O cooperativismo no Brasil registrou crescimento significativo em 2021. Segundo os dados do AnuárioCoop 2022 –o total de pessoas associadas às sociedades cooperativas chegou a 18,8 milhões. O número é 10% superior ao de 2020, quando foram registrados mais de 17 milhões de cooperados no país. O número total de cooperativas subiu para 4.880.
No Amazonas esse potencial vem demonstrando cada vez mais solidez e relevância, não é à toa que o segmento tem buscado desenvolver atividades dentro do modelo de negócios. Com a participação de diversas instituições, da área pública e privada, o Sistema OCB/Sescoop-AM, promoveu a 1°Fecoop/AM (Feira de Cooperativismo do Amazonas). O evento, realizado no último fim de semana no Centro de Convenções do Plaza Shopping, ampliou conhecimento, negócio e principalmente estímulo a intercooperação e ao consumo consciente, o que resultou na apresentação do modelo de negócio cooperativo como alternativa ao desenvolvimento sustentável, o que deverá gerar emprego e renda com a preservação ambiental e social no Amazonas.
“O cooperativismo agropecuário no Amazonas vem se fortalecendo a cada ano, com a chegada do cooperativismo de crédito, com o Sicredi e Sicoob, nossa expectativa é que aumente ainda mais o nosso número de cooperativas do agronegócio porque sabemos que o combate à fome é tema mundial e nosso papel é fundamental nesse aspecto. Sempre bom, deixando claro que por estarmos no Estado mais preservado, nosso crescimento segue todas as recomendações do código florestal brasileiro”, destacou Merched Chaar, presidente do Sistema OCB-AM.
O objetivo da primeira edição do evento é gerar oportunidades de fomento dos negócios com capital consciente criando equilíbrio econômico e social nas cooperativas, nas empresas, nas comunidades, e nas instituições públicas e privadas através da disseminação do cooperativismo, estimulando assim a intercooperação entre cooperativas do Amazonas, além de promover a integração entre as governanças das cooperativas participantes.
“É impressionante que quando reunimos tudo em um só ambiente, no caso o Plaza Shopping, podemos perceber o quanto crescemos, o bom número de parceiros públicos e privados envolvidos e sentir nas pessoas que prestigiaram os painéis e visitaram os estandes a confiança no modelo de negócio cooperativista como ferramenta de crescimento pessoal e profissional, colaborando com o Estado, com avanços nas áreas social, econômica e ambiental. Não temos nenhuma dúvida que foi a primeira de várias edições da Fecoop-AM”.
Segundo a organização do evento, durante a Feira, no dia 4 de novembro, realizaram o 1º Seminário de Captação de Recursos Públicos e Privados para Fomento ao Cooperativismo Amazonense cujo objetivo foi apresentar as oportunidades financeiras para escalonar investimentos que possibilitem crescimento do modelo de negócio cooperativo no Estado, observando sempre o equilíbrio entre o social, o ambiental e o econômico. Já no dia 5, aconteceu o 1º Seminário sobre o Modelo de Negócio Cooperativo cujo objetivo foi apresentar as oportunidades e vantagens de negócios com capital consciente que geram desenvolvimento de comunidades, emprego e renda, além de felicidade aos envolvidos.
“Além das capacitações, tiveram estandes de vários ramos do cooperativismo amazonense, todos despertando grande interesse dos visitantes”. Espaços agro, transportes, saúde, infraestrutura, consumo, trabalho, produção de bens e serviços, foram expostos, apresentados na Feira.
O balanço é tão positivo que a entidade representativa do setor já idealiza bis do evento. “A Feira do Cooperativismo do Amazonas veio para ficar, temos a continuidade do nosso já conhecido Dia C, o Dia de Cooperar, que já vem acontecendo na arena do Amazonas, e outras novidades em 2023. O aprendizado com a primeira feira irá nos possibilitar uma organização maior e melhor nas próximas edições”, informou Cláudia Sampaio, superintendente do Sescoop-AM (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado do Amazonas).
Conforme destacado pelo presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, “Precisamos mostrar que o cooperativismo pode e deve ser mais competitivo, sem deixar de ser cooperativo. Mantendo nossos valores e princípios, ou seja, nossas raízes, podemos ser ainda mais fortes para crescer e conquistar novos espaços”.
“O Sistema OCB está realizando investimentos em ações que gerem negócios com os princípios e valores cooperativos e com capital consciente, então isso deverá tornar o cooperativismo ainda mais perene, sustentável e robusto do que já somos”, complementou.
Participação
Durante a feira, representantes do Idam fizeram uma apresentação sobre a importância da atuação conjunta entre os atores do setor primário, apresentada pela gerente de Apoio ao Agricultor, Joyce Magalhães.
O presidente do Idam, Daniel Borges, visitou a 1ª Fecoop/AM, no Manaus Plaza e ressaltou a importância do alinhamento na extensão rural em todos os municípios, para aumentar ainda mais os atendimentos aos produtores.
“É no contato com os produtores rurais cooperados, que o Idam identifica algumas necessidades que podem ser sanadas no trabalho do extensionismo rural. É importante que o Idam esteja alinhado com essas iniciativas. É por meio do cooperativismo que muitos conseguem aquisição de insumos com preços diferenciados, vender sua produção e agregar valor ao produto. Nosso objetivo é aumentar nosso leque de atuação e garantir um melhor atendimento nessas organizações de produtores”, garantiu Daniel.
Presente em todos os municípios amazonenses, o Idam leva aos trabalhadores rurais não apenas as tecnologias de cultivo, mas todo o apoio necessário para alavancar as produções, seja de vegetais, de peixes e/ou manejo. Nesse contato diário com os trabalhadores, carrega intrinsecamente a responsabilidade de direcionar os melhores caminhos comerciais, como o cooperativismo, por exemplo.
“Vejo como um acelerar no mercado externo para as cooperativas do Estado Amazonas, onde as mesmas têm a oportunidade de mostrar para a sociedade civil o potencial do Cooperativismo no Amazonas, não só no ramo Agro, mas nos demais ramos. Essa visão ampla dá a todos a verdadeira noção da necessidade de cooperar e, assim, garantir o crescimento de todos”, esclarece Joyce Magalhães, gerente de Apoio ao Agricultor do Idam, que trabalha diretamente com as famílias, associações e cooperativas.
Por Andreia Leite
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