O faturamento do PIM cresceu pelo segundo mês seguido, em agosto, e atingiu o melhor número do ano. As vendas em dólares subiram 14,44%, de US$ 2.77 bilhões para US$ 3.17 bilhões, em relação a julho –que teve dois dias úteis a menos. O resultado também foi 14,03% maior do que o de 12 meses atrás (US$ 2.78 bilhões). Convertido em reais (R$ 16,42 bilhões), os acréscimos respectivos nas vendas foram de 14,26% e 14,66%. Em oito meses, a alta em moeda americana (US$ 22.44 bilhões) foi de 14,95%, sendo acompanhada por uma elevação de 9,15% na divisa nacional (R$ 113,05 bilhões).
Assim como ocorrido nos últimos meses, os subsetores mais fortes do PIM seguiram em direções diferentes, no acumulado do ano. Os fabricantes de bens de informática e de duas rodas consolidaram expansão, mas os de eletroeletrônicos seguiram com números negativos, embora já esbocem recuperação. Os números são dos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, e foram divulgados pela Suframa, nesta sexta (25). A mesma base de dados informa que os empregos no Distrito também atingiram o pico do ano, rompendo a barreira das 110 mil vagas.
Na análise em dólares, 21 dos 26 subsetores fecharam o acumulado de janeiro a julho no azul, a mesma quantidade contabilizada no levantamento anterior. A maior alta proporcional se deu em minerais não metálicos (+125,77%), que somou US$ 30.21 milhões. Foi seguido de longe pelos segmentos de brinquedos (+50,22% e US$ 37.90 milhões) e de vestuário e calçados (+48,51% e US$ 4.44 milhões). O tombo mais significativo veio novamente do subsetor de couros e similares (-40,88% e US$ 5.06 milhões).
Majoritárias e responsáveis por praticamente metade do faturamento total do PIM, as divisões de bens de informática e eletroeletrônicos voltaram a ficar em extremos opostos. A primeira emendou o sétimo mês de liderança em termos de participação, respondendo por uma fatia de 31,12% e alta de 33,03% nos oito meses (US$ 6.98 bilhões). A segunda teve 17,32% de share, ao ver suas vendas ainda encolherem 5,66% (US$ 3.89 bilhões). O subsetor de duas rodas, por outro lado, respondeu por 14,89% (US$ 3.34 bilhões) e avançou 36,07%. Foi seguido por “outros” (11,11%), termoplásticos (9,07%), químico (8,43 %) e metalúrgico (8,07%) –todos com crescimento de vendas.
Entre os principais produtos do PIM, os telefones celulares voltaram a ganhar destaque, com 10.532.431 unidades fabricadas e incremento de 14,94% ante igual intervalo de 2021. A lista inclui também motocicletas, motonetas e ciclomotores (+15,84% e 931.664), unidades condensadoras para split system (+104% e 48.192) e tablets (+4,70% e 336.973), monitores com tela de LCD para uso em informática (+145,67% e 2.380.551), e compact discs –inclusive CD-ROM e DVD-ROM (+35,65% e 1.424.575).
Tradicionais carros-chefes do Polo, entretanto, foram na direção oposta, a exemplo das TVs com tela LCD (-11,33% e 6.398.842) –apesar de o ano ser de Copa. Bicicletas (-13,82% e 442.652), relógios (-6,44% e 4.523.135) e condicionadores de ar split system (-37,18% e 2.302.492) também pontuaram queda, assim como microcomputadores portáteis (-37,30% e 399.169) e artigos e equipamentos de fitness (-43,15% e 29.312).
Mais empregos
A geração de empregos no PIM acelerou novamente, em agosto, e atingiu o maior contingente do ano. A média obtida no mês foi de 110.830 vagas, entre trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados. Ficou 1,20% acima do dado de julho (109.512) –em dado revisado. A comparação com o mesmo mês do ano passado (107.173), período em que a economia sofria mais impactos da pandemia, mostrou acréscimo de 3,41%.
A média mensal de mão de obra do PIM foi de 108.077 postos de trabalho ao longo dos oito meses iniciais deste ano, o que equivale a uma elevação de 2,11% ante o “ano cheio” de 2021 (105.839). O resultado aparece como o melhor número da série histórica da Suframa, desde 2015 (105.015). Os maiores índices de crescimento de empregos no levantamento parcial do ano vieram dos segmentos relojoeiro (+35,70%), termoplástico (+26,31%), editorial e gráfico (+25,50%) e de “diversos) (+25%). Só os polos ótico (-11,46%), couros e similares (-2,22%), mecânico (-1,47%) e de vestuário e calçados (-0,37%) recuaram.
Levando em conta só a mão de obra efetiva, o saldo no aglutinado até agosto se manteve no campo positivo, deixando para trás os cinco meses de demissões em alta, compreendidos entre fevereiro e junho. Foram criadas 1.880 vagas, dado o predomínio das contratações (22.539) sobre os desligamentos (20.659). Ainda assim, segue bem abaixo de 2021 (+7.441) e como o pior dado desde 2017 (+354). Em divulgações anteriores, a autarquia informou que as ocupações diretas representam mais de 80% da mão de obra.
Fator Copa
Em texto divulgado pela assessoria de imprensa da Suframa, o superintendente da autarquia federal, Algacir Polsin, considerou que os resultados atingidos pelo PIM no acumulado dos oito primeiros meses de 2022 são “bastante satisfatórios” e seguem em linha com as expectativas de um segundo semestre tradicionalmente mais robusto para a indústria do Amazonas, em função de sua especialização em bens de consumo.
“Neste ano, em particular, temos também a realização da Copa do Mundo, que contribui de forma decisiva para o aquecimento da demanda em produtos que são representativos da nossa indústria, como telefones celulares, televisores e bens de informática, entre outros. Esperamos que o PIM continue se superando e obtendo resultados ainda melhores no restante do ano, pois isso terá impacto muito positivo nas ações de geração de emprego e renda preconizadas pela Suframa”, afirmou Polsin.
“Indicadores positivos”
O presidente da Fieam, e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, enfatizou que a retomada gradativa do PIM pode ser observada nos indicadores mensais da Suframa. “O crescimento do faturamento e a média mensal de trabalhadores no chão de fábrica, demonstram o bom momento do modelo. Temos uma expectativa altamente positiva para o segundo semestre, especialmente ao considerarmos o efeito Copa do Mundo”, afiançou.
O presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas), Roberto Moreno, destacou à reportagem do Jornal do Commercio que agosto sempre se mostrou um mês “muito bom” para os indicadores do setor e reforçou que o mês já se aproximava do período de preparativos para o atendimento para as festas de fim de ano e garantiu que a indústria terá “bons números de fechamento neste exercício”.
“É claro que, se as empresas não estivessem com as linhas de produção repletas, de nada adiantaria. Os subsetores podem apresentar, individualmente, algum desvio pontual, mas a média tem nos mostrado como as fábricas do Polo têm se superado em buscar atender suas programações e o consumidor, com muito empenho. Os números não demonstram os esforços, que são muitos e desafiadores, para manter as linhas de produção rodando. Mas, é muito bom ver o resultado dessa cadeia em indicadores positivos”, arrematou.
Por Marco Dassori
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