O que significa Cooperativismo? Trata-se de um sistema socioeconômico pautado na união voluntária de pessoas, que, por meio das cooperativas, buscam soluções econômicas e sociais para alcançarem objetivos comuns.
Segundo dados da OCB (Organização Cooperativista do Brasil), ser cooperativista é se comprometer com o futuro do cooperador do movimento e das comunidades. As cooperativas promovem a educação e a formação para que seus membros e trabalhadores possam contribuir para o desenvolvimento dos negócios, e, consequentemente, dos lugares que estão presentes. Além disso, oferece informações ao público em geral, especialmente jovens, sobre a natureza e vantagens do cooperativismo.
Para entender melhor como esse sistema funciona, a reportagem do Jornal do Commercio de Manaus esteve, recentemente, nas dependências da OCB-AM para uma entrevista exclusiva com o presidente José Merched Chaar, que também é presidente da FECOOP/NORTE, que falou sobre os ramos das cooperativas, a produção de grãos no Brasil, sobre a preservação do meio ambiente, e ainda, os investimentos e terras indígenas.
- Jornal do Commercio: Presidente Merched Chaar quais são hoje os 7 ramos de atividade do Cooperativismo?
Merched Chaar – Hoje, a OCB-AM trabalha com 7 ramos de atividades no Cooperativismo, ou seja, 1- Agropecuário 2- Crédito 3- Transporte 4- Trabalho, Produção de Bens, 5-Saúde 6- Consumo e 7- Infraestrutura. Antes, eram 13, mas hoje são 7, onde desenvolvem negócios neste ramo. E todos esses braços, são a favor da preservação do Meio Ambiente.
Relevante dizer que: embora o cooperativismo seja tratado ou conhecido como destruidor do Agronegócio, nada disso procede. Faz-se necessário dizer que na década de 60/70 o país não tinha como produzir para alimentar o povo, digo a população Brasileira, e, a partir disso, foi realizada nessa época, importação de commodities, ou seja, vinda de fora do país, especialmente dos EUA e a criação da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária), em 26/4/1973 é que o Brasil passou a desenvolver Tecnologia de Pesquisa. Mas hoje contamos com a tecnologia de ponta para competir com “qualquer país do mundo”; o que responde a 25% da riqueza do Brasil que é proveniente do Agronegócio e 40% passa por uma Cooperativa. Assim, eu creio e pode-se dizer, a partir desta estatística que o Agronegócio é quem consegue sustentar a economia do país.
- JC: Senhor Merched Chaar como está hoje a Produção de Grãos no Brasil? O senhor pode falar um pouco sobre isso?
MC– Não tenho em mãos os dados estatísticos corretos, mas, houve com certeza um grande avanço de 2021 para 2022 e de 2022 para 2023. É bem relevante o agronegócio, com a produção de soja, milho e arroz. Dessa forma, convém lembrar que no ramo do agronegócio do Cooperativismo é onde se reúne as cooperativas que exercem a agropecuária extrativista, agroindustrial, agrícola ou pesquisa.
A função da Cooperativa é receber, comercializar, armazenar e industrializar a produção dos cooperados, além de oferecer assistência técnica educacional e social. E, hoje, segundo dados do IBGE, 48% de tudo o que é produzido no campo brasileiro passa por uma cooperativa, incondicionalmente.
Atualmente o nosso código florestal é considerado o mais rigoroso do mundo para preservar a terra. Só na Amazônia, é preservado hoje, 80% de nossa terra (numa porcentagem de 100%). Importante lembrar ainda que mesmo com todas essas limitações, nós conseguimos vencer! Só no Estado do Amazonas nós crescemos 4% a mais do que a média histórica do Brasil, relacionado a preservação.
3) JC- Há uma situação a esclarecer senhor Merched, a qual sustenta que o Cooperativismo é a favor da Grilagem, como o presidente explica isso?
MC- Sim, não é de hoje que boa parte das pessoas sabe que o sistema cooperativista é contra: sistema de grilagem, incêndios na Amazônia e invasão de terras.
4)-JC- E como estão os investimentos em projetos e bons profissionais na Amazônia, relacionados às cooperativas?
MC- O Governo Brasileiro deve investir em tecnologia e crédito. Existem projetos sim, porém, há uma necessidade em se investir em bons projetos, e, consequentemente, bons profissionais para desenvolvê-los. Neste momento, o Estado do Amazonas vem desenvolvendo bem a produção de soja, de Pitaia (fruta-de-dragão), milho, dentre outros, com amplas perspectivas de crescimento. E isso é bom, pois gera emprego e renda o que contribui um pouco com nossa economia.

Hoje, são 146 municípios brasileiros que possuem uma Cooperativa de Crédito. É uma necessidade prioritária, agora mais que nunca, levar o crédito ao homem do campo. O homem rural ou campo não tem como vir à cidade para comprar insumos e/ou algo que precise para o seu trabalho, pois eles moram longe da cidade, e não se produz nada sem cartão de crédito. A Embrapa tem o dever de levar a semente, ao homem do campo, ao agricultor, que precisa de crédito para o seu negócio, disse.
5)-JC- Muito se tem falado a respeito do zoneamento agrícola de risco climático na Amazônia. É uma forma de ajudar as plantações do homem do campo?
MC– Antes de falar do Zoneamento Agrícola de Risco Climático na região, vou falar primeiro do marco das Terras Indígenas. É evidente que existe a necessidade em se fazer uma exploração em nossas riquezas minerais. Há uma exigência em se fazer o zoneamento econômico no país inteiro, não somente na Amazônia, portanto, se não fizer o zoneamento não se irá a lugar nenhum.
Quanto ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático, outro ponto que se deve focar, prioritariamente, como uma forma de impedir que o agricultor faça sua plantação, ou agricultura, quando estiver na época de cheia, ou quando estiver na época da seca. Saber plantar e com responsabilidade, sem ofender, demasiadamente, a natureza.
Portanto, para encerrar, convém lembrar que o cooperativismo está à disposição e em sintonia perfeita com sistema S, e, conta ainda, com uma parceria forte da Sepror (Secretaria de Produção Rural) e da Faea (Federação de Agricultura do Estado do Amazonas) e Senar e Sebrae (Conselho) e o sr. Muni Lourenço no Fecob, e quando há possibilidade, os três trabalham juntos.
Por Lia Mônica.






