Construção civil mantém alto custo

Em: 12 de dezembro de 2022

O custo da construção civil do Amazonas se manteve em alta, na passagem de outubro para novembro. O preço do metro quadrado saltou de R$ 1.650,43 para R$ 1.660,85, o equivalente a uma elevação de 0,63%. O índice de reajuste estadual veio praticamente igual ao do mês anterior (+0,64%), mas correspondeu a mais de quatro vezes o dado nacional (+0,15%), além de deixar o IPCA (+0,41%) novamente para trás. Os dados são da pesquisa mensal do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), do IBGE.

O aumento, desta vez, se concentrou unicamente no custo dos materiais, que pontuou 2,09% de acréscimo, no maior índice de reajuste do ano, e em resultado praticamente oposto à estagnação (+0,01%) ocorrida no levantamento precedente. Com isso, os dispêndios médios das construtoras amazonenses para esse fim aumentaram de R$ 1.010,34 para R$ 1.031,43. Em contraste, o custo da mão de obra (R$ 629,42) recuou 1,67% diante do valor contabilizado em setembro (R$ 640,09). Foi um desempenho bem mais palatável para as construtoras, em face da escalada anterior (+1,69%). 

As taxas do Sinapi superaram novamente a inflação oficial, conforme o mesmo IBGE. Pressionado pelos reajustes dos combustíveis e da alimentação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo subiu 0,41%, em alta mais amena do que a de outubro (+0,59%), e em sentido oposto aos três meses anteriores de deflação. O IPCA do acumulado no ano (+5,13%) voltou a perder para as variações estadual (+13,94%) e nacional (+10,81%) do custo da construção civil. Em 12 meses, as correções dos dispêndios da atividade (+15,19% e +11,38%, na ordem) também superaram a inflação oficial (+5,90%).

Com o índice de reajuste do custo do metro quadrado acima do apresentado pela média brasileira (+0,15%), o Amazonas (+0,64%) subiu do sexto para o quarto lugar do ranking nacional. Só ficou atrás de Distrito Federal (+1,97%), Pará (+0,69%) e Roraima (+0,65%). Na outra ponta, Alagoas (-0,23%), Piauí (-0,22%) e Bahia (-0,20%) ficaram no rodapé de uma lista com sete deflações e uma estabilidade. No acumulado do ano, o Estado (+13,94%) passou da quinta para a quarta colocação, em um rol liderado pelo Mato Grosso (+20,56%) e encerrada pela Bahia (+7,70%). Em 12 meses (+15,19%), já está na quinta colocação, com Mato Grosso (+21,02%) e Bahia (+8,44%) protagonizando os extremos.

Abaixo da média

O custo por metro quadrado no Amazonas (R$ 1.660,85) ainda está abaixo do valor da média nacional (R$ 1.677,96) –embora venha reduzindo essa diferença nos últimos meses. O Estado ocupa a 15ª posição, entre os maiores valores do país –e a quinta na região Norte. Os maiores valores estão em Santa Catarina (R$ 1.896,05), Rio de Janeiro (R$ 1.838,57) e Acre (R$ 1.803,24). No outro extremo, os dispêndios médios mais baixos se situaram novamente em Sergipe (R$ 1.472,26), Alagoas (R$ 1.506,59) e Piauí (R$ 1.508,12).

O preço médio dos insumos para a construção no Amazonas (R$ 1.031,43) levou o Estado a galgar da 13ª para a 11ª posição do ranking, superando mais uma vez a média nacional (R$ 1.000,47). Acre (R$ 1.181,35), Mato Grosso (R$ 1.112,89) e Tocantins (R$ 1.093,40) seguiram no topo, enquanto Alagoas (R$ 926,58), Sergipe (R$ 935,58), e Espírito Santo (R$ 947,43) confirmaram as últimas colocações. Com o recuo no custo da mão de obra (R$ 629,42), o Amazonas desceu do nono para o 13º lugar, em uma lista com o valor mais elevado em Santa Catarina (R$ 863,48), e com o preço mais em conta em Sergipe (R$ 536,68). A média brasileira ficou em R$ 677,49.

“Tendência de alta”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressaltou à reportagem do Jornal do Commercio, que o custo da construção civil do Amazonas foi reajustado em todos os meses de 2022, sem exceção. “Embora nos últimos meses os índices de aumento de preços tenham sido menores, mesmo assim os preços continuaram subindo. A julgar pela média móvel trimestral, a tendência é que os valores continuem em alta no próximo mês, quando IBGE irá divulgar os resultados de dezembro”, avisou.

Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o gerente da Sinapi, Augusto Oliveira, observou que as variações do indicador na média nacional já se encontram em um patamar mais próximo ao do período pré-pandemia, em função das desacelerações dos meses mais recentes. “Os custos estão chegando a uma normalidade, sem a influência de um período de pandemia, com as variações dos preços mais comportados, acompanhando os movimentos do mercado da construção civil”, assinalou.

“Fator seca”

O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Amazonas), Frank Souza, que havia estimado que o Sinapi entraria em equilíbrio também no Amazonas, reiterou que o mercado já “não tem mais clima” para aumentos de preços de insumos. No entendimento do dirigente, outros fatores devem ser levados em conta para explicar a alta, como o fim do bônus deflacionário dos combustíveis, os bloqueios em rodovias federais surgidos após o segundo turno das eleições e, principalmente, o aumento do custo dos fretes em virtude da vazante atípica de 2022.

“Tem um agravante que vem ocorrendo há meses, e que é pior do que embarreiramento de estradas, ou greve de caminhoneiros. A questão é o fator seca dos rios. O transporte de cada contêiner que traz materiais a Manaus está custando R$ 9.500 a mais. Muitas vezes, esse valor chega a ser uma vez e meia ou duas vezes o preço do insumo transportado, dependendo do caso. Se for uma cerâmica barata, esse metro quadrado pode dobrar com o preço do produto, enquanto esse acréscimo costuma não passar de 30% a 40%, em condições normais”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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