organizados de Ariquemes na Amazônia), uma das cem vencedoras do Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato, que identifica e reconhece as cem melhores unidades de produção artesanal do país.
Ele explicou que as pulseiras têm materiais e design inovadores. São confeccionadas em madeira de cores variadas e, dependendo do modelo, podem ser cravejadas de materiais aproveitados da floresta como pedaços de ouriço de castanha-do-Brasil, jarina (marfim vegetal) e outros produtos como casca de coco ou mesmo pedras semipreciosas.
Artesão há 35 anos, Raimundo Nonato contou que começou a inovar no trabalho há cerca de um ano, após fazer cursos do Sebrae. O sucesso ele mede com o aumento das vendas inclusive para outros Estados como Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. “Acho que foi no Rio que a pulseira foi parar na novela”, acredita.
Valorização regional
Inovação é um dos 11 itens avaliados na premiação e que contribuíram para a vitória da associação rondoniense. Os outros dez levam em conta a qualidade, adequação econômica, ambiental, cultural do produto; eficiência produtiva, logística; praticas comerciais, responsabilidade social, gestão estratégica e adequação ergonômica dos postos de trabalho.
Para o presidente da Associação, Paulo Veiga, a premiação refletiu a preocupação dos integrantes da entidade com requisitos como a qualidade e valorização dos produtos locais e com a preservação ambiental. Conforme explicou, a preocupação ambiental é reforçada especialmente porque muitos artesãos utilizam materiais encontrados na floresta.
A idéia é deixar sempre claro que manter a floresta significa manter a fonte de matéria-prima. “Aproveitar sementes, galhos e outros produtos descartados pela natureza é mais vantajoso do que destruir uma árvore centenária, pois viva ela continua oferecendo seus produtos durante muito tempo”, disse.
Melhoria na qualidade
Paulo Veiga lembrou que a associação ainda é jovem, tem pouco mais de um ano, e credita o reconhecimento da entidade com o prêmio também ao aprimoramento dos seus integrantes, especialmente via cursos do Sebrae como de designer e gestão da qualidade. “Melhorou o desempenho do grupo, a qualidade dos produtos e aumentaram as encomendas”, afirmou garantindo que, no seu caso, o aumento das encomendas ficou entre 80% a 90%.
Foi, alias, depois de participar de cursos do Sebrae que o artesão Raimundo Nonato mudou a forma de produzir as pulseiras de madeira que começam a fazer sucesso pelo país. “Antes elas eram roliças e simples. Agora são diferentes e fazem sucesso. Espero que elas tenham ajudado na premiação”, disse o artesão.







