Todos remando para limpar o Tarumã

Em: 26 de novembro de 2022

Com a ânsia desenfreada em se adquirir cada vez mais bens materiais, e a produção de tudo em larga escala, o ser humano não percebe que está se enterrando no lixo. Um estudo da ISWA (International Solid Waste Association), que reúne profissionais do setor de resíduos sólidos, prevê que daqui a 28 anos, em 2050, a produção de lixo mundial será de 3,4 bilhões de toneladas/ano. Há seis anos, em 2016, esse número era de dois bilhões de toneladas/ano.

No Brasil, o maior produtor de resíduos urbanos da América Latina, com 40% do total, de acordo com a ISWA, o futuro também é sombrio. A Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) estima que, em 2030, os brasileiros estejam descartando 100 milhões de toneladas/ano de resíduos. Por isso, iniciativas como a Remada Ambiental, ainda que pareçam aquela história do passarinho que tenta apagar o incêndio na floresta carregando água no bico, devem ser divulgadas e espalhadas para que a sociedade reflita e passe a agir da mesma forma.

Neste sábado (26) acontece a penúltima edição de 2022 do Remada, projeto que realiza a limpeza do igarapé do Gigante, no rio Tarumã Açu. Em seis anos de existência do projeto, já foram retiradas mais de 55 toneladas de resíduos do igarapé e da região da Marina do Davi. Mais de seis mil voluntários contribuíram com a ação, ao longo desse período.

“O igarapé do Gigante é um dos 13 tributários que deságuam na bacia do rio Tarumã Açu. Ele possui sete quilômetros de extensão. Nasce dentro do aeroporto Eduardo Gomes, corta cinco bairros e três conjuntos”, informou Jadson Maciel, idealizador do Remada Ambiental.

Voluntários e apoiadores

Jadson mora no Flutuante Sup Amazonas, próximo à Marina do Davi e, vendo a quantidade de lixo que passava no entorno da residência, além de incentivado pela irmã, que mora em Porto Alegre, juntos elaboraram o projeto que, em seis edições, só tem crescido em número de voluntários e de resíduos recolhidos.

“Os voluntários são dos mais diversos segmentos, escoteiros, estudantes, funcionários de empresas, empresários. Infelizmente nenhum dos proprietários dos inúmeros flutuantes existentes aqui na região, nos ajuda nas ações. Já os moradores da Marina do Davi só começaram a participar há uns três anos”, disse.

Desde o ano passado, o Grupo Queiroz é parceiro do projeto, apoiando com colaboradores voluntários.

“Nos unimos à iniciativa, pela importância dela e por estar alinhada aos nossos propósitos, mobilizando nossos colaboradores para que também façam a sua parte e, principalmente, se tornem multiplicadores da mensagem”, falou Anderson Queiroz, diretor do Grupo.

“O Grupo Queiroz já nos doou 80 coletes salva vidas, rádios de comunicação e mais recentemente, um caiaque. Somos muito gratos pela ajuda deles e gostaríamos que outras empresas também apoiassem a nossa causa”, avisou Jadson.

Sobre cada ano ter que repetir o trabalho de limpeza naquela área do Tarumã Açu, Jadson lamentou.

“É impossível a diminuição desses resíduos nas sub-bacias do rio Tarumã porque a sociedade não para de descartar os mais variados tipos de plásticos na natureza, pois o plástico faz parte de nossas vidas. O que precisa ser feito é o descarte e a gestão corretos desse material, evitando jogá-los nas ruas, pois as águas das chuvas se encarregam de fazê-los chegar aos igarapés e rios, causando a poluição”, revelou.

Não é em vão     

Além do Grupo Queiroz, a Remada Ambiental recebe o apoio da prefeitura através da Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza Urbana), Distribuidora Nascer do Sol (doação de água e gelo), Ecoforte (doação de sacolas para a coleta dos resíduos), Simbioze Amazônia (disponibilização de coletores na Marina do Davi), Ecocooperativa (ajuda na gestão dos resíduos recolhidos nos PEVs – Pontos de Entrega Voluntária), Acamdaf (Associação dos Canoeiros da Marina do Davi), FAS (Fundação Amazônia Sustentável) e Comitê de Bacias Hidrográficas do Rio Tarumã Açu, do qual Jadson é presidente.

“Os resíduos recolhidos nos PEVs são enviados para as cooperativas coletoras de resíduos sólidos para posterior reciclagem, já os resíduos coletados no rio estão sujos e precisam ser entregues para a Semulsp, que os direciona para os aterros sanitários da cidade”, contou.

“Nosso trabalho não é em vão. Acreditamos muito nas nossas ações. Acreditamos que as pessoas podem mudar e que nosso trabalho serve para educar as futuras gerações. Acreditamos que a gestão dos resíduos os tornará parte importante na economia criativa. É tudo questão de tempo”, finalizou.  

No sábado, o ponto de encontro dos voluntários será na Marina do Davi, na av. Coronel Teixeira, às 8h. A ação acontece até às 11h e será dividida em três momentos: primeiro, limpeza da região da Marina, depois a parte da Associação dos Canoeiros e, por último, o igarapé do Gigante. Os interessados em ser voluntários da ação podem entrar em contato através do Instagram @projetoremadaambiental. No perfil há um formulário de inscrição.

Por Evaldo Ferreira: @evaldo.am

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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