
Marco Dassori
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A Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas) realizou, na noite de terça (13), a cerimônia de entrega de medalhas da ‘Ordem do Mérito Agropecuário do Amazonas 2022’. O objetivo da solenidade foi reconhecer e incentivar produtores rurais e empreendedores do agronegócio que contribuem com o desenvolvimento do setor primário no Estado. Os homenageados destacaram à reportagem do Jornal do Commercio que a premiação é também um estímulo ao necessário desenvolvimento do setor.
Neste ano, a Faea elegeu destaques em seis categorias: Piscicultura (Johames Bastos Guimarães); Agroindústria (Renato Gomes Pereira); Pecuária (Pedro Carlos de Arruda), Agricultura (Jocelito Foleto) e avicultura (Norikatsu Miyamoto). A Embrapa Amazônia Ocidental foi sagrada com a medalha ‘Mérito Agropecuário Eurípedes Lins’. A cerimônia foi realizada no Palácio Rio Negro, localizado na Avenida 7 de Setembro, Centro.
Segundo o chefe geral da Embrapa Amazônia Ocidental, Everton Rabelo Cordeiro, a homenagem contribui para a atuação da estatal, além de ser um “grande estímulo para os empregados do setor”, ao reafirmar a importância do trabalho de pesquisa de todas as instituições públicas no Estado. “Não se faz pesquisas sozinho, pois dependemos de financiamentos e parcerias. Por ser a Faea uma instituição essencial para a produção rural, entendemos que premiações como esta têm papel desencadeador para todo o setor no Amazonas”, frisou
Ao longo de quase cinco décadas, a Embrapa Amazônia Ocidental vem colaborando em pesquisas, estudos, tecnologias e contribuição a políticas públicas relacionadas à agricultura. Vem atuando na capacitação de técnicos extensionistas e de produtores rurais do Amazonas, além de contribuir para a formação de profissionais, da iniciação científica à pós-graduação. Suas principais áreas de pesquisa e transferência de tecnologias estão voltadas para a fruticultura, olericultura, culturas agroindustriais, piscicultura, uso e conservação da biodiversidade e sistemas integrados de produção.
Críticas e investimentos
Premiado na categoria de Agricultura, Jocelito Foleto assinala que é “muito gratificante” ser reconhecido pelo trabalho que faz no Sul do Amazonas, com o plantio de soja, milho e arroz, e a expectativa de novos investimentos. “Isso pode contribuir muito para abrir portas no mercado. Temos uma indústria de arroz comprada na fazenda, o que vai gerar em torno de 50 empregos diretos, a partir de 2023. Estamos ansiosos também para destravar a rodovia BR-319, o que deve contribuir para que o produto saia de manhã de Humaitá e chegue à noite em Manaus. Hoje, demoramos de cinco a seis dias”.
O empresário lembra que o mercado consumidor da capital é “muito rico” e reforça que não há antagonismo entre agricultura e conservação ambiental, já que a atividade “não desmata a floresta” e só é viável sobre campos naturais. “Estamos no caminho certo, mas precisamos de apoio dos órgãos federais e estaduais, principalmente para destravar essa estrada”, asseverou.
Jocelito Foleto trabalha com agricultura há 35 anos e sua produção vem da Fazenda Santa Rita, em Humaitá, que emprega 56 pessoas. Ele está no município desde 2017, quando plantou 450 hectares. Em 2021, a fazenda já somava 3.500 hectares de lavoura plantada e a estimativa para a safra de 2022/2023 é de 25 mil toneladas produzidas. A produção é negociada no mercado interno e também para exportação.
Homenageado na categoria de Avicultura, o produtor Norikatsu Miyamoto, salienta que é uma “grande honra” ser novamente nomeado – depois de 2008 – e que a comenda pode contribuir para lembrar aos produtores que existe uma entidade forte e tradicional que pode estreitar os laços com órgãos governamentais e entidades privadas. Mas, não deixou de destacar que o ambiente para negócios no Amazonas precisa melhorar.
“É importante pelo reconhecimento que traz à atividade, pois só vivemos sendo cobrados pelos órgãos de fiscalização, que pouco ou nada fazem para ajudar de fato os produtores”, lamentou. “Temos um mercado com demanda crescente e que, sazonalmente, os produtores locais não conseguem atender, devido à limitação produtiva. Isso estimula cada vez mais os produtores externos a invadirem”, emendou.
Nascido em Hokkaido no Japão, o empresário está no Amazonas desde 1958. Em sua trajetória se dedicou à agricultura e avicultura, tendo como carro-chefe, a criação de postura e a produção e comercialização de ovos de galinha. Atualmente aposentado, é fundador da Granja Miyamoto, cofundador e dirigente da Associação Amazonense de Avicultura e dirigente de diversas associações comunitárias nipo-brasileiras. Sua granja abastece principalmente Manaus e seus arredores, com destaque na produção anual de 130 mil caixas de ovos, e geração de 80 empregos.







