E-commerce bilionário no Amazonas

Em: 18 de maio de 2023

Em números expressivos, o e-commerce no Amazonas ganhou força nos últimos seis anos vendendo R$ 1,8 bilhão por meio digitais. O recorte é do Observatório do Comércio Eletrônico, plataforma do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) lançado na última quinta-feira (11).

No mesmo período, os amazonenses fizeram compras online de outros estados no valor de R$ 2,65 bilhões — com predominância de aparelhos de celular, desktops e similares e cosméticos como desodorantes, águas de colônia e maquiagem.

O especialista em comércio eletrônico, André Botelho, já havia analisado números de diferentes pesquisas e destacava um crescimento ascendente  desde 2017. Esse movimento ganhou ainda mais relevância durante a pandemia. “Pela primeira vez temos dados mais apurados e consolidados do nosso estado. Não há dúvidas de que a pandemia promoveu esse crescimento tão expressivo de compras online. As empresas se viram obrigadas a virar a chave para este canal”, citou. 

Ele destacou ainda que mais importante que isso, é a presença de dados confiáveis para que tanto o governo, quanto as empresas privadas acreditem no potencial deste canal e façam investimentos relevantes para o crescimento em nossa região. “Portanto, para os lojistas, investimentos nessas áreas, certamente contribuirão para o crescimento dos resultados em 2023”, estimou. 

O grupo Bemol, está entre as varejistas com forte investimento dentro do segmento eletrônico. Não à toa, os dados revelam que 81% das vendas foram para fora do estado. Destas, os destaques são para aparelhos de televisão, fornos de microondas, máquinas de lavar louça e aparelhos de ar condicionado.

Como explicou o responsável pela tecnologia, e-commerce, marketplace e negócios de telecom na Bemol, França Bandeira. “Antes da pandemia, o e-commerce na Bemol representava cerca de 3% das vendas totais do grupo. Durante o fechamento das lojas, alcançamos a marca de 65% em vendas online. Com a reabertura das lojas, os clientes retornaram às compras presenciais, e as vendas online caíram para 25%, e estabilizaram em 14% das vendas totais. Ou seja, na prática subimos de 3% para 14%, tendo conquistado uma margem de contribuição de 11%. Somando-se a isso, nossa venda por e-commerce no interior cresceu, e hoje representa 23% dentro desse mercado total na companhia”, detalhou.

Naquele período da pandemia,  o grupo precisou se reinventar, por exemplo, as operações de entrega do centro de distribuição da Bemol aumentaram 500%, segundo ele, foi necessário mudar a logística de entrega e passar a usar motos, e carros de aplicativos, ao mesmo tempo em que outras oportunidades surgiam, como a venda de alimentos em forma de cestas básicas, produto que permanece até hoje  como estratégia “e abriu as portas para um novo negócio na empresa, o mercado. Atualmente temos 4 mercados físicos em funcionamento, além do mercado pelo comércio eletrônico. Fortalecemos a estratégia de negócios digitais para manter a oferta de serviços aos nossos clientes e mantê-los em nosso ecossistema. Hoje temos o negócio de varejo (eletroeletrônico, móveis e eletrodomésticos), uma rede de farmácias, mercado, conta digital, empréstimo pessoal e internet para clientes”, detalhou. 

Além da marca da varejista na venda de móveis,  eletrodomésticos, atualmente o grupo atua também com produtos de materiais de construção, pneus, eletrônicos, entre outros nessa modalidade. Atuamos nos estados: Amazonas, Rondônia, Acre e Roraima as vendas para o Amazonas representam cerca de 80% o restante divididas nos outros estados”, frisou, França Bandeira. 

Segundo o Midic, estudo inédito faz parte de uma ferramenta que acaba de ser lançada, o Dashboard do Comércio Eletrônico Nacional, que reúne informações sobre vendas online realizadas no Brasil com emissão de nota fiscal. O Dashboard é a primeira ferramenta pública a agregar números oficiais do comércio eletrônico no país. Até então, boa parte das informações vinha de bases privadas.

E-commerce bilionário no Amazonas - B1b 6

“A compilação e publicação das estatísticas está alinhada aos esforços do governo para impulsionar e dar transparência à economia digital”, afirma Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC. “O dashboard vai subsidiar o desenvolvimento de políticas públicas para o setor, inclusive para equalizar eventuais concentrações regionais, podendo, ainda, balizar decisões de investimentos das empresas”, completa.

Âmbito nacional  

Os dados do Dashboard referem-se às movimentações realizadas entre 2016 e 2022. Neste intervalo de sete anos, o valor total bruto movimentado no país foi de R$ 628 bilhões.

As vendas online tiveram crescimento exponencial com a pandemia de Covid 19 — e a plataforma mostra o tamanho deste salto no caso brasileiro: as vendas eletrônicas foram de R$ 36 bilhões em 2016 para R$ 187 bilhões em 2022.

No panorama nacional, o líder absoluto de compras pela internet entre 2016 e 2022, em termos de movimentação financeira, foi o celular. No período, a venda de terminais portáteis de telefonia, incluindo smartphones, movimentou R$ 72,1 bilhões, ou 11,5% do total.

Na sequência, aparecem televisores, com faturamento de R$ 28 bilhões (4,5%), e notebooks, tablets e similares, com R$ 21 bilhões em vendas. Depois vêm geladeiras ou freezers, R$ 17,8 bilhões (2,8%); livros, brochuras e impressos semelhantes, com R$ 16,8 bilhões (2,6%); e máquinas de lavar roupas, com R$ 10,8 bilhões (1,7%).

A lista completa abrange milhares de produtos — de calçados a filtros d’água, de roupas a sapatos, de alimentos a móveis de madeira, além de cosméticos, medicamentos, bijuterias, acessórios gerais, eletroeletrônicos, pneus, automóveis e até barcos.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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