Reunião do Codam gera polêmica

Em: 4 de maio de 2009
A tentativa do presidente da Federação dos Tra­balhadores do Estado do Amazonas, Ricardo Miranda, de brecar oito projetos industriais constados na pauta que apresentavam zero de empregos, não vingou
A tentativa do presidente da Federação dos Tra­balhadores do Estado do Amazonas, Ricardo Miranda, de brecar oito projetos industriais constados na pauta que apresentavam zero de empregos, não vingou

A tentativa do presidente da Federação dos Tra­balhadores do Estado do Amazonas, Ricardo Miranda, de brecar oito projetos industriais constados na pauta que apresentavam zero de empregos, não vingou, levando os conselheiros do Codam (Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas) a aprovar os 41 projetos industriais que somam R$ 464.281 milhões e a previsão de geração de 1.152 postos de trabalho num período e três anos.
Como representante dos trabalhadores da indústria, Ricardo Miranda disse que não podia admitir que mesmo sendo projetos de diversificação os mesmos não gerassem nenhum emprego para as empresas. Diante dessa situação, o sindicalista pediu que fosse incluída uma cláusula ressaltando que as mesmas teriam o compromisso de não demitir seus trabalhadores. “Quando se lança novos produtos a expectativa é de que sejam gerados novos empregos”, defendeu.
O secretário de Estado do Pla­nejamento, Denis Minev, que presidiu a reunião, justificou que, diante do quadro de crise econômica global, as empresas estão tentando diversificar seus produtos para manter os empregos que poderiam ser perdidos caso esses projetos saíssem de pauta.
Segundo Minev essa reunião –a segunda de 2009– aconteceu em meio a uma crise e há perda de faturamento de algumas empresas do setor industrial e a solução apontada por elas foi diversificar o seu número de produtos para manter os empregados que já têm. “Elas não estão propondo criar novos empregos, mas simplesmente regatar os que já existem e que normalmente seriam dispensados caso não houvesse outras alternativas”, justificou.
Minev lembrou que a indústria do PIM (Polo Industrial de Manaus) está com os indicadores inferiores a 2008, superiores ao ano de 2007.
Na geração de emprego, ele informou que foi perdida uma gama de postos de trabalho em janeiro e fevereiro, entrando para uma estabilidade em março,“quando a perda foi bastante pequena e isolada na indústria”, avaliou, ressaltando que segmentos como o de comércio e serviços já tiveram recuperação na geração de novos empregos”, informou.
O superintendente-adjunto de projetos da Suframa, Oldemar Ianck, explicou que os projetos de diversificação nem sempre geram novos empregos, porque normalmente as empresas fazem remanejamento de pessoal para atender a nova linha. “Quando isso acontece no CAS (Conselho de Administração da Suframa) é feita uma nota de rodapé, fazendo essas explicações para não deixar dúvidas”, disse.
O subsecretário de Fazenda, Thomaz Nogueira, também apontou que a diversificação não cria novos empregos, mas garante os existentes. Para não gerar falsa expectativa aos trabalhadores, ele apontou que poderia ser adotada uma nova metodologia pelo Codam. “Para não ficar parecendo que as empresas não estão gerando emprego”, comentou.

Eletroeletrônicos são destaques da pauta

Os destaques da pauta foram os projetos dos setores de componentes e eletroeletrônico para fabricação de produtos como microcomputador portátil, aparelhos GPS, DVDs e subconjuntos de impressão.
Apesar dos reflexos da crise econômica mundial, a pauta representou o dobro da primeira reunião realizada em fevereiro, quando foram aprovados 32 projetos industriais com investimentos estimados em R$ 239 milhões.
Na opinião de Denis Minev, cada segmento está se comportando de forma diferente. O setor de duas rodas, citou, apesar das reduções tributárias ainda não mostrou grande vigor de recuperação. Entretanto, outros segmentos como o de eletroeletrônicos e o químico se encontram numa situação um pouco melhor.
Por outro lado, Minev disse que o varejo e os serviços –telecomunicações, energia por exemplo- têm indicadores melhores, em alguns casos, estão até mais aquecidos em relação ao ano passado. Em linhas gerais, o secretário disse que a dependência principal é o mercado externo, que ainda se mostra com razoável turbulência. “Há indicadores apontados em todas as direções neste momento”, assinalou.
Do total de projetos incluídos na pauta do Codam 14 são de implantação com investimentos estimados em R$ 133 milhões e 617 vagas no mercado de trabalho. Os projetos de diversificação são 27 com investimentos de R$ 331 milhões e empregos.
Entre os projetos de implantação o destaque estão o projetos da Inmavi Brasil Comércio e Indústria de Componentes para a fabricação de cartões inteligentes com contato, com custo estimado em R$ 14 milhões. A Foxconn do Brasil, empresa com capital de origem húngara apresentou projetos para a produção de moduladores (rádio moden), no valor de R$ 83 milhões. De origem espanhola, a Magna Importações e Comércio pretende fabricar telefone celular digital.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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