O bodó, o jaraqui e a reposição dos estoques pesqueiros

Em: 6 de abril de 2009
A Fepesca-AM/RR (Fe­deração dos Pescadores dos Estados do Amazonas e Roraima Amazonas), tal qual qualquer uma outra entidade representativa de classe, não toma nenhuma decisão de forma unilateral
A Fepesca-AM/RR (Fe­deração dos Pescadores dos Estados do Amazonas e Roraima Amazonas), tal qual qualquer uma outra entidade representativa de classe, não toma nenhuma decisão de forma unilateral

A Fepesca-AM/RR (Fe­deração dos Pescadores dos Estados do Amazonas e Roraima Amazonas), tal qual qualquer uma outra entidade representativa de classe, não toma nenhuma decisão de forma unilateral. Todas as decisões da entidade são emanadas da opinião das suas bases que são as colônias de pescadores, que, por sua vez, agem de acordo com a manifestação da maioria de seus associados. Portanto, quando a Fepesca manifesta sua preocupação com a manutenção dos estoques pesqueiros, ela está simplesmente tornando público o sentimento da comunidade de trabalhadoras e trabalhadores da pesca profissional artesanal, relacionado ao futuro, notadamente, dos estoques das espécies populares, como a sardinha,curimatá, branquinha, jaraqui e bodó.
Necessariamente não é preciso ser cientista para concluir que de onde se retirar algo e não se fizer a devida reposição, uma hora não haverá mais o que retirar. Com os estoques pesqueiros do Amazonas, dono do maior estoque de peixes de águas doce do mundo, não será diferente. É por essa e outras razões que os profissionais pescadores artesanais estão preocupados. É preciso esclarecer que a Fepesca não possui poderes para proibir a captura dessa ou daquela espécie de pescado. O entendimento da entidade, diante dessa realidade, é o de chamar a atenção das autoridades competentes, da comunidade científica e a sociedade em geral, para juntar o conhecimento prático dos pescadores ao da ciência para atuarem na elaboração de um programa de governo de sustentabilidade ambiental da pesca profissional artesanal, de forma a estabelecer a proibição total da pesca por um determinado período, em forma de rodízio, nos lagos, igarapés e rios, quando estaria sendo feita a reposição dos estoques, única e exclusivamente das espécies de consumo popular.
A queda na produção de pescado se verifica em todo o mundo. É razão pela qual já existem países praticando com sucesso o processo de reposição dos seus estoques pesqueiros contemplando as espécies de consumo popular, e o Brasil não se pode abster da iniciativa e, o Estado do Amazonas, na condição de dono do maior manancial de águas doce do mundo e da maior variedade de espécies e do maior estoque de peixes do planeta, imaginamos ser o momento de se desfraldar a bandeira da reposição dos estoques de peixes populares, como forma de garantir a mais importante proteína da nossa dieta alimentar para as gerações futuras.
As pescadoras, pescadores e suas lideranças ligadas às quase 60 colônias de pescadores existentes no Amazonas do Amazonas, manifestam suas preocupações com o tema, por entender que caso nada seja feito neste sentido, a história não os perdoará e os apontará como omissos diante de tamanha responsabilidade com a segurança alimentar da população, notadamente mais carente.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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