Varejo local saiu da estagnação no mês das Crianças

Em: 10 de dezembro de 2022

O varejo amazonense saiu da estagnação no mês do Dia das Crianças. O volume de vendas cresceu 1,2%, entre setembro e outubro, em ritmo bem melhor do que o captado no levantamento anterior (+0,3%). O confronto com outubro de 2021, por sua vez, mostrou expansão de 3,6%, contribuindo para manter os resultados dos acumulados do ano (+2,9%) e dos últimos 12 meses (+1,7%) no azul. O saldo positivo veio na contramão da redução do bônus da deflação para o consumo, por ocasião do repique do IPCA. Mas, o descolamento da receita nominal em relação às vendas reais aumentou.

O desempenho da variação mensal do comércio do Amazonas, desta vez, também foi superior ao da média nacional, que foi puxada pelos segmentos de móveis, eletrodomésticos, informática, combustíveis e supermercados. O mesmo não pode ser dito das variações mensais (+12,2%) e acumuladas (+15,1% e +13,9%), que apresentaram taxas de expansão mais fortes para o restante do país. Embora este tenha sido o terceiro resultado positivo para o varejo brasileiro, a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) revisou para baixo suas projeções para as vendas do ano.

No Amazonas, ao contrário do ocorrido no mês anterior, subsetores dependentes de crédito, como os de veículos, de autopeças e de material de construção tiveram vendas superiores à média do setor. O resultado veio em sintonia com a aproximação das festas de fim de ano, e a despeito da permanência dos juros e das taxas de endividamento das famílias em patamares elevados. É o que indicam os dados da PMC (Pesquisa Mensal do Comércio), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O comércio teve vendas positivas em 17 das 27 unidades federativas brasileiras, na comparação de outubro com setembro. O Estado galgou da 15ª para a sexta posição do ranking. Os melhores números do país vieram do Amapá (+5,1%), Roraima (+2,1%) e Acre (+2%). No extremo oposto, Paraíba (-6,8%), Rio Grande do Norte (-1,3%), Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins (os três com -0,9%, cada) amargaram os piores números. 

Com o incremento de 3,6% em relação a outubro do ano passado, o comércio amazonense escalou do 21º para o 14º lugar do ranking nacional do IBGE. Paraíba (+31,3%) e Tocantins (-3,8%) protagonizaram os extremos de uma lista com cinco resultados negativos. No acumulado dos dez meses iniciais de 2022, o Estado (+2,9%) decresceu da 11ª para a 12ª colocação, em um rol iniciado por Roraima (+12,8%) e encerrado por Pernambuco (-4,5%).

Receita e crédito

Vitaminada novamente pela inflação, a receita nominal foi melhor do que o volume comercializado em todas as comparações. A variação mensal subiu 1,6%, em sentido contrário do resultado de setembro (-0,1%). O confronto com outubro de 2021 (+6,7%), que já incorpora maior variação nos preços, apontou para um resultado quase duas vezes melhor do que o das vendas. Os acumulados do ano (+9,4%) e dos 12 meses (+8,7%) foram ainda mais generosos. O Estado ficou abaixo da média nacional (+0,2%, +12,2%, +15,1% e +13,9%, na ordem) em praticamente todos os cenários.

Em razão do tamanho da amostragem, o IBGE ainda não segmenta o desempenho do comércio no Amazonas. Sabe-se apenas que o varejo ampliado local, que inclui veículos e material de construção, apresentou saldo positivo nas vendas deste mês. A taxa de expansão entre agosto e setembro foi de 2,1%. Em sintonia com um ambiente de juros mais altos, no entanto, a comparação com outubro de 2021 apresentou crescimento de apenas 1,1%. O desempenho acumulado nos dez meses iniciais do ano (+0,5%) foi ainda pior, contribuindo para que o horizonte de 12 meses se mantenha negativo (-0,6%).

Em todo o Brasil, o comércio avançou em cinco das oito atividades investigadas pelo IBGE, entre setembro e outubro, embora tenha pontuado negativamente no varejo ampliado. Os crescimentos vieram dos subsetores de móveis e eletrodomésticos (+2,5%), equipamentos e material para escritório informática e comunicação (+2%), artigos de uso pessoal e doméstico (+2%), combustíveis e lubrificantes (+0,4%), e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+0,2%). Em contraste, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,4%), tecidos, vestuário e calçados (-3,4%), e livros, jornais, revistas e papelaria (-3,8%) recuaram.

“Boas perspectivas”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, enfatizou à reportagem do Jornal do Commercio que a elevação de vendas do comércio do Amazonas em outubro foi a terceira consecutiva, e que a atividade conseguiu avançar em seis dos dez meses do acumulado do ano. O pesquisador ressalvou que os números da sondagem ainda sinalizam incertezas para os dois meses que restam do ano

“O crescimento em relação ao mesmo mês de 2021 foi bem positivo, o que alivia a forte tendência de queda no ano. E o varejo ampliado teve alta superior ao do chamado comércio normal, em relação ao mês anterior. A média móvel trimestral ainda está negativa, por conta do baixo crescimento. Mas, há boas perspectivas para os próximos meses. Isso, levando em conta que o consumo irá aumentar por conta da melhora na taxa de desocupação, do desempenho da indústria e dos serviços”, destacou.

Eleições e auxílios

O presidente da FCDL-AM (Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, confirmou à reportagem do Jornal do Commercio que os números do IBGE vieram ao encontro do que era esperado pela entidade. O dirigente avaliou que o principal fator que contribuiu para a alta foi “o dinheiro que circulou com a política”, no mês da campanha para o segundo turno das eleições. Mas, indagado sobre as expectativas para o fim do ano, o comerciante se mostrou cético: “Acreditamos em estabilidade”, resumiu. 

Já o presidente da assembleia geral da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, se mostrou mais otimista. “Eu diria que o crescimento se deveu ao saldo positivo dos postos de trabalho formais e à ampliação dos recursos repassados à população economicamente vulnerável, através das bolsas auxílio. Já o comércio varejista ampliado reflete o aumento do poder de compras daqueles que conseguiram estabilizar seus empregos. Ampliando a procura por bens duráveis, e materiais para reformar suas moradias. Creio que dezembro, por ser o melhor mês do calendário do comércio, deve seguir em alta para o pequeno varejo”, concluiu.

Boxe ou coordenada (só se tiver espaço): CNC revisa crescimento do setor para baixo

Mesmo diante da terceira alta mensal seguida para o varejo brasileiro, a CNC revisou para baixo a expectativa de alta das vendas no varejo em 2022, de 1,3% para 1,1%. “O cenário segue positivo para o varejo, mesmo que, em curto prazo, ainda não seja possível vislumbrar estabilidade na tendência de encarecimento do crédito”, apontou o presidente da entidade, José Roberto Tadros, em comunicado à imprensa. O dirigente acrescentou que a desaceleração do mercado de trabalho e o repique da inflação também contribuíram para esfriar as expectativas.

Reportagem: Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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