Dezembro marca primeiro dado negativo nos empregos formais em 12 meses

Em: 1 de fevereiro de 2023

O mercado de trabalho do Amazonas trocou de sinal em dezembro, ao eliminar 5.409 postos de trabalho com carteira assinada. Os desligamentos (-18.661) bateram as admissões (+13.252) e geraram um decréscimo de 1,11% sobre o estoque anterior. O Estado acompanhou as demais unidades federativas, ao registrar o seu primeiro dado negativo em 12 meses, sendo que o volume de cortes foi superior ao registrado no mesmo período de 2021 (-3.148). Praticamente todos os setores econômicos fecharam no vermelho, com as demissões sendo puxadas pelos serviços e por Manaus (-1,09% e -4.834).

Apesar da destruição de empregos na reta final do ano, o Amazonas conseguiu fechar 2022 com mais admissões do que desligamentos, ao criar 35.269 postos de trabalho formais e pontuar alta de 7,93% em relação ao exercício anterior. Foi um desempenho proporcional novamente superior ao alcançado pelas médias nacional (+5,01%) e da região Norte (+6,17%). Com isso, o estoque, que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos, chegou a 476.221 ocupações no Estado. É o que revelam, em síntese, os números do ‘Novo Caged’, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nesta terça (31).

Em paralelo, o Brasil cortou 431.011 empregos celetistas, no mês passado, ao registrar mais desligamentos (1.813.934) do que admissões (1.382.923), o que contribuiu para um recuo mensal de 1%. O número também foi consideravelmente pior do que o obtido em igual mês de 2021 (-265.811). Em 12 meses, entretanto, foram criados 2.011.366 (+4,94%) postos de trabalho em todo o país, situando o estoque brasileiro em 42.689.721 vínculos empregatícios. Todas as cinco regiões brasileiras e seus respectivos setores econômicos amargaram desempenhos mensais negativos.  

Vale lembrar que a oferta de empregos formais ainda está distante da demanda dos trabalhadores, tanto em âmbito estadual, quanto nacional. Os números mais recentes do IBGE mostram que, embora tenha diminuído, a quantidade de amazonenses na fila do desemprego chegou a 183 mil, no terceiro trimestre. A mesma base de dados informa que pouco mais da metade da população “apta ao trabalho” (14 anos ou mais, conforme o órgão de pesquisa) tinha ocupação remunerada, sendo que 57,1% dessas vagas não contavam com carteira assinada. O desempenho do quarto trimestre só será divulgado pelo órgão de pesquisa no final deste mês.

Serviços e indústria

Assim como ocorrido em âmbito nacional, os cinco agrupamentos econômicos do Amazonas fecharam dezembro no campo positivo, embora algumas de suas atividades tenham conseguido criar vagas. Líder do ranking na maior parte do ano, os serviços apresentaram o pior desempenho, ao extinguir 3.124 postos de trabalho celetistas, o que representou uma queda de 1,41% sobre o estoque anterior. O destaque negativo veio do grupo que reúne atividades administrativas e serviços complementares (-2.057). De janeiro a dezembro, no entanto, o saldo do setor avançou 10,42% (+20.604), mantendo a primazia da oferta de oportunidades no mercado de trabalho estadual.

A indústria quebrou uma sequência de sete meses no azul, para registrar a segunda pior performance da lista. O setor eliminou 1.259 vagas celetistas e retrocedeu 1,04% ante o estoque anterior. As demissões foram puxadas pela indústria de transformação (-1.278), especialmente nas linhas de produção de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-652). Foi acompanhada pelos segmentos de água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação (-12), e de eletricidade e gás (-13), mas não pela indústria extrativa (+44). O saldo do setor no acumulado foi de 4.888 empregos (+4,25%).

A construção emendou seu segundo mês consecutivo de cortes e amargou a maior queda proporcional (-3,03%) entre os setores econômicos do Estado, ao extinguir 761 postos de trabalho. As demissões foram a regra em obras de infraestrutura (-303), serviços especializados para o setor (-286) e construção de edifícios (-172). A mesma oscilação foi sentida na agropecuária (-2,32% e -91), com os desligamentos se concentrando nas lavouras temporárias (-56). De janeiro a dezembro, a construção (+44,80% e +1.113) e agropecuária (-2,02% e -79) ficaram em. campos opostos.

No mês do Natal e do pagamento da segunda parcela do 13º salário, um dos declínios mais amenos veio justamente do grupo que inclui comércio e reparação de veículos, onde os cortes se limitaram a 174 vagas (-0,15%). As demissões foram a regra em todas as atividades, principalmente no varejo (-100), mas também no atacado (-62) e no segmento que reúne “reparação de automóveis e motocicletas” (-12). Em 12 meses, o setor criou 8.743 empregos e apresentou alta de 8,36%, na comparação com o exercício anterior.

Sazonalidade e incertezas

O presidente da Fieam, Antonio Silva, disse à reportagem do Jornal do Commercio que o desempenho negativo dos empregos em dezembro pode ser atribuído essencialmente ao “fator sazonal”, já que o mês costuma ser de baixa, em decorrência dos empregos temporários. “No saldo anual, contudo, o Amazonas superou até mesmo as médias nacional e da região norte. A despeito das adversidades e estruturais do último ano, a economia amazonense se comportou de forma sólida e positiva, fruto de políticas de desenvolvimento bem construídas e sedimentadas”, ponderou.

O presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, salienta que, apesar do fechamento anual positivo, o comércio do Amazonas passou por um quarto trimestre “bastante difícil” e ainda enfrenta vários entraves que se acumularam no final do ano passado, como a escalada da inflação e dos juros, além de se preparar para um aumento de impostos a partir de abril. “Tudo isso é motivo de contenção e estamos também atravessando um período de transição de governo, que ainda não definiu sua política econômica. Nossa expectativa é que a gente supere isso, e comece a projetar crescimento, a partir de março”, frisou.

Já o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, avalia que os números negativos do ‘Novo Caged’ se devem a três fatores. “Um deles é a baixa confiança do empresário, por enquanto. Isso ocorre em virtude de uma indefinição quanto as políticas do novo governo, apesar dos números jogados no mercado. E isso se reflete também sobre o desempenho do Executivo estadual, impactando ainda mais nas obras públicas. Outra dificuldade é o próprio período de chuvas intensas, que reduzem o volume de obras. No fim de ano também há também o fechamento de empreendimentos. Mas, as perspectivas para 2023 ainda são positivas”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar