Como anunciado na segunda-feira pela liderança dos movimentos, taxistas e estudantes se mobilizaram ontem, para garantir que suas reinvidicações fossem atendidas pela CMM (Câmara Municipal de Manaus). A avenida Torquato Tapajós, zona Norte, no acesso ao bairro Cidade Nova, amanheceu tomada por cerca de 500 táxis que seguiram em protesto até o estacionamento do Estádio Vivaldo Lima, na avenida Constantino Nery, bairro Chapada. A partir deste ponto, os manifestantes se dirigiram para a CMM, onde se uniram aos estudantes.
Algumas das principais avenidas da cidade como a Professor Nilton Lins, e pontos de grande concentração de veículos como a Rotatória do Coroado tiveram o tráfego interrompido nas primeiras horas da manhã.
O estacionamento da CMM e da Feira do Santo Antônio, que funciona ao lado da Câmara estavam tomados por carros brancos (táxis) e viaturas da Guarda Civil Metropolitana e Polícia Civil.
Kombeiros intimidados
A galeria do plenário Adriano Jorge foi ocupada por estudantes dos ensinos médio e fundamental, taxistas e alguns kombeiros. Estes últimos, sentindo-se intimidados pelos taxistas que ocupavam 90% do espaço, resolveram deixar o local e não quiseram se pronunciar oficialmente sobre o assunto. Enquanto os estudantes protestavam pela continuação do uso de 120 meias-passagens no transporte coletivo, os taxistas questionavam a circulação de kombeiros e mototaxistas, que cobram valores abaixo do praticado pelos taxistas autorizados e “roubam a clientela”.
“Do jeito que está não pode continuar. A gente trabalha duro, paga os impostos e os mototaxistas e kombeiros trabalham na ilegalidade roubando nossos passageiros”, reclamou Edson Jader Cabo-Verde, 46, taxista com 25 anos de experiência na função.
O Sintaxi (Sindicato dos Condutores Autônomos e Taxistas de Manaus) não compareceu à sessão. A partir dessa situação, os manifestantes elegeram uma comissão representada pelo taxista Jorge Santana, que falou em nome da categoria. “Nós precisamos de uma legislação forte, que combata as ilegalidades no transporte de Manaus. Não aguentamos mais esta concorrência desleal”, argumentou.
A manifestação não contou com a participação do Sintaxi, porque segundo Edson Maximino Dantas, o diretor-financeiro do sindicato, foi acordado com o prefeito Amazonino Mendes (PTB) e a diretora-presidente do IMTT (Instituto Municipal de Transportes e Trânsito), Ivete Barros, que houvesse prazo de 14 dias para que a prefeitura “regularizasse a situação”.
Maximino explica que “na sexta-feira (8) foi conversado com o prefeito e a presidente do IMTT, que pediram um prazo para regularizar a situação dos mototaxistas e kombeiros, que invibializam o trabalho dos taxistas legalizados”.
O prefeito que cumpria agenda em Brasília, disse por meio de nota divulgada à imprensa, que “proibiu as kombis-lotação através de decreto, onde as kombis não poderão trafegar”.
De acordo com dados do Sintaxi existem 4.025 concessões de táxi para a cidade.
As pessoas físicas podem ter apenas uma concessão –uma placa. Porém as pessoas jurídicas (empresas) têm direito a comprar até 40 placas de táxi.
Cidade pode paralisar
A sessão plenária teve inicio tumultuado com coros entoando palavras de ordem e vaias para os vereadores que não apoiavam os respectivos grupos. “Sou estudante, não sou otário, não vou pagar vida mole pra empresário”, era o mote utilizado pelos estudantes. De acordo com o diretor da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), Yann Evanovick, 18, “os estudantes vão lutar até o fim para terem suas pautas atendidas e ainda esta semana podemos parar o trânsito novamente, se o prefeito não nos receber”.
Preços congelados
O Sintaxi não pretende aumentar a tarifa neste ano. O preço da corrida está dividido em duas faixas, denominadas bandeira 1 e bandeira 2. Na primeira o usuário paga R$ 0,15 para cada 100 metros percorridos, além da taxa inicial de R$ 3,50. Este valor é válido de segunda a sexta-feira, no horário de 6 às 22 horas.
A tarifa para bandeira 2 custa R$ 0,15 para cada 80 metros, continuando com a taxa de R$ 3,50. O consumidor deve ficar atento pois este valor é para corridas nos finais de semana e feriados durante todo o dia, assim como de segunda a sexta-feira, entre 22h01min e 5h59min.
Dentre os 4.025 carros que circulam oficialmente em Manaus, apenas 298 utilizam GNV (Gás Natural Veicular), representando 7,40%. Só existe um posto de abastecimento de GNV na cidade, localizado na Rotatória do Centro Cultural Povos da Amazônia, ao custo de R$1,40/m³. A maioria dos carros usa o cilindro de 16m³, pagando R$ 22,40.







