Na terça-feira (7), foi comemorado o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, uma luta que existe desde a chegada de Cabral ao Brasil, em 1.500. Para lembrar a data, o Muma (Museu da Cidade) abriu a exposição fotográfica ‘Protagonismo indígena’, reunindo 40 imagens produzidas pelos próprios indígenas dentro de suas comunidades, associações e coordenações. São fotos individuais, e coletivas, de trabalho, de reuniões de debates, de organizações ou simples dia a dia com os curumins brincando na beira do rio, e as cunhatãs tocando seus instrumentos musicais.
“O protagonismo é deles e a exposição revela isso ao promover o dia a dia desse universo maravilhoso que é o universo indígena. Temos, por exemplo, fotos dos artífices do Centro de Medicina Indígena, como o Ivan Tukano; e o doutor em antropologia, João Paulo Tukano. Fotos da Copime (Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno); de lideranças como Marcivânia Saterê a jovens indígenas, inclusive trans, até a ministra Sônia Guajajara, e yanomamis, com seus cajus regionais”, informou Leonardo Novelino, gestor do Museu.
Para Leonardo, o nome da exposição surgiu a partir de Manaus ser uma grande nação indígena.
“Somos a única capital que homenageia um povo originário no próprio nome, então, Manaus é uma grande tribo, comprovado pela forte presença indígena em sua população. Apesar de toda a política histórica de genocídio, preconceito, discriminação, os indígenas ainda são maioria através dos caboclos, dos mamelucos e seus descendentes”, afirmou.
Maioria no Amazonas



De acordo com Leonardo, os povos indígenas ainda são ‘invisíveis’, não têm voz, não tem força, não tem representatividade, mas as coisas estão mudando.
“A exposição mostra a beleza física nos traços indígenas, suas diversas atividades. Hoje temos de doutores e professores indígenas destacados nas academias, a artesãos que vendem seus trabalhos manuais feitos com sementes, ou matéria orgânica. Tratamos doenças com antibióticos e anti-inflamatórios, mas não deixamos de usar a andiroba, a copaíba, os chás, a unha de gato, o capim santo, a erva cidreira, e energéticos como o guaraná e o açaí”, falou.
O Amazonas apresenta a maior concentração de população indígena do país, com 168.230 habitantes, 179 terras indígenas, 72 povos, 30 línguas faladas, 15 federações e mais de quatro mil organizações indígenas.
“Essa luta das populações indígenas é coletiva, precisamos que os nossos parentes tenham seus direitos garantidos e não sejam afastados ou excluídos da sociedade. Essa data proporciona visibilidade para combater o preconceito e as diversas formas de violência às quais os indígenas ainda são submetidos na atualidade”, disse Vanderlei Alvino, diretor-presidente em exercício da Fei (Fundação Estadual do Índio).
Apesar da importância da exposição para a data, ela é despretenciosa, com fotos pequenas, tiradas de celular e impressas no formato das fotos antigas, em papel.
“Não há um olhar de um fotógrafo profissional, porque isso não existe nas comunidades. São fotos pequenas, mas que falam muito”, garantiu Leonardo.
Até 19 de abril
‘Protagonismo indígena’ foi organizada e produzida numa parceria da ManausCult (Fundação Municipal de Cultura) com a Semasc (Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania).
“Momentos como este são de reflexão e têm uma finalidade pedagógica e, sobretudo, visam contribuir na preservação da memória ancestral de Manaus e da nossa população indígena. São momentos assim que geram uma nova consciência e uma nova compreensão sobre a cultura, a memória e a identidade dessas populações que foram fundamentais para o processo cultural, e para a constituição da sociedade”, declarou Tenório Telles, presidente do Concultura (Conselho Municipal de Cultura).
A exposição permanece até 19 de abril, Dia do Índio. O Museu da Cidade funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h20, encerrando as atividades às 17h. Grupos de escolas precisam agendar visitas pelo e-mail [email protected], ou na recepção do Museu. Famílias não precisam agendar. É só bater na porta e entrar. A entrada é gratuita. Rua Gabriel Salgado, praça Dom Pedro II, Centro Histórico.

Sepé Tiaraju
O dia 7 de fevereiro, instituído em 2008, foi escolhido como Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas em memória de Sepé Tiaraju, líder indígena que comandou os guarani na Guerra Guaranítica, em 1756, travada contra portugueses e espanhóis, durante a Batalha de Caiboaté, em São Gabriel/RS. Sepé liderou uma revolta contra o Tratado de Madri, que dividia a América do Sul entre portugueses e espanhóis, e levou à expulsão de 50 mil indígenas de suas terras. Foi de Sepé a frase “esta terra tem dono”. O indígena morreu em batalha com os espanhóis e tornou-se símbolo da resistência na luta dos povos originários na defesa de suas terras. O objetivo da data é sensibilizar a população em geral sobre a importância de discutir pautas relacionadas aos povos originários, tais como a luta pelo direito à terra, questões ligadas à saúde e a educação nas aldeias, além do reconhecimento dos saberes tradicionais, étnicos e culturais.







