Marco Dassori
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O setor de serviços do Amazonas emendou seu segundo mês seguido de alta em agosto. Mesmo diante de um novo avanço no endividamento do consumidor de Manaus, mas já em sintonia com o segundo mês consecutivo de deflação recorde no IPCA, o volume de vendas cresceu 0,5%, desacelerando em relação a julho (+2,1%). O Estado perdeu por pouco para a média nacional, que subiu 0,7%, sendo puxada pelos segmentos telecomunicações e tecnologia de informação, alimentação e alojamento. Diante disso, a CNC revisou para cima suas projeções para o setor e para o turismo.
O desempenho do Amazonas nos serviços, setor que responde pela parte majoritária dos empregos e empresas, além da maior diversidade de atividades econômicas, bateu o dado brasileiro nas demais comparações. O incremento foi de 10,5% ante o mesmo mês de 2021, ainda sob o efeito relativo do bônus da pandemia, em razão da reabertura dos serviços presenciais e da demanda reprimida. O Estado também expandiu nos acumulados do ano (+9,3%) e de 12 meses (+8%). Em paralelo, o Brasil apresentou altas respectivas de 8%, 8,4% e 8,9%. Os dados são da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), e foram divulgados pelo IBGE, nesta sexta (14).
A expansão de 0,5% na variação mensal não foi suficiente para evitar que o Amazonas desabasse do quinto para o sexto lugar do ranking brasileiro, em meio a oito resultados negativos. Na região Norte, só superou Tocantins, o único a pontuar estabilidade. Amapá (+6,2%) e Acre (+6,1%) dividiram o pódio, enquanto Goiás (-7,1%) e Paraná (-3,4%) ficaram no fim da fila. Em relação ao mesmo mês de 2021, o Estado (+10,5%) decolou da 19ª para a décima posição, em um rol iniciado por Amapá (+19,6%) e encerrado pelo Paraná (-6%). No acumulado do ano, conseguiu subir da 15ª para a 12ª colocação, com Alagoas (+19,8%) e Distrito Federal (-1,6%) nos extremos.
Mesmo com a deflação atípica de agosto, a receita nominal se manteve descolada do volume de serviços nas comparações de longo prazo, embora tenha mostrado recuo no mês. A variação mensal do faturamento a preços correntes caiu 0,9%, em sentido inverso à marca de julho (+1,2%). No confronto com agosto de 2021, houve elevação reforçada de dois dígitos (+17,5%), mantendo os acumulados do ano (+17,6%) e dos 12 meses (+15,8%) também no azul. Os respectivos dados da média nacional (+0,5%, +16,4%, +16,4% e +16,1%) também foram todos positivos.
Demanda reprimida
O IBGE-AM reforça que, em virtude do tamanho da amostragem, a pesquisa no Amazonas ainda não apresenta os dados desagregados por segmentos. A alta da média nacional neste mês, por outro lado, se disseminou novamente em três das cinco atividades investigadas pelo órgão. As principais influências positivas, levando em conta também a participação na base de dados vieram de “outros serviços” (+6,7%) –especialmente serviços financeiros auxiliares –, informação e comunicação (+0,6%) e serviços prestados às famílias (+1%). Já o segmento de transportes, serviços auxiliares e correio encolheu 0,2%, e o de serviços profissionais, administrativos e complementares estagnou.
O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforçou à reportagem do Jornal do Commercio que, embora os dados locais disponíveis não possibilitem apontar os motivos da evolução e eventuais oscilações dos serviços do Amazonas, a sinalização é que a pandemia teria levado os empresários do setor a trilhar “um caminho próprio”. O pesquisador enfatiza esse entendimento ao assinalar que os serviços do Amazonas cresceram em seis dos oito meses iniciais do ano.
“Isso é o reflexo da boa performance que o setor está tendo. Com isso, está conseguindo crescer mais que o comércio e a indústria. Os acumulados já estão acima de 9% e ainda têm quatro meses para tentar alcançar o índice de expansão conquistado em 2021, quando chegou a 11,4%. As expectativas para os próximos meses são boas, quando levamos em conta a média móvel trimestral e os últimos resultados. Em agosto, quase todas as unidades da federação tiveram crescimento de vendas de serviços, o que significa que a atividade está numa boa onda de crescimento em todo território nacional”, frisou.
Indagado sobre os possíveis motivos para o descolamento dos serviços em relação à indústria e ao comércio, Adjalma Jaques disse que não há dados objetivos para explicar a dinâmica. “Mas, é fato que vários setores da atividade, desde o final da pandemia, estão faturando mais a cada mês. Parece algo que estava represado e foi liberado. De certa forma, para alguns setores, foi isso que aconteceu. Principalmente para comunicação, serviços pessoais e promoção de eventos entre outros”, listou.
Pandemia e sazonalidade
Para o presidente da assembleia geral da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, os resultados positivos do setor se devem à reabertura das atividades para eventos presenciais, após o refluxo dos indicadores da pandemia. “Creio que o crescimento se deve especialmente pelo fato das atividades ligadas as atividades de eventos, reuniões e demais atividades que atraem o público em geral terem sido liberadas em 100%. Isso contribuiu para gerar mais emprego e renda, assim com aumento do consumo, principalmente de produtos básicos”, frisou.
O presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, concorda. “Esses números apontam que o setor de serviços vai continuar crescendo. Sofremos uma série de fatores que elevaram a inflação, que se refletiu em juros e níveis de endividamento mais elevados, e consequente freio no consumo. Mas, a expectativa é que vamos superar isso. A Black Friday está vindo, assim como as festas de fim de ano. O setor estava contido, mas acelerou, gerando mais empregos, com bons resultados em serviços de reparo, alimentação e hotelaria, entre outros”, concluiu.
CNC reforça apostas em serviços e turismo
Diante dos dados revelados pelo IBGE, nesta sexta (24), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo revisou de 5,1% para 5,8% a projeção de crescimento do turismo em 2022. Para o setor de serviços, a variação do volume de receitas em relação a 2021 foi revista de 2,9% para 3,4%. Em comunicado à imprensa, a CNC enfatizou que o crescimento de agosto seguiu em paralelo com a menor alta mensal registrada pelos preços dos serviços no mesmo mês (+0,28%), desde novembro de 2021. “Esse movimento favoreceu a quarta alta seguida das atividades terciárias, impulsionadas pela retomada gradual no pós-pandemia, que vem sendo observada desde a segunda metade do ano passado”, encerrou o presidente da CNC, José Roberto Tadros.







