Cesta básica cai pelo terceiro mês seguido

Em: 7 de maio de 2009
O custo da cesta básica para o consumo mensal de uma pessoa adulta em Manaus manteve a tendência de recuo registrada desde a segunda metade do primeiro bimestre deste ano, fechando abril em R$ 210,69 ante os R$ 216,27 observados em março
O custo da cesta básica para o consumo mensal de uma pessoa adulta em Manaus manteve a tendência de recuo registrada desde a segunda metade do primeiro bimestre deste ano, fechando abril em R$ 210,69 ante os R$ 216,27 observados em março

O custo da cesta básica para o consumo mensal de uma pessoa adulta em Manaus manteve a tendência de recuo registrada desde a segunda metade do primeiro bimestre deste ano, fechando abril em R$ 210,69 ante os R$ 216,27 observados em março. A queda efetiva desde fevereiro já alcança 6,77% e 2,58% em relação ao mês de março.
Das sete capitais onde houve queda nos preços dos alimentos básicos, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) observou que Manaus puxou a liderança efetiva desse recuo. Ainda assim, a capital permanece entre os seis maiores custos de vida entre as regiões Norte/Nordeste e a oitava em nível nacional.
A confirmação da redução no ritmo das exportações que aumentou a oferta de legumes e cereais no mercado interno foi ressaltada pela supervisora-técnica do escritório regional do Dieese, Alessandra Cadamuro, como uma das responsáveis pela queda efetiva no preço dos itens em Manaus.
A especialista preferiu não opinar se a baixa de preços observada nos supermercados é consequência da maior procura dos produtos em feiras livres e no comércio dos bairros, mas comentou que essa perda de ritmo nos preços pelo terceiro mês consecutivo foi influenciada também pela desaceleração dos índices de inflação dos alimentos.
“Se o consumidor compra menos, sobram mais gêneros nas prateleiras dos supermercados. Esse fato força o varejo à redução dos preços para ampliar a vinda do cliente. Pode ser que tenha ocorrido isto no mercado local”, avaliou.
Em abril, segundo Alessandra Cadamuro, 11 dos 12 produtos da cesta básica manauense apresentaram redução, dos quais o feijão foi mais uma vez o item com maior variação no preço (-12,50%). “Além dele, produtos como o óleo de soja (-4,58%), manteiga (-3,13%), carne bovina (-2,51%) e a banana (-2,24%) estão entre os que mais reduziram a pressão no bolso do consumidor manauense”, arrematou.

Oscilações influenciam

Na opinião do empresário Francisco Gomes Almeida, atuante no setor de alimentos e materiais de construção, para quem o valor da cesta serve de base na cotação praticada no comércio local, o cálculo da evolução dos preços de um conjunto de alimentos é fundamental na hora da disputa de espaço junto à concorrência. Mas o administrador salientou que as oscilações de preço dos itens básicos, em Manaus, nem sempre estão atrelados a algum desequilíbrio entre oferta e demanda.
“O preço dos alimentos não sofre aumento ou desaceleração por conta apenas dessa pressão interna. Na prática, o varejo local é influenciado principalmente pelo custo do frete que pesa muito no ­valor final”, acentuou.
Mesmo com um histórico de baixa pressão inflacionária, os alimentos, este ano, começaram a disparar, afetando o custo de vida dos brasileiros, que se sentem obrigados a cortar gastos ou procurar alternativas mais baratas para as compras.
 Pelo menos esta é a opinião do economista Flávio Gomes Martins, segundo o qual os mais prejudicados com a alta dos preços na alimentação são os países emergentes, onde boa parte da renda é destinada à compra de comida.
“Aqui em Manaus, de acordo com os números oficiais, o custo mensal para uma família de quatro pessoas é de R$ 632,07. Esse preço equivale a 1,36 o salário mínimo bruto atual, ou seja, o trabalhador que ganha nessa faixa compromete 49,25% de sua renda apenas com alimentação. É um disparate”, criti­cou.
Pelos cálculos do FMI, a contribuição dos preços dos alimentos, no mundo, entre 2000 e 2006, foi de 26,6%.  Este ano, o percentual já chega a 36,4%.  No entanto, enquanto os países ricos atingem marcas de 18%, a variação nas federações mais pobres chega a patamares de quase 40%.
Esse foi mais ou menos o índice de aumento sentido pela professora de dança Rachel Plutarco, que já sofre as consequências da alta dos preços dos alimentos.  Na hora de fazer a feira de casa, Rachel divide as contas com o irmão, com quem mora há dois anos.  “Nós gastávamos cerca de R$ 120 por semana, há alguns meses.  Hoje, a conta passa dos R$ 180”, conta a professora, que resolveu procurar outros mercados como alternativa.  “Eu sempre freqüentava os supermercados próximos a nossa casa, mas agora compro algumas coisas nos mercadinhos de bairro, açougues e quitandas.  Fica mais barato”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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