O Natal da ceia alternativa

Em: 24 de dezembro de 2022

     Miracelia Lopes Barbosa, funcionária pública (50) pretende passar o Natal junto com o marido, filhos, enteados e a irmã que virá de Itacoatiara para celebrar a data natalina. Segundo ela, o brasileiro faz o que pode para sobreviver, como por exemplo, neste Natal, trocar o Chester, que hoje custa até R$ 75 por um frango de R$ 40, por causa da inflação. O exemplo dado pela consumidora é a realidade deste ano e a ceia de Natal alternativa é uma tendência para o Natal e Réveillon.

O cenário de inflação que vivemos alterou bastante os itens natalinos e, combinados com o alto desemprego, temos a crise financeira persistente, depois de uma pandemia dilacerante. “Hoje, graças a Deus, tenho condições de comprar um Chester, mas na época que não podia, fazia apenas um frango assado, um arroz simples e uma farofinha, com rabanadas, e, passávamos alegres nosso Natal”, lembrou Miracelia. Nossa reportagem a encontrou no supermercado Baratão da Carne, em busca de alguns itens da ceia natalina e ela estava impressionada com os altos preços dos produtos.

   Gilmara Nogueira de Castro (49), repositora do supermercado Veneza conta que este ano decidiu passar o Natal junto com os pais, que moram no bairro Tarumã (Zona Oeste). Ela disse estar pesquisando os preços dos produtos natalinos para levar e somar na ceia. “Eu faço isso todos os anos, mas este ano está difícil. Até agora estou pesquisando os valores, porque os produtos encareceram muito. Mas, como não é todo ano que passo o Natal com meus pais, vou fazer um esforço, pois, depois da pandemia, quero ficar com eles”, explicou.

   Rita Ribeiro, cliente do supermercado Veneza (69), conta que os preços dos itens natalinos aumentam, mas o ‘salário continua o mesmo’. “O jeito é  comprar bem pouco este ano”, disse.

   Gilsênia Passos, supervisora da Distribuidora 4 Mares em Manaus, disse que as dificuldades dentro e fora de casa aumentaram. “Só o gás, hoje eu pago R $110 a botija”, lembra. 

Hábitos alimentares

Sobre os hábitos alimentares, Gilsênia conta que o amazonense não tem o hábito de comer verduras. “Eles comem mais é o básico mesmo, feijão, arroz, macarrão, farinha, e carnes, sejam vermelhas ou brancas, então, é complicado, às vezes trocar esses itens por alternativas mais baratas por causa da carestia”, lembrou.

 No entanto, a supervisora acredita na substituição do bacalhau pelo pirarucu. Para ela, outras trocas ainda serão comuns, como a lasanha pelo Chester, uma farofinha e o frango assado pelo Peru. Em suas próprias compras, ela pretende gastar em torno de R $200 com itens para a sua ceia, contando ainda com o tradicional vinho doce de mesa.

Alternativas

 A exemplo dela, outros brasileiros estão à procura de novas alternativas para comemorar o Natal deste ano, sem pressionar tanto o bolso. O índice geral de inflação até apresentou uma esperança no segundo semestre de 2022, mas, na prática, a comida ainda apresenta alta de dois dígitos. No grupo Alimentação e Bebidas avançou 11,84% no acumulado de 12 meses até novembro, segundo índices do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O significado disso é que está tudo caro.

Luciana Silva, administradora, (38), fala que é tradição passar o Natal junto com o marido e a filha em casa. “Este ano, estamos todos mais calorosos e esperançosos e por isso, decidi comprar os itens da ceia e da festa de Natal”, conta. “Ainda não sei quanto vou gastar, mas, este ano, depois de andar um pouco pelos supermercados, já deu pra entender que os itens da ceia estão bem mais caros, e, sendo assim, vou ver o que dá para comprar”, finalizou.

Alta no valor da ceia

Em média, o preço de uma cesta de produtos típicos da ceia natalina teve alta de 9,8% em todo o país, segundo pesquisa da Abras (Associação Brasileira de Supermercados). Assim, o valor foi calculado em R $294,75 no início do mês, R$ 26,30 a mais do que em igual período de 2021 (R $268,45).

A cesta analisada é composta por dez produtos: aves natalinas, azeite, caixa de bombom, espumante, lombo, panetone, pernil, peru, sidra e tender.

Mesmo com os preços mais altos, 66% dos supermercados projetam consumo superior ao Natal de 2021, segundo a Associação. Outros 27% esperam o mesmo patamar do ano passado, enquanto 7% estimam um nível inferior de negócios.

Já o Natal de 2022 deve movimentar R $65,01 bilhões em vendas no varejo brasileiro, conforme a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços e Turismo).

Se a expectativa for confirmada, o setor terá um aumento real (descontada a inflação) de 1,2%, o primeiro após dois anos de perdas.

Segundo informações da entidade, o ramo de hipermercados e supermercados deve ser o destaque em termos de movimentação financeira no Natal, respondendo por 38,6% do volume total, ou seja, R $25,12 bilhões.

Por Lia Mônica 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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