Programa Voa Brasil anima, mas representantes mantém cautela

Em: 21 de julho de 2023
turismo
Divulgação

O programa Voa Brasil do governo Federal não traz tanto otimismo para as entidades representativas do setor no Amazonas. O principal anseio dos representantes é que a capacidade de oferta de voos que a malha aérea regional opera não seja suficiente para suprir a demanda já que a projeção é que os voos saiam lotados. Segundo representantes, o programa só terá um impacto positivo para o mercado com a entrada de novas companhias aéreas. 

A Abav-AM (Associação Brasileira de Agências de Viagem) entende que para o Amazonas o programa não deve rodar muito bem. “A não ser que aumentem a malha aérea do Estado porque embarcar qualquer dia aqui em Manaus vai encontrar voos cheios, ainda mais depois da pandemia em que as pessoas estão mais motivadas a viajar. A gente não vê muita expectativa para o Amazonas”. 

Além disso, ele lembra que o programa é direcionado para um público determinado; que seria aposentados, servidores públicos e estudantes amparados pelo programa Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). “As regras ainda não estão bem claras para o segmento sobre de que forma isso se dará. Ainda seguimos estudando a proposta”. 

O ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França tem falado muita coisa sobre o programa, mas na prática ainda há um receio dos representantes sobre como vai funcionar. 

Até o momento, conforme informações veiculadas em vários meios de comunicação, o programa Voa Brasil deve ser lançado em agosto e a ideia é disponibilizar mais de 1,5 milhão de bilhetes aéreos por mês, com passagens aéreas de R$200. 

Segundo a Agência Brasil, o objetivo é beneficiar pessoas que não voaram nos últimos 12 meses. Cada trecho de passagem é fixado em R$ 200 e cada pessoa só poderá comprar quatro trechos.

“Vamos iniciar com aposentados, pensionistas e, eventualmente, servidores públicos”, disse o ministro. “O programa inicialmente tem capacidade de [atender] 1,5 milhão de passagens por mês. Mas vamos começar gradualmente. Esse programa não tem recursos públicos. Estamos usando apenas os assentos vazios das empresas”, explicou o ministro. 

Segundo o ministro, as companhias Latam, Gol e Azul aderiram ao projeto. “É bem possível que tenhamos uma grande procura de passagens, o que vai permitir que os voos saiam lotados. Ao permitir que os voos saiam lotados, você tem condição de ter mais voos e aí você preenche com os aeroportos regionais”, afirmou França.

De acordo com o ministro, a intenção é vender esses bilhetes mais baratos fora da alta temporada, em dois períodos, de fevereiro a junho e de agosto a novembro, quando tradicionalmente ocorre uma ociosidade média de 21% nos voos domésticos.

Na avaliação da empresária do segmento Claudia Mendonça, o Brasil inteiro está vivendo um boom muito grande da parte de viagens, principalmente os altos preços praticados pelas empresas aéreas e mesmo assim todos os voos continuam bastante concorridos. “Aqui na nossa malha aérea está muito defasada, mas se isso mudar eu acredito que é uma super iniciativa. Ainda mais pelo lado humanitário visando favorecer os aposentados, facilitando para aqueles que não voaram nos últimos 12 meses, que não tem condições e serão contemplados com o programa”. 

Ela também enfatizou ainda que a iniciativa beneficia a cadeia produtiva e  que é um grande início para se ter outros olhos, ou seja, não apenas ganhar e sim doar ainda mais para os beneficiários do programa. “Eu estou torcendo para que dê certo e que seja tudo de uma forma bem coordenada e que esse aplicativo não tenha nenhum desvio e que sim seja destinado realmente para pessoas que precisam e merecem viajar”, disse.

O empresário Orsini Júnior, que atua neste nicho de mercado, defende que mesmo com a malha aérea pequena o marketing natural em razão da riqueza e potencial que é o Amazonas é benéfico. Na opinião dele, o programa Voa Brasil é excelente, mas seria necessário criar algo específico para a Amazônia. “Criar algo parecido para que as pessoas viessem conhecer a região Norte, ou seja, um programa de incentivo direcionado à nossa região. Porque se a gente não incentivar as pessoas a deixarem a floresta em pé para que a gente possa aproveitar essa biodiversidade como ferramenta turística para manter isso, uma das formas é trazer as pessoas para contemplar essa riqueza que nós oferecemos”. 

Saiba

A ideia é que seja lançado um site e um aplicativo do Voa Brasil, por onde será possível acessar e selecionar os trechos disponíveis. As companhias aéreas que participarão do programa são a Latam, Azul e Gol.

Segundo informações, o governo está estudando ainda a possibilidade de parcerias que viabilizem cashbacks, tendo em vista desonerar o passageiro de uma parte da taxa de embarque para que este valor possa ser usado em consumos dentro do aeroporto ou no deslocamento até acessar o vôo.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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