Consumo de cerveja segue forte dentro das residências 

Em: 15 de outubro de 2022

Andreia Leite

Ao passo que os decretos foram sendo flexibilizados com a melhoria do cenário da crise sanitária com a abertura de bares, o isolamento social também mudou o comportamento das famílias em relação ao consumo. Confirmando essa mudança, levantamento da empresa de pesquisa de mercado Euromonitor, para o Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja), prova que o consumo de cerveja, por exemplo, segue forte dentro de casa.

Segundo os dados apresentados, o consumo off trade (pontos de venda como supermercados, hipermercados, mercearias, dentre outros que não são especializados em consumo de cerveja no próprio ambiente) aumentou 41,6% das vendas, totalizando 5,9 bilhões de litros de cerveja comercializadas. Antes da pandemia, em 2019, o consumo de cerveja nesse perfil  girava em torno de 38%. Em bares e restaurantes (on-trade), local favorito dos brasileiros para consumo de cerveja, totalizava 62%.

Em 2021, o desempenho do consumo de cerveja fora do lar passou a registrar 58,4% -o que representa 8,4 bilhões de litros. O estudo indica que a performance se deve, principalmente, pelo crescimento de vendas diretas ao consumidor em plataformas digitais (e-commerce) -que subiu 1,5% em 2021 –e nos atacadões com o aumento de 13% no mesmo período.

Empresários que atuam nesse tipo de venda, afirmam que as vendas cresceram em mais de  30% se comparado ao período pré-pandemia. “Notamos uma procura e um consumo bem maior durante e após a pandemia. A bebida alcoólica foi muito consumida pelas famílias e isso foi determinante  para manter o comércio ativo”, observou  Daniel Sena, sócio de um mercadinho.

O empresário Júnior Brandão, disse que o segmento segue uma escala crescente em relação ao volume de vendas. Ele lembrou que a empresa garantiu incremento nas vendas durante a pandemia, registrando faturamento acima do esperado. “O isolamento social fez com que as pessoas consumissem muito mais, aliás em dobro. Hoje, tem muita gente que prefere comprar bebidas para consumir em casa entre amigos a ter que ir para um bar. Para quem é adepto da cerveja é o melhor custo-benefício”.

Ele lembra que na contramão do custo do produto que sofreu reajuste, as entregas via delivery seguem a todo vapor. “Quando anunciaram o aumento, a nossa expectativa era que as vendas diminuíssem, mas ao contrário, mantivemos um excelente movimento”, garantiu ele. Ao menos 60% das vendas no estabelecimento do empresário é  voltada a cervejas.

Segundo dados da empresa de pesquisas Nielsen, obtidos pela Folha, o preço da bebida avançou 11,1% entre junho de 2021 e maio de 2022, período em que o consumo em volume cresceu 9,5%.

Na comparação com o ano anterior (junho de 2020 a maio de 2021), porém, houve alta de 11,2% no preço e queda de 8,2% no volume, o que demonstra uma freada no consumo por causa da inflação. 

“Devido à tradição cultural brasileira, é esperado que com a flexibilização das restrições da pandemia, no ano de 2022, o consumo retorne com mais força nos estabelecimentos de alimentação fora do lar, com a retomada de grandes eventos musicais, festas culturais e a Copa do Mundo, explica o superintendente do Sindicerv, Luiz Nicolaewsky.

O Sindicerv reforça que o segmento está  apostando nos eventos para aumentar o vigor no mercado de bebidas com teor alcoólico.   

“A indústria da cerveja está confiante para os próximos meses, com o retorno de festivais musicais, festas tradicionais e a Copa do Mundo, que reúne duas paixões dos brasileiros: a cerveja e o futebol. Será um momento de celebrar, de encontrar a família e os amigos para assistir aos jogos, com o ineditismo de ser realizada em um mês mais quente. O Brasil é terceiro maior produtor de cerveja no mundo, atrás da China e dos Estados Unidos, e a expectativa de crescimento, no volume de vendas é de 15,4 bilhões de litros para este ano, segundo projeções da empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International encomendada pelo Sindicerv”, afirmou Luiz Nicolaewsky.

Por dentro

O Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, atrás da China e dos Estados Unidos. Durante a pandemia. Dados da Euromonitor apontam que vendas da bebida cresceram 7,6% em 2021 e volume comercializado em 2022 deve bater novo recorde. 

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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