Isolamento pelo desabamento de pontes é debatida por associação

Em: 12 de outubro de 2022

Andréia Leite

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Enquanto aguardam uma definição sobre as medidas a serem adotadas no que diz respeito ao incidente envolvendo o desabamento de duas pontes que isolaram parte de alguns municípios no Amazonas, a Associação dos Amigos e Defensores da BR- 319 busca diálogo. Em caso de não haver resposta à necessidade em questão, a entidade pretende realizar manifestação com a expectativa de mobilizar as autoridades públicas e o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

O presidente da associação André Marsílio disse que procurou o Dnit, mas não houve posicionamento por parte da autarquia. Em relação ao governo estadual, a entidade tem apresentando algumas soluções como a implantação de portos móveis nos municípios de Manaquiri e Manacapuru. “Nós estamos esperando esta semana para que as autoridades tomem providência necessárias. Caso não haja diálogo, a nossa ideia é tomar outras medidas como a realização de manifestação na tentativa de resolver o problema”. 

A preocupação por parte do representante da entidade vem do cenário que enfrenta alguns municípios após o desabamento das pontes. Os municípios Careiro da Várzea, Manaquiri, Careiro e Autazes, estão sendo afetados diretamente após a queda da  ponte no rio Curaçá, no Amazonas. A escassez de alguns insumos e o aumento no valor de produtos perecíveis que fazem parte da cesta básica, são algumas das dificuldades encaradas por comerciantes e moradores destas localidades.

O presidente da associação, André Marsílio, afirmou que os insumos estão mais onerosos tanto para os comerciantes quanto para os moradores. “Muitos desses mercadinhos estão desabastecidos com grandes quantidades porque está inviável trazer muita mercadoria pelo custo do frete”. Ele lembra, ainda, que a unidade do frango está sendo comercializada a R$ 70. 

Após o desabamento, por exemplo, a viagem com trajeto da Vila Gutierrez até o Careiro que tinha a duração de uma hora passou a ter um percurso em torno de quase oito horas para fazer. “O transporte de diesel que abastece os municípios também sofre aumento e isso também não pode ir para conta dos trabalhadores e empresários. Estamos tendo relatos de que a conta de energia está ficando mais cara em virtude da queda das pontes. Estamos fiscalizando para que esse prejuízo não vá parar no bolso do trabalhador”. 

Na última segunda-feira (10), o governador Wilson Lima decretou situação de emergência nos três municípios diretamente atingidos pela queda das pontes: Careiro da Várzea, Autazes e Careiro.

Ele constatou que há  desabastecimento de alimentos, remédios e combustíveis. Também há risco das cidades ficarem sem energia elétrica. Cerca de 100 mil pessoas estão sendo afetadas após os acidentes.

“Temos ali a questão do escoamento da produção, desabastecimento de alimento, de remédio, de combustíveis. É importante a questão do combustível, porque esse combustível é que faz funcionar as térmicas. Então, há um risco de que em algum momento isso aconteça, e a gente espera que isso não aconteça, de que alguns desses municípios possam ficar sem energia elétrica”, afirmou Wilson Lima.

O Governo do Amazonas informou que o Comitê de Resposta Rápida, montado no dia 28 de setembro, quando houve o desabamento da primeira ponte na BR-319, segue acompanhando a situação nas pontes sobre os rios Curuçá e Autaz Mirim, e já estuda medidas emergenciais para evitar o desabastecimento dos municípios afetados pela interdição da rodovia. O comitê já solicitou a apresentação de planos de contingências para os municípios atingidos, à empresa distribuidora de energia, Amazonas Energia e Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), a fim de garantir a prestação de serviços à população. “O Governo do Amazonas reforça que se mantém à disposição do Dnit, responsável pela BR-319, para apoiar o órgão federal em tudo o que for necessário para restabelecer o tráfego no local o mais breve possível”.

Entenda

A ponte sobre o rio Autaz Mirim, localizada no km 25 da BR-319, no Amazonas, desabou no sábado (8), isolando a população do local. A rodovia já estava interditada pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e ninguém se feriu. O incidente ocorreu dez dias após outro desabamento que trouxe transtornos à região: o da travessia sobre o rio Curuçá, que deixou ao menos três mortos.

A estrutura é o único acesso terrestre do Estado ao resto do país e alguns municípios que dependem dela passam por problemas de desabastecimento, como falta de alimentos, gasolina e insumos desde a queda da primeira ponte. Para chegar ao outro lado, as pessoas estão utilizando canoas.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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