A pecuária amazonense voltou a oscilar no quarto trimestre e fechou 2022 com resultados divergentes por atividade. A pecuária bovina esboçou recuperação, acompanhando o resto do país, mas o resultado ainda está muito abaixo do patamar pré-pandemia. A pecuária leiteira foi na direção oposta, apesar do aquecimento registrado no final do ano. O pior desempenho, contudo, veio da produção de ovos de galinha, que encolheu e seguiu trajetória oposta à da média nacional. É o que mostram, em síntese, os dados das pesquisas trimestrais que compõem as Estatísticas da Produção Pecuária do IBGE.
A pecuária de corte do Amazonas inclui frangos, suínos e bovinos, e estes últimos respondem pela maior parte da produção. A pecuária bovina somou 35.857 cabeças, sendo que os bois (26.974) representaram 75,23% do total. As vacas (8.572) seguiram entre os abates, que ganharam a introdução de novilhos (196) e novilhas (115). Houve alta de 14,62% em relação ao quarto trimestre de 2021 (31.283), mas também recuo de 12,18% ante os três meses anteriores (40.832). Em termos de pesagem, os abates superaram 8.076 toneladas, com acréscimo de 15,55% e queda de 14,33%, respectivamente.
Os dados mensais mostram, por outro lado, que a produção foi crescente entre outubro (10.968), novembro (11.832) e dezembro (13.057). E o número do último mês de 2022 foi o melhor desde agosto do mesmo ano (14.779), além de avançar 7,28% diante de dezembro de 2021 (12.171). A produção total de 2022 (160.176) superou em 3,29% a de 2021 (155.079), após dois anos seguidos de retração. Ainda assim, esse foi o segundo número mais baixo desde 2009 (111.562). A análise da série histórica do IBGE informa que os abates trimestrais seguiram em tendência de alta no Amazonas até 2017, mas começaram a oscilar nos anos subsequentes – especialmente após a pandemia.
O Estado acompanhou a média nacional, que abateu 29,80 milhões de cabeças, com aumento de 7,5%, após dois anos de retração. O abate de suínos também foi recorde brasileiro, com 56,15 milhões de cabeças abatidas e crescimento anual de 5,9%. O IBGE informa que os abates de suínos totalizaram 1.702 cabeças e 124,17 toneladas nos últimos três meses de 2022, no Amazonas. Mas, a falta de dados locais relativos aos quatro trimestres anteriores – por insuficiência de informantes – não permite concluir qual foi o desempenho da atividade, no período. O mesmo ocorre no caso dos abates de frangos.
Leite e ovos
A produção leiteira do Amazonas teve bons números no quarto trimestre de 2022. A aquisição de leite cru adquirido e industrializado chegou a 2,49 milhões de litros, no melhor desempenho desde o dado dos últimos três meses de 2021 (2,60 milhões), configurando crescimentos de 7,42%, no confronto com o mesmo período do exercício anterior, e de 19,78% ante o acumulado de julho a setembro de 2022. O desempenho anual, no entanto, configurou queda de 5,88%, de 9.176 (2021) para 8.636 (2022) milhões de litros. Foi a segunda retração consecutiva e o pior resultado desde 2017 (7.326). O Estado acompanhou a média nacional, que caiu 5% no ano (23,85 bilhões de litros).
A produção de ovos de galinha foi na direção oposta ao desempenho brasileiro, que marcou novo recorde. As 24 unidades informantes ouvidas na sondagem informam que a oferta não passou de 10.487 mil dúzias, entre outubro e dezembro de 2022, sendo esse o número mais baixo desde o segundo trimestre de 2018 (9.927). No ano, houve queda de 19%, com 46.059 (2022) contra 56.861 (2021) mil dúzias, confirmando o número mais baixo desde 2019 (45.609). Já a quantidade de galinhas poedeiras tombou 13,33% entre o terceiro (1,50 milhão) e o quarto trimestres (1,20 milhão), e despencou 31,82% diante do mesmo período do exercício anterior (1,76 milhão).
Em contraste, o Brasil bateu novo recorde de produção de ovos de galinha, ao somar 4,06 bilhões de dúzias em 2022. O resultado confirmou aumento de 1,2% e a disponibilização de 47,71 milhões de dúzias de ovos a mais. O IBGE destaca que o mercado interno é o maior responsável pelo desempenho já que, diferentemente do que ocorre com os abates, as exportações brasileiras de ovos correspondem a menos de 1% da produção
Demanda e custos
O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, assinalou que os abates no Amazonas estão em trajetória descendente desde o início de 2022 e acrescentou que, embora os últimos trimestres costumem ser mais fracos, a redução foi significativa. “Entre os bovinos a queda foi ainda maior, tanto que o abate de suínos voltou, possivelmente como uma alternativa. O preço alto dos cortes está desestimulando o consumo. Com isso, os frigoríficos reduziram seus abates”, sentenciou.
O pesquisador salienta que a produção de leite atingiu o maior patamar trimestral desde o primeiro trimestre de 2021. “O fato de todo volume ter sido industrializado, significa que o consumo foi aquecido, o que fez o volume alcançar a quarta maior quantidade dos últimos cinco anos. Leite e seus derivados são produtos de curta duração e, quando a indústria aumenta produção, significa alta de vendas para o mercado consumidor”, analisou.
Em relação à produção de ovos, Adjalma Nogueira Jaques ressalta que, embora o número de informantes tenha fechado 2022 no nível mais baixo dos últimos cinco anos, a atividade não esteve imune ao aumento dos passivos. “O número de galinhas poedeiras teve quedas sucessivas durante todos o ano de 2022. No mesmo sentido, a quantidade produzida de ovos teve reduções sequenciadas. As altas sucessivas no preço final de ovos junto ao consumidor inibiram a demanda. Com isso, os produtores foram forçados a reduzir a produção e o custo local pode ter pressionado os preços”, ponderou.
Vaca louca
O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, comemorou o crescimento anual dos abates bovinos. “Isso é positivo, porque aponta um crescimento decorrente da valorização do boi gordo, no ano passado. É diferentemente do que está agora, em função do recente caso atípico de doença da vaca louca, que suspendeu as exportações para o mercado chinês. Já a produção leiteira foi afetada pelas cheias e vazantes atípicas pelo aumento do custo com insumos, como ração”, avaliou.
De acordo com o dirigente, a avicultura amazonense também foi impactada pela subida nos preços de milho e soja, base da ração, que teria contado com reajustes ainda mais salgados no Amazonas, em função da logística para o produto chegar do Centro-Oeste. Muni Lourenço acrescenta ainda que não houve queda de demanda significativa que tenha prejudicado a atividade, que foi mais afetada pela “forte concorrência” com os ovos produzidos em granjas de outras unidades federativas, principalmente do Centro-Oeste.
O presidente da Faea destaca que as perspectivas são distintas por atividade. “A produção bovina está atravessando um momento muito difícil neste começo de ano, com redução de preços, queda no ritmo de abate e de vendas, porque as famílias estão comprando carnes com preços menores. Já a produção de ovos tem perspectiva promissora, com expansão do consumo e possibilidade de aumento de exportações, em razão de os países produtores terem tido focos de gripe aviária, o que não ocorreu no Brasil”, encerrou.







