Jornal do Commercio – Quais investimentos de longo prazo devem ser feitos primeiramente pelas empresas?
Armando Rasoto – Uma empresa para investir em longo prazo tem que estar em harmonia com o seu horizonte de planejamento. O momento agora está muito bom para investimentos para quem quer sair fortalecido dessa chamada crise. Então, pode-se dizer que os investimentos de longo prazo são aqueles que sejam extremamente necessários, e isso se dá em crises ou em épocas de crescimento econômico. A empresa só deve realmente investir naquilo que realmente é necessário e que possa agregar valores e aumentar a produtividade. Um investimento fundamental é em competência, porque tecnologia a empresa compra e qualidade de gestão a empresa deve investir e é um processo de construção.
JC – Qual é o melhor caminho para levantar fundos para financiar estes investimentos?
Rasoto – Isso depende muito do tamanho da empresa. Normalmente o melhor caminho é o de financiamentos a longo prazo, principalmente linhas de fundos externos com custos compatíveis com o potencial de geração de resultados operacionais, e também a abertura de capitais que as empresas possam fazer.
JC – Como as empresas devem administrar seus ativos de curto prazo?
Rasoto – Nesse momento, administrar os ativos de curto prazo tem uma importância maior ainda se houver um bom planejamento financeiro, que significa organizar um controle rígido de estoques, seletividade do crédito e, principalmente, a busca por novas opções de fornecedores. As empresas devem estabelecer critérios para vender seus produtos, até para evitar o aumento do número de inadimplência.
JC – Como estruturar corretamente o capital de uma empresa?
Rasoto – A partir das necessidades de capital de giro, ou melhor, de financiamento de capital de giro, a empresa deve buscar as melhores alternativas no mercado para financiamentos. O segredo é ter um bom planejamento. A maioria das pequenas e médias empresas, quando vão buscar capitais nos bancos precisam disso o mais rápido possível. Entretanto, elas não planejam. Então, o poder de negociação das empresas com o banco é praticamente nulo porque são altas taxas, dificuldades de obtenção de crédito e todo o crédito dado pelos bancos para as pequenas e médias empresas se dá através de duplicatas. Quando a empresa liga para o banco com antecedência mostra uma estrutura de planejamento, o poder de negociação dela junto a esse crédito é bem melhor. E o que podemos perceber é que a maioria das pequenas empresas não planeja e pagam um custo que o banco bem entender.
JC- Como gerenciar os fluxos de caixa?
Rasoto – Para tudo tem que haver planejamento. As negociações antecipadas com os bancos facilitam bastante a disponibilidade de crédito. E, todas as despesas podem ser contabilizadas. Atualmente, as empresas vão buscar o crédito no momento em que elas necessitam, e isso pode ser considerado como uma falta de educação financeira. Os gestores são carentes de uma melhor educação financeira. Deve sempre se ter uma estratégia explicita.
JC – Como os bancos estão fazendo os financiamentos?
Rasoto – Os bancos brasileiros adotaram uma postura muito conservadora, não apostando dinheiro para quem precisava. Os bancos preferiram fechar recursos em títulos da dívida pública e não emprestar para as empresas. Se qualquer banco precisou emprestar mais é porque tinha recurso pra isso. Tem muita empresa que deixou de vender porque não conseguiu financiar a sua venda.
JC – Quais os principais riscos que as empresas correm, nesse momento de crise, ao fazer os investimentos?
Rasato – O primeiro grande risco é falta de liquidez, o segundo é fazer investimentos e, eventualmente não ter para quem vender. Apesar de que há sinais nítidos de recuperação e saída dessa crise. A confiança vai voltar quando os grandes bancos, de fato, se recuperarem da crise, e a liquidez deverá voltar a níveis internacionais e isso vai refletir no mercado interno também.
JC – Como as empresas devem fazer o planejamento financeiro?
Rasoto – O primeiro passo seria uma avaliação e criação do cenário para a empresa, para ver como pode ser o ritmo das vendas no prazo de dois anos. A partir daí, é possível analisar as necessidades eventuais de investimentos de uma empresa. O investimento só se justifica por vendas, pela demanda ou por diminuição de custos. O planejamento financeiro requer conhecimentos. Os contadores não orientam a empresa e o caminho é sempre o planejamento próprio. Investindo em informação e educação de colaboradores e funcionários.
JC – Como conter os custos sem prejudicar a qualidade dos produtos ou serviços?
Rasoto – Deve-se identificar quais as perdas mais frequentes e eliminá-las rapidamente. Os custos devem ser sempre compatíveis com o tamanho de vendas.







