Silêncio de Bolsonaro gera especulação em meio a protestos

Em: 2 de dezembro de 2022

 

Grande parte da população tem estranhado o silêncio do presidente Jair Bolsonaro (PL), fato que gera muitas especulações. Depois do desfecho das eleições no segundo turno, foram poucas as aparições dele em público, quase sem dar nenhuma entrevista à imprensa. Ontem, ele participou de uma solenidade militar, permanecendo calado.

Para milhares de seus apoiadores, a ausência de uma manifestação de Bolsonaro é um protesto em silêncio contra o resultado das urnas, manipulado, segundo os manifestantes, para eleger o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Bolsonaro não está conformado com a derrota por suspeitar que o ministro Alexandre de Moraes tenha corroborado para eleger Lula”, avalia o professor de sociologia Sidney Monte. “É uma resposta à sociedade para demonstrar que o presidente não está satisfeito com o resultado das eleições”, acrescenta ele.

Em alguns Estados, partidários do presidente ainda mantêm protestos, apesar da contraofensiva dos órgãos de segurança para dispersar as manifestações, que não têm o mesmo vigor de um mês atrás, quando estradas federais foram bloqueadas, causando tumultos e muitos prejuízos à economia.

“Faz um mês que saí de casa para protestar contra a eleição de um presidente que em seus governos anteriores praticou todo tipo de corrupção. A mesma camarilha volta ao poder para sangrar mais ainda o erário público”, diz o administrador de empresas Olivaldo Mendes, prevendo um desastre no governo que comandará o país a partir de janeiro de 2023. “É um acinte eleger novamente um político como esse”, disse.

Com protestos ou não, ainda existem muitas especulações sobre a posse de Lula. Alguns, mais adeptos de teorias da conspiração, apostam que o presidente eleito não subirá a rampa do Palácio do Planalto. “Até lá, pode acontecer muita coisa. E estamos vigilantes para qualquer eventual ofensiva contra a democracia”, diz o petista Orlando Breno, tão fanático como qualquer defensor mais radical de Bolsonaro. “Lula veio para salvar o Brasil, para acabar com a fome da maioria da população brasileira”, aposta ele. “É hora de resgatar as conquistas que o atual governo acabou”.

Na realidade, existem muitas coisas no ar sobre o novo governo que assume no próximo ano. Agora, Lula enfrenta uma pedreira para conciliar interesses. Seu arco de alianças está à mesa para cobrar as promessas.

O MDB da então presidenciável Simone Tebet reivindica três ministérios. Porém, o presidente eleito só sinaliza com a concessão de uma pasta. E tudo isso gera muito acirramento entre as discussões da equipe de transição que trabalha em Brasília, exigindo muitas habilidades do presidente eleito para dissipar eventuais incêndios.

Benefícios

Pelo lado do Estado do Amazonas, o grupo de pelo menos 15 pessoas que participam dos trabalhos na capital federal foca na preservação dos benefícios fiscais da ZFM (Zona Franca de Manaus), que nos últimos meses sofreu várias ofensivas da atual equipe econômica liderada pelo ministro Paulo Guedes.

“Temos o decreto de IPI, a questão do investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação. E ainda mudanças na legislação que envolve o PPB e até pontos internos da Suframa, como poucos técnicos”, disse o deputado federal José  Ricardo Wendling (PT-AM), que participa das atividades em Brasília. “Talvez fosse o caso até de realizar um concurso”, acrescentou o parlamentar.

Por ora, a equipe de transição só está analisando o cenário do modelo econômico, segundo José Ricardo. “Propostas para a ZFM só devem estar presentes no relatório final do grupo técnico”, que será entregue ao presidente eleito Lula”, informou ele.

Ainda em campanha pela presidência, quando esteve este ano no Amazonas, Lula discursou para uma plateia de pelo menos 50 mil pessoas em Manaus, garantindo que defenderia a manutenção da ZFM. “Ninguém vai tocar na Zona Franca. Nenhum amazonense ficará desamparado”, falou, na ocasião.

Por MARCELO PERES

Face: @marcelo.peres Insta: @jcommercio

Marcelo Peres

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