Status de alerta para cheia

Em: 2 de abril de 2022
An aerial view of the town of Anama, flooded by water from the Solimoes river in Amazonas State, Brazil May 14, 2021. Picture taken May 14, 2021. Picture taken with a drone. REUTERS/Bruno Kelly

A cheia deste ano deve atingir a marca de 29,40 metros, de acordo com o primeiro alerta de cheia do CPRM (Serviço Geológico do Brasil). A cota acende o alerta dos especialistas que não descartam a possibilidade de alcançar a marca histórica do ano passado, que registrou  30,02 metros. 

O volume das águas já mantém em status de alerta da Prefeitura de Manaus junto à Defesa Civil do município que planejam ações para combater os impactos de uma possível cheia dos rios. 

O secretário executivo da Defesa Civil do município, Fernando Júnior, destacou sobre a importância do primeiro alerta que serve para preparar todas as defesas civis do Estado para uma possível e provável grande cheia em 2022. “Nós já atingimos a cota de alerta que são 27 metros, já se sabe que vamos ter uma enchente de categoria severa uma probabilidade de 78% de nós chegarmos a 29,40 metros e podendo até ultrapassar”. 

Segundo o secretário, a equipe da Defesa Civil do município está se preparando para colocar em prática o plano de contingência onde essa execução é feita em cima do plano de trabalho onde envolve a parte de pré-impacto de impacto e pós-impacto. “A fase de preparação de resposta e de reconstrução para que a nossa cidade de Manaus não seja tão afetada com relação à enchente. 

Ele informou ainda que a Defesa Civil de Manaus sempre se prepara para maior cheia, independentemente da métrica. “Este ano já foi informado que deverá ser severa, mas não a maior de todas como foi ano passado e, por isso, nós já iniciamos os trabalhos com as construções das pontes nas comunidades que deverão ser afetadas pela subida das águas”, disse o coronel.

Ontem, 1º de abril, a cota do rio atingiu 27,16 metros e tem previsão de aumento nas próximas semanas.

Municípios

A Defesa Civil do Amazonas também está realizando monitoramento dos municípios em situação de atenção.  Ao todo são 23 localidades. O órgão está realizando monitoramento que tem como objetivo subsidiar, tanto as ações da Defesa Civil em conjunto com as prefeituras municipais, quanto às tomadas de decisões por parte do órgão.

O levantamento de dados é realizado por meio do Subcomando de Ações de Proteção e Defesa Civil, através do Cemoa (Centro de Monitoramento e Alerta) e da gerência regional, que realiza, diariamente, o acompanhamento com os coordenadores de cada município.

As calhas do Alto Rio Negro, Juruá, Purus, Alto Madeira e Baixo Amazonas, são esperados acumulados significativos, entre 80 – 150 mm. A Defesa Civil destaca, ainda, acumulados de precipitação de até 200 mm sobre o Sul da Venezuela, cabeceira do Rio Negro; e sobre o Peru e Bolívia, cabeceiras do Juruá, Purus e Madeira.

Perdas agrícolas

É importante destacar que além do impacto às populações ribeirinhas, o setor primário acompanha a situação em razão de uma série de impactos, principalmente em perdas na produção rural do Estado.O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, informou que a calha do Purus- Boca do Acre já estão sentindo os efeitos das cheias deste ano, principalmente nas áreas de várzea de produção familiar de mandioca, hortaliças e algumas fruticulturas. “Isso já traz impactos econômicos, mas a mensuração desses prejuízos somente após levantamento do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Estado do Amazonas) que realiza essa contabilização”. 

“Esse dado da calha do Purus nos coloca em sinal de atenção porque isso pode ser um prenúncio de cheia acima dos parâmetros da normalidade para as demais calhas”, completou Lourenço. 

Procurado pelo Jornal do Commercio, o Idam informou que está monitorando a questão da cheia junto aos produtores rurais em todo o Estado, mas até o momento, ainda não foi emitido um relatório sobre as perdas agrícolas. 

Pelo histórico, os municípios calhas dos rios Purus e Juruá que concentram os manejos na área de várzea, geralmente enfrentam grandes impactos ocasionados pelas cheias. A produção de hortaliças e fruticultura, como maracujá e banana, além da alface e do cheiro verde, cultivados nessas áreas, são comumente atingidas. Os municípios do Alto Solimões, Alto Juruá , Alto Purus e Madeira, que geralmente são os primeiros a serem impactados.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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