A Electrolux da Amazônia está apostando no segundo semestre de 2009 para aquecer as vendas de condicionadores de ar que estão apresentando alta. A empresa é uma das seis maiores fabricantes de aparelhos split e de janela do PIM (Polo Industrial de Manaus) que retomou a trajetória de crescimento gradual a partir de maio em faturamento, produção e vendas.
No acumulado dos primeiros cinco meses os indicadores industriais divulgados recentemente pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) apontam que a produção conjugada do split (unidades evaporadoras e unidades condensadoras) cresceu 98,73% no acumulado do ano com 21,8 mil unidades contra 10,9 mil unidades produzidas em todo o ano de 2008. Já a produção em separado das peças do split apresentou crescimento de 47,37%, de janeiro a maio, das unidades evaporadoras com 45,9 mil unidades, contra 31,1 mil no acumulado do ano passado.
No caso das unidades evaporadoras foi registrada queda de 35,62% na produção com 48,3 mil unidades nos cinco meses de 2009, contra 75,1 mil unidades de janeiro a maio do ano passado.
Quanto aos aparelhos de ar-condicionado de janela ou parede (corpo único) apresentaram queda de 50% se comparado o acumulado deste ano 128,2 mil unidades ante aos 256,7 mil fabricados em igual período do ano passado. Comparando a produção de maio em relação a igual mês de 2008 se verifica um acréscimo de 28,81% de produção que saltou de 16,6 mil unidades (2008) para 21,5 mil unidades (2009).
O especialista em controladoria da Electrolux da Amazônia, Arlindo Frazão, disse que a fabricante de condicionadores de ar split (unidades evaporadoras e unidades condensadoras) e de janela (corpo único), além de microondas, contratou recentemente quase 200 trabalhadores, que atualmente somam 750 empregos diretos para atender a demanda de agosto em diante quando a produção de ambos os produtos vai ser incrementada para atender a demanda de fim de ano.
Frazão explicou que a produção de condicionadores de ar é sazonal e que é puxada pela demanda das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que atualmente estão no inverno. O que significa que depois de agosto aumenta a demanda por esse produto, daí o fato da empresa estar se preparando para atender os novos pedidos.
Produção mensal
Atualmente a produção mensal de condicionadores de ar da fabricante é da ordem de 11 mil unidades e está focada no mercado brasileiro. Desse total, 5% atende o mercado local enquanto a maior demanda é vendida para as demais regiões do país. A empresa, que possui unidade fabril em Curitiba (Paraná) e em São Carlos (São Paulo), está sediada na Suécia.
A Electrolux da Amazônia é uma das 500 empresas do Grupo Electrolux, considerada uma das maiores fabricantes mundial de eletrodomésticos, presente em 60 países. No Polo Industrial de Manaus estão implantadas as linhas de condicionadores de ar e microondas, inclusive peças. O parque fabril da empresa está implantado em uma área construída de 4.000 m2, dotada de maquinários de ponta. Toda a tecnologia utilizada é da multinacional sueca. A produção é destinada ao mercado brasileiro e conta com a Certificação ISO 9002.
Split tem preço equiparado ao de janela
Ao falar sobre o mercado do split, Frazão disse que existe uma demanda crescente pelo produto que está com o preço praticamente equiparado ao de janela. O encarecimento do novo modelo é observado na instalação que fica mais cara porque exige voltagem de 220 volks, o que requer uma instalação apropriada. “Enquanto o convencional é ligado numa tomada de 110 volks, utilizada em qualquer residência”, informou.
Em linhas gerais, Arlindo Frazão disse que o segmento de ar-condicionado melhorou significativamente a partir da aprovação da Portaria Interministerial nº 97, que modifica o PPB (Processo Produtivo Básico) para condicionador de ar com mais de um corpo, tipo split system, e unidades evaporadora e condensadora destinadas ao produto industrializado na ZFM (Zona Franca de Manaus). A medida entrou em vigor em maio.
Novo PPB
O especialista explicou que a nova portaria determina que para cada conjunto produzido –unidade evaporadora (parte interna do split) e unidade condensadora (parte externa)– tem que ser fabricado um ar-condicionado de janela. Anteriormente, para cada conjunto tinha que ter dois de janela. “O que é dificuldade para os fabricantes investir no split”, disse Frazão, ressaltando ainda que no atual PPB os projetos podem ser feitos individualmente, sem a obrigatoriedade de formar o conjunto.
Dados da área técnica do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) apontam que “a alteração desse PPB tem o objetivo de adequá-lo à Portaria Interministerial nº 101, de 23 de abril de 2008, que atende melhor ao cenário econômico do segmento, uma vez que contribui a preservação de investimentos das empresas fabricantes e manutenção do nível de empregos da cadeia produtiva”.
Vale destacar que o PPB, criado pela lei nº 8.387/01, consiste em etapas fabris mínimas que as empresas devem cumprir para se fabricar um produto, como contrapartida aos benefícios fiscais estabelecidas por lei (Zona Franca de Manaus e Lei de Informática).
Alíquota elevada
As perspectivas das fabricantes para os próximos meses são de incremento decorrente também da elevação da alíquota de 20% do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a importação de condicionadores de ar split, que entrou em vigor no início deste mês. A expectativa dos empresas do setor é que a parcela importada seja substituída por produtos feitos na ZFM. Como os condicionadores tinham alíquota zero de IPI dificultava a industrialização do bem final no PIM.
Dirigentes do PIM dizem que a medida incentiva a produção local e garante os empregos dos trabalhadores. “A medida possibilitará o crescimento no volume de produtos fabricados no polo, além de garantir os postos de trabalho nas fabricantes desse produto”, disse o diretor-executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra.
Na opinião de Arlindo Frazão, a medida favorece as fabricantes do setor porque obriga o comércio a comprar localmente. “Por conseguinte, a industrialização do PIM aumenta em função da demanda”, assegurou.







