A produção industrial do Amazonas encolheu pelo segundo mês seguido, na passagem de setembro para outubro. O tombo foi mais forte do que o registrado no mês anterior, além de ser também um dos piores resultados do país neste caso. O Estado saiu-se melhor, quando se leva em conta a comparação do ano passado, com resultado pouco acima da média nacional. Mas, desta vez, o crescimento foi bem mais modesto do que as taxas de dois dígitos anteriores. A expansão foi sustentada apenas pelos segmentos de motocicletas e bens de informática – ambos com índices de dois dígitos.
Em síntese, a indústria amazonense desabou 8,2% na variação mensal, reforçando as perdas de setembro (-3,1%). O confronto com o mesmo mês de 2021 pontuou acréscimo de 1,8%, em resultado dez vezes mais fraco do que o anterior (+13,8%). Com isso, o Estado conseguiu se manter no campo positivo, no acumulado de janeiro a outubro (+4,5%), e ascendente no aglutinado dos 12 meses (+2,6%). Os respectivos números brasileiros (+0,3%, +1,7%, -0,8% e -1,4%) foram quase todos mais fracos. É o que revelam os dados da pesquisa mensal do IBGE para a atividade, divulgada nesta sexta (9).
A regressão mensal de 8,2% no ritmo de atividade industrial fez o Amazonas cair do décimo para o 11º lugar do ranking das 14 unidades federativas investigadas mensalmente pelo IBGE, em um mês em que a média nacional finalmente sai do vermelho. Apenas seis unidades federativas conseguiram cresce, sendo que o pódio foi ocupado por Pará (+5,2%), Goiás (+3%) e Minas Gerais (+1,7%). Os piores resultados, por outro lado, vieram de Ceará (-13,7%), Mato Grosso (-11,5%) e Paraná (-9,1%).
Considerando o avanço na comparação de outubro de 2022 com o mesmo mês do ano passado (+1,8%), o Estado desceu da segunda para a sexta posição. Mato Grosso (+15,8%) e Espírito Santo (-14,7%), Pará (-20,7%) protagonizaram os extremos de uma lista com sete resultados positivos e uma estabilidade. Com o acréscimo detectado no acumulado dos dez meses iniciais de 2022 (+4,8%), o Amazonas avançou da terceira colocação para a quarta colocação, sendo precedido – por uma boa vantagem – por Mato Grosso (+24,5%), em um rol encerrado pelo Pará (-8,1%).
Motocicletas e informática
Na comparação com outubro de 2021, a indústria extrativa (óleo bruto de petróleo) subiu 1,5% e a indústria de transformação cresceu 1,8%, em alta muito mais modesta do que a anterior (+14,4%). Apenas dois de seus segmentos conseguiram acompanhar a alta, dois a menos do que em setembro. A lista incluiu apenas “outros equipamentos de transportes” (motocicletas e suas peças, com +28,2%); equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (celulares, computadores e máquinas digitais, com +13,9%).
Em sentido inverso, a lista de subsetores em baixa foi liderada novamente por “impressão e reprodução de gravações” (DVDs e discos, com -85%). Na sequência, as divisões de máquinas e equipamentos (condicionadores de ar e terminais bancários, com -23,4%); de bebidas (-10,5%); borracha e material plástico (-10,1%); produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear, estruturas de ferro, -8,9%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com -5,1%); e petróleo e combustíveis (gás natural, com -3,8%).
O acumulado do ano ainda mostra um quadro mais favorável para a indústria do Amazonas. A indústria de transformação (+4,8%), e suas divisões de bebidas (+17,1%); “outros equipamentos de transporte” (+9%); de borracha e material plástico (+4,6%); derivados de petróleo e combustíveis (+3,5%); e equipamentos de informática e produtos eletrônicos e ópticos (+0,8%) avançaram. Na outra ponta estão os subsetores de impressão e reprodução de gravações (-85,4%); máquinas e equipamentos (-41,3%); produtos de metal (-10,4%); e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-6,1%). A indústria extrativa (-1,8%) também fechou no vermelho.
Pandemia e perspectivas
O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforçou à reportagem do Jornal do Commercio que o segundo mês consecutivo de queda mensal na produção da indústria amazonense veio com “uma queda bem acentuada”. O pesquisador ressalva que os demais números da pesquisa ainda mostram um quadro mais favorável para o setor no Estado, como um todo. Mas, aponta que as oscilações e disparidades de desempenho por segmento, assim como outros dados da pesquisa, não dão espaço para muito otimismo.
“Apenas quatro das atividades industriais do amazonas tiveram crescimento em relação a outubro do ano passado. Os destaques foram bebidas e “outros equipamentos de transportes”. A atividade mais negativa impressões e gravações e máquinas e equipamentos. A julgar pela média móvel do trimestre encerrado em outubro, a perspectiva para os últimos dois meses do ano não é muito boa. Neste momento o importante é fechar o ano com crescimento, mesmo que pequeno”, alertou.
Mais otimista, o presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas), Roberto Moreno, avalia que os indicadores anual e acumulado podem apresentar “distorções percentuais” inerentes a uma comparação de períodos com a pandemia – e seus impactos na economia – em condições muito diferentes. “As acomodações da economia, mesmo ocorrendo, vêm de bases muito distorcidas. Dessa forma não representam 100% de realidade. Valores numéricos mais módicos, que ainda demonstram resultados positivos para a indústria, são “mais reais. Por isso, 2022 será um ano mais estável para as comparações que ocorreram no ano que vem”, frisou.
No entendimento do dirigente, as oscilações de desempenho são normais, mas o ano novo ainda inspira apreensão. “Sempre existiram setores que apareceram com números fora da média, mas é mais raro que isso ocorra por longos períodos seguidos. Afinal, mesmo com o bom desempenho da economia brasileira, no geral, o crescimento deverá perder um pouco de força, devido a acomodações naturais no mercado. E também em virtude das incertezas da condução que será dada a partir de 2023 de forma geral”, finalizou.
Marco Dassori
Twitter: @marco.dassori Face: @jcommercio







