Marco Dassori
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A resposta do mercado de vendas de duas rodas em níveis acima do esperado animou os fabricantes do Polo industrial de Manaus. Em sintonia, a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) reajustou para cima a sua projeção de crescimento para este ano. A estimativa agora é que as linhas de produção do PIM encerrem o ano com 1.320.000 unidades, volume 10,5% superior ao registrado em 2021 (1.195.149). Até então, a expectativa era crescer 7,9% e atingir a marca de 1.290.000 unidades.
No primeiro semestre foram produzidas 671.293 motocicletas no Polo de Manaus. O volume é 18% superior ao do mesmo período de 2021 (568.863) e o melhor resultado para o acumulado, desde 2015 (697.540 unidades). A produção, contudo, reduziu marcha em 21,6%, entre maio (129.781) e junho (101.695), além de ficar 3,6% aquém da marca do mesmo mês do ano passado (105.450). A Abraciclo destaca que a retração já era esperada, devido ao início das férias coletivas, período em que as fábricas aproveitam para realizar as manutenções e os ajustes necessários em suas linhas de montagem.
Diante disso, a entidade também revisou as projeções para vendas no varejo e exportações. A perspectiva é que os licenciamentos alcancem 1,26 milhão de unidades, 8,9% a mais do que no ano passado (1.156.776). Para as exportações, onde o subsetor seguiu “de lado”, a estimativa é que sejam embarcadas 56 mil motocicletas, o que corresponde a uma alta de 4,7% em relação às 53.476 unidades exportadas em 2021. Os dados foram divulgados em coletiva de imprensa realizada em Manaus, nesta terça (12).

“As unidades fabris retomaram o ritmo das linhas de montagem e registram crescimento sustentável durante o primeiro semestre”, avaliou o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, durante a coletiva. “Somado a isso, temos um mercado com tendência de alta, com o avanço dos serviços de entrega (Delivery), o maior uso da motocicleta nos deslocamentos urbanos, além do fator aumento dos preços dos combustíveis”, emendou.
De acordo com Fermanian, com a nova previsão, o segmento de motocicletas deve ficar próximo aos patamares alcançados em 2014 (1.517.662), mas ele alerta que os obstáculos ao crescimento são significativos. “Mesmo com o aumento da expectativa de produção, seguimos atentos às diversas variáveis que poderão impactar negativamente o mercado, como a alta da inflação e o aumento da taxa de juros, que reduzem bastante o poder aquisitivo da população. Além disso, estamos num ano eleitoral e, como acontece sistematicamente, isso gera muito estresse no mercado”, ponderou.
Vendas desaceleram
O varejo nacional de motocicletas também desacelerou. Em junho, foram licenciadas 129.841 motocicletas, volume 9,4% menor do que o do mês anterior (133.344), mas 13,3% mais robusto do que o de 12 meses atrás (106.680). Os emplacamentos somaram 636.565 unidades no semestre, o que corresponde a uma alta de 23,1% na comparação com o mesmo período do ano passado (517.154). Foi o melhor número desde 2015 (641.707).
Com 21 dias úteis, junho registrou média diária de vendas de 5754 unidades, no melhor resultado para o mês desde 2013, que teve 6.252 motocicletas emplacadas/dia. Na comparação com maio (6.061 unidades vendidas/dia), que teve 22 dias úteis, houve queda de 5,1%. Em relação a junho do ano passado (5.080 motocicletas licenciadas/dia), que teve a mesma quantidade de dias úteis, houve aumento de 13,3%.
A região que mais emplacou motocicletas no semestre foi a Sudeste (245.434), que respondeu por 38,6% do mercado. Na sequência estão o Nordeste (189.530 e 29,8%), o Norte (76.798 e 12%), Sul (63.657 e 10%) e o Centro-Oeste (61.146 e 9,6%). A região Norte foi a que mais cresceu (+40,7%). As posições foram mantidas no ranking mensal.
As motocicletas de baixa cilindrada (até 160) representaram 83,1% das vendas no varejo, com 100.499 unidades comercializadas em junho. Os modelos de 161 a 449 cilindradas responderam por uma fatia de 13,5% do mercado, com 16.275 unidades. Já as motos acima de 450 cilindradas totalizaram 4.067 licenciamentos, o que correspondeu a 3,4% do total. A Street (59.364 e 49,1%) foi a categoria mais emplacada, seguida pela Trail (24.213 e 20%) e pela Motoneta (18.169 e 15%).
A Abraciclo informou que, de uma forma geral, os estoques de produtos de categorias mais populares ainda estão abaixo da média nas concessionárias. Atualmente existe fila de espera para os modelos de baixa cilindrada e para as scooters, já que ambos são “muito utilizados” nos serviços de entrega (Delivery) e deslocamento urbano. O tempo de espera, conforme a entidade, é de cerca de 30 dias. No caso das motocicletas premium e de uso misto, o estoque nas concessionárias já foi normalizado.
“Retomada da normalidade”
Presente na coletiva, o presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, avalia que os números da Abraciclo vêm ao encontro dos dados mais recentes da Suframa, com destaque para o polo de duas rodas. “Estamos apenas começando a retomada da normalidade, frente a uma avalanche que derrubou a atividade econômica em todos os setores, ainda com entraves e um cenário desafiador. Isso, em meio a uma inflação em crescimento no mundo com o cenário de guerra e de escassez de matérias-primas e commodities básicas”, contrapôs.
O dirigente, diz que o Polo é exitoso e que isso vem aparecendo nos projetos aprovados nas reuniões do Codam e do CAS. “Mesmo assim, temos tido algumas ações por parte do próprio governo federal. Alguns ministérios não entendem nosso modelo e começam nos atacar de uma forma que eu diria que não é saudável. É o caso do IPI, onde contamos com uma liminar e aguardamos [resultado do STF]. Convidei por várias vezes o ministro Paulo Guedes para que este viesse a Manaus conhecer a ZFM”, lamentou.
“Constante evolução”
Em texto distribuído por sua assessoria, a Moto Honda da Amazônia informou que produziu mais de 485 mil unidades, entre janeiro e junho, conferindo um salto de 25% em relação ao mesmo período de 2021. Foi o melhor primeiro semestre da empresa desde 2015 (520 mil). O mês com o maior número de emplacamentos totais foi maio (103 mil), sendo que a média de vendas diárias no período (4.710) foi a melhor desde janeiro de 2014.
O destaque do semestre foi a linha CG 160 (179 mil), modelo, que está no mercado há mais de 45 anos. A Honda Biz (89 mil) veio na segunda posição. No segmento de alta cilindrada, a empresa registrou um avanço de 16% nos emplacamentos, mantendo liderança entre os modelos acima de 450cc, com 32% de market share. O diretor comercial da Moto Honda e diretor CRM (Gestão de Relacionamento com o Cliente) da Honda South America, Marcelo Langrafe comemorou os resultados, mas não revisou a projeção para 2021
“Os dados representam nosso melhor resultado em sete anos e isso demonstra o quanto a motocicleta tem sido importante para o brasileiro e como o veículo ajuda a democratizar a mobilidade. Nossa expectativa é positiva e mantemos a projeção de 10% de crescimento. Como uma empresa em constante evolução, a Honda busca inovar e trazer o maior line up do mercado, com opções para diversos perfis de clientes, além de experiencias únicas em todos os pontos de contato com a marca”, encerrou.






