‘Cápsula da Ciência’ é destruída por temporal e evento é cancelado

Em: 20 de dezembro de 2022

A ‘Cápsula da Ciência’, um evento científico que marcaria presença entre os dias 19, segunda-feira; e 21, quarta, na praça Heliodoro Balbi (a popular praça da Polícia) teve um fim inesperado no início da tarde de domingo (18), quando um forte temporal, que se abateu sobre aquela região, derrubou uma árvore sobre o Domo Geodésico, no interior do qual o evento aconteceria.

A ‘Cápsula’ é um Domo Geodésico, de 95 metros quadrados de área e onze metros de diâmetro, equipado com cinco projetores de vídeo que, de forma combinada, geram imagens em 360°. Desde o dia 10 de outubro o Domo vinha percorrendo o Brasil, já tendo passado por seis cidades (Gaspar/SC, Campinas/SP, Guarapari/ES, Lagarto/SE, Quixeramobim/CE, Brasília/DF), e Manaus seria a última escala da trajetória.

“Infelizmente a programação do projeto de divulgação científica, que seria aberta nesta segunda-feira (19), teve que ser cancelada devido aos danos irreparáveis causados pela queda de uma árvore, durante um temporal, sobre as estruturas que estavam sendo montadas na praça Heliodoro Balbi. Felizmente não houve registros de feridos”, falou Luciana Noronha, responsável pela organização da Cápsula.

O projeto foi idealizado para proporcionar uma experiência gratuita e imersiva do universo da ciência de ponta que se faz no CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), uma organização social sediada em Campinas e supervisionada pelo MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações).

Curiosamente o início do evento já tinha sido transferido do dia 14 para o dia 19 devido a problemas de logística no transporte do Domo até Manaus.

O acelerador Sirius

O projeto ‘Cápsula da Ciência’ foi idealizado pela equipe de Comunicação do CNPEM e é financiado pelo MCTI. A iniciativa busca ampliar o alcance da divulgação científica, oferecendo suporte a professores do interior do país que se esforçam para despertar e manter o interesse dos estudantes pela ciência, com muita criatividade.

Os manauaras que visitassem o Domo teriam a oportunidade de conhecer as pesquisas desenvolvidas nos vários laboratórios que integram o CNPEM e ter uma visão bem diferente de experimentos que usam alguns dos recursos mais sofisticados da ciência atual, como o Sirius, um instrumento científico de última geração, que usa aceleradores de partículas para investigar os mais diversos materiais, na escala dos átomos e moléculas.

Localizado em Campinas, o Sirius foi batizado com o nome da estrela mais brilhante do céu noturno. Trata-se de um acelerador de partículas de 68 mil metros quadrados inaugurado em 2018 sendo a maior e mais complexa infraestrutura de pesquisa já construída no Brasil. Orçado em R$ 1,8 bilhão, o acelerador promete viabilizar estudos nacionais de qualidade sem precedentes no mundo. O Sirius é considerado um equipamento de quarta geração, que compete com um instrumento parecido na Suécia, inaugurado em 2016, e com o upgrade do ESRF (European Synchrotron Radiation Facility), na França.

A projeção de seis minutos de duração, que aconteceria no interior do Domo, abordaria, em linguagem acessível, não só as atividades do Sirius, mas outras questões relacionadas aos desafios da ciência como a emergência climática, produção de alimentos, geração mais eficiente de energia e fabricação de insumos e produtos industriais a partir de fontes sustentáveis, novos medicamentos para doenças negligenciadas e proteção contra vírus de potencial pandêmico.

Única escola

As sete cidades foram selecionadas a partir do desempenho de professores que participaram da última edição da Espem (Escola Sirius para Professores do Ensino Médio). De Manaus, a escola estadual que participou desta edição foi a Maria Amélia do Espírito Santo, no Dom Pedro I, e a diretora Elisângela da Silva estava satisfeita com a vinda do Domo a Manaus.

“Para vocês, que podem estar acostumados, talvez seja um simples projeto, mas pra cá, pra região Norte, para a Amazônia, vai ser um divisor de águas. Vai ser fantástico”, falou a diretora, antes do acidente de domingo.

A Espem recebe anualmente professores de Física, Química e Biologia das redes públicas e privadas de todo o país, que buscam levar ideias da ciência moderna para as salas de aula onde atuam, inspirando os jovens. Na Escola, os professores voltam a ser alunos, fazem imersões com os pesquisadores do CNPEM e contam com aulas teóricas e práticas sobre temas atuais de pesquisas. O programa oferece uma introdução aos aceleradores de partículas, discutindo questões como a produção de luz síncrotron, interação entre a luz e a matéria e suas aplicações nas diferentes áreas da ciência.

Quem quiser conhecer o trabalho do CNPEM pode acessar:

Site: https://pages.cnpem.br/capsuladaciencia

Redes Sociais: Instagram – Twitter – Facebook

YouTube: https://www.youtube.com/user/CNPEM

“A organização do projeto agradece a compreensão dos moradores de Manaus e pede desculpas pelo inconveniente”, finalizou Luciana.

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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