Tecnologia de geoprocessamento permite gestão racional da exploração de florestas

Em: 1 de julho de 2009
Pesquisadores da Embrapa na região Norte finalizaram na última semana a primeira etapa de treinamento em uma tecnologia inovadora para manejo de florestas nativas
Pesquisadores da Embrapa na região Norte finalizaram na última semana a primeira etapa de treinamento em uma tecnologia inovadora para manejo de florestas nativas

Pesquisadores da Embrapa na região Norte finalizaram na última semana a primeira etapa de treinamento em uma tecnologia inovadora para manejo de florestas nativas. O Modelo Digital de Exploração Florestal é um processo que utiliza imagens de satélite, equipamentos de GPS e softwares de geoprocessamento para a realização de inventários florestais e o monitoramento preciso das atividades de manejo das florestas. A tecnologia permite um melhor aproveitamento econômico da área e reduz os impactos ao meio ambiente.
O manejo de florestas nativas é o processo de extração de árvores com potencial madeireiro de acordo com a legislação e com um plano de trabalho aprovado e fiscalizado pelos órgãos ambientais. O objetivo é manter a floresta produtiva, com baixo comprometimento das áreas não exploradas, de modo que a atividade tenha sustentabilidade.
As técnicas convencionais de manejo, no entanto, podem causar danos consideráveis ao meio ambiente e gerar custos desnecessários. De acordo com um recente estudo da Embrapa, que é vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, observa-se nos planos de manejo atuais a abertura inadequada de estradas na floresta, a criação de clareiras superdimensionadas para estocar a madeira, dificuldade em localizar árvores a serem cortadas e até mesmo a perda de madeira no meio da floresta.
Com uso dos sistemas de navegação global por satélite é possível localizar com precisão as espécies com maior potencial madeireiro e planejar a abertura de picadas, pátios e trilhas de arraste das toras de modo a maximizar o rendimento e reduzir o impacto ambiental, explicou o engenheiro florestal da Embrapa/AC, Daniel Papa.

Sensoriamento remoto

O primeiro passo para o manejo florestal é a realização do inventário, que começa no mapeamento do relevo e dos cursos d’água da área a ser explorada. Para isso são utilizadas imagens de radar geradas durante a Missão Topográfica Radar Shuttle da Nasa, realizada no ano 2000. A tecnologia permite o mapeamento preciso das irregularidades do terreno e a localização de rios e córregos.
Depois de mapeada a área, uma equipe de campo verifica a localização dos rios e registra com GPS a altitude das principais ondulações do terreno. O passo seguinte é identificar na floresta as espécies madeireiras e registrar, além da localização geográfica de cada árvore, a espécie, o diâmetro, a altura e a qualidade do tronco.
Os dados colhidos em campo são posteriormente exportados para um banco de dados e manipulados em software de geoprocessamento. Com isso, é possível ter o mapa completo de todas as árvores e gerar estatísticas em função do volume de madeira e do relevo. São dados como estes que ajudam a determinar os melhores pontos para a abertura dos acesso à equipe de corte e transporte no meio da floresta.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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