Guilherme Aluízio, história e legado

Em: 23 de julho de 2022

Livro com a biografia de um dos maiores empresários das comunicações da Amazônia será lançado em agosto

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Sócrates Bomfim, CEO do JC: “meu pai se firma como parte da história de Manaus”

Evaldo Ferreira: @evaldo.am

No próximo dia 8 de agosto, segunda-feira, empresários, amigos e jornalistas poderão conhecer um pouco mais sobre a vida e a trajetória de um dos maiores empreendedores das comunicações da Amazônia, Guilherme Aluízio de Oliveira Silva, com o lançamento do livro ‘O último romântico – biografia de Guilherme Aluízio’, escrito por Elcias Moreira. No dia 3 de junho passado fez três anos da morte de Guilherme Aluízio, mas ele é daquelas pessoas que quando parte, deixa um legado que pode durar anos, décadas, séculos. Ao adquirir, em 1984, dos Diários Associados, o Jornal do Commercio e a Rádio Baré, ambos em péssimas condições financeiras, ainda assim, com visão de futuro, Guilherme Aluízio ousou, investiu e modernizou os dois veículos de comunicação que, nas décadas seguintes, se igualaram na audiência de leitores e ouvintes, com os demais veículos de comunicação de Manaus.

“Com esse livro, meu pai se firma ainda mais como parte da história de Manaus e do Amazonas. Eu sempre falei para ele escrever uma autobiografia, mas ele nunca quis. Talvez sua modéstia o impedisse de tal. Acho que Guilherme Aluízio desejava que o jornal aparecesse mais do que ele”, falou Sócrates Bomfim, CEO do Jornal do Commercio.

Sob a direção do empresário, que veio para Manaus, ainda menino, da distante e até hoje pequena cidade de Beruri, o Jornal do Commercio passou a ocupar um prédio moderno, se mudando da avenida Eduardo Ribeiro, no Centro, onde fora fundado, em 1904, para a avenida Tefé, no Japiim.

Legado de alguém grandioso

A redação do JC foi a primeira de Manaus a ganhar computadores, bem diferente dos atuais. Naquela época os computadores não passavam de máquinas de datilografia de última geração, porém, eram moderníssimos. Também, em 1990, o JC foi o primeiro jornal da capital amazonense a sair com impressão colorida, uma foto na capa, da Copa do Mundo, que acontecia naquele ano, na Itália. Guilherme Aluízio parecia ter incorporado o espírito de Joaquim Rocha dos Santos, fundador do JC há 118 anos, que equipara o jornal, naquela época, com uma máquina linotipo, cujo processo de composição tipográfica era o mais moderno de então, depois substituído pelo offset.

Nos 35 anos em que esteve à frente do JC, desde quando o comprou até seu falecimento, Guilherme Aluízio conseguiu literalmente imprimir uma linha editorial de credibilidade ao jornal hoje confirmada pela quantidade de empresários e empresas que, diariamente, são notícia em suas páginas e buscam o JC para terem ali confirmadas as informações, principalmente econômicas, do que ocorre no Amazonas e no Brasil.

“Como está sendo continuar o legado de meu pai, através do JC? Difícil. Não é fácil você continuar o trabalho de alguém tão grandioso, como foi meu pai, e olha que desde que eu era apenas um garoto, já vinha com ele para o jornal, porém, só passei a entender a complexidade de tudo aquilo quando passei a trabalhar junto com ele, porém, estou indo adiante. Meu pai me mostrou o caminho para que eu continuasse a caminhada de onde ele parou”, disse.

Sócrates lembra que para Guilherme Aluízio o JC era o seu segundo filho, tão amado por ele como o filho de carne e osso, para onde tinha paixão de ir diariamente, pegar nas mãos o impresso do dia, ler todas as notícias, rir, se gostava, fazer cara feia, se fosse o oposto.

Em 1984, sonho realizado

Poucos que conheceram o empresário Guilherme Aluízio, sabem de sua infância pobre na cidade de Beruri e de sua vinda para Manaus onde estudou em dois importantes colégios da época, o Dom Bosco e a Escola Normal São Francisco de Assis, ambos com formação educacional bastante rigorosa, o que ajudou a delinear o caráter do garoto.

Em 1955, então com 18 anos, Guilherme Aluízio conseguiu seu primeiro emprego no mundo das comunicações ao trabalhar como jornalista no jornal A Gazeta. Nessa época conheceu, e se tornou grande amigo, de outro adolescente que também gostava muito de vasculhar e escrever notícias, Phelippe Daou, então trabalhando no O Jornal e Diário da Tarde, da família Archer Pinto. Em 1960 Guilherme Aluízio saiu de A Gazeta e foi trabalhar na empresa da família, atuando na comercialização de madeiras fundando, em 1962, as próprias serrarias Santa Luzia e Froeste (Fronteira Oeste da Amazônia Ltda), uma instalada em Manaus, para o abastecimento local, e a outra funcionando em Benjamin Constant, para exportação de madeiras para o exterior.

Em 16 de abril de 1964, Guilherme casou-se com a empresária Selma Bomfim Silva, cujo pai, Sócrates Bomfim, era o diretor-presidente da Siderama (Companhia Siderúrgica da Amazônia). Três anos depois, o jovem assumiu o cargo de diretor financeiro e vice-presidente da empresa.

Em 1970 o empresário fundou a Navezon (Linhas Internas da Amazônia Ltda), uma das empresas pioneiras no transporte fluvial de combustíveis líquidos no Amazonas. Sete anos depois, em 1977, nasceu Sócrates, levando o nome do avô.

Nesse tempo todo Guilherme Aluízio nunca esqueceu o sonho de se tornar empresário das comunicações, o que aconteceu em 4 de dezembro de 1984, quando comprou o Jornal do Commercio.

“Ele sempre trabalhou para que o JC fosse um jornal com credibilidade, sem sensacionalismo, sem enganar o leitor, para vender mais, sem ‘puxar a brasa’ para um lado ou para o outro. Se preocupava com o nome do JC. Para ele era melhor realizar um trabalho longo, mas honesto, a ter uma fama breve, sem honestidade”, concluiu Sócrates.

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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