O ritmo de abertura de empresas no Amazonas caiu em junho, mas a taxa de mortalidade começou a ceder. O Estado somou 672 novos negócios no mês, em dado 9,07% mais fraco do que o de maio (739) – que teve a mesma quantidade de dias úteis. O saldo foi praticamente igual (-0,74%) ao de 12 meses atrás (677). Apesar das incertezas do mercado e dificuldades, as estatísticas de baixas de CNPJs foram na direção contrária. Foi registrada uma queda de 8,86% entre o quinto (350) e o sexto (319) mês de 2023, e uma retração de 7,54% no confronto com junho do ano passado (345).
No acumulado do ano, entretanto, o cenário segue desafiador para o Estado. Um total de 2.079 pessoas jurídicas amazonenses encerrou as atividades no período, quantitativo 11,41% reforçado em relação ao de igual intervalo do exercício anterior (1.866). Em paralelo, foram constituídos 3.998 novos negócios em âmbito local, número somente 3,23% superior ao capturado entre janeiro e junho de 2022 (3.873). As informações são da Jucea, a partir de relatório do SRM (Sistema Mercantil de Registro) do Ministério da Economia.
Segundo a Junta Comercial do Estado do Amazonas, os serviços (408) lideraram as aberturas, seguidos por comércio (217) e indústria (28) – contra 438, 252 e 28, em maio, respectivamente. No semestre, os municípios com mais constituições foram Manaus (2.926), Itacoatiara (92), Manacapuru (84), Parintins (83) e Tefé (67). Assim como ocorrido nos levantamentos anteriores, a autarquia não informou números desagregados das estatísticas de encerramentos de empresas. Segundo o Portal do Empreendedor o panorama foi ainda menos amigável para os MEIs (microempreendedores individuais).
Tipos empresariais
De acordo com o levantamento da Jucea, assim como ocorrido há mais de um ano, a maior parte das 319 pessoas jurídicas amazonenses que saíram do mercado no mês passado estava enquadrada na categoria de empresário individual (171), em número mais fraco do que o capturado no levantamento anterior (212). Foram extintas também 148 sociedades empresariais limitadas – contra as 135 contabilizadas em abril. Em seis meses, os dois tipos empresariais acumularam 1.234 e 834 baixas, respectivamente.
Em contraste, a formalização de abertura de novos negócios no Amazonas (672) voltou a priorizar as sociedades empresariais limitadas (458), correspondendo a mais do que o dobro da quantidade de registros na modalidade de empresário individual (208). A distância entre ambas as categorias aumentou em relação ao levantamento anterior (481 e 249, na ordem) e aos dados do semestre (2.588 e 1.279). O rol de novos negócios do mês incluiu também cinco cooperativas e uma sociedade anônima fechada.
Já os números do Portal do Empreendedor confirmam um quadro ainda mais volátil para os MEIs atuantes no Estado. As aberturas declinaram 13,85%, entre maio (3.177) e junho (2.737). O tombo em relação ao dado de 12 meses atrás (3.143) foi de 12,92%. A boa notícia é que as extinções despencaram 28,59% na variação mensal (de 1.609 para 1.149), embora tenham ultrapassado em 20,57% o registro do mesmo mês de 2022 (953). Em seis meses, o número de constituições encolheu 5,94%, com 17.960 (2023) contra 19.094 (2022). Os encerramentos foram catapultados em 55,27% na mesma comparação, ao passarem de 5.140 (2022) para 7.981 (2023).
“Ajustes e incertezas”
Na análise da ex-vice-presidente do Corecon-AM e professora universitária, Michele Lins Aracaty e Silva, os números referentes à abertura e encerramento de empresas no Amazonas refletem um cenário de “ajustes e incertezas”, embora sinalizem também para uma recuperação lenta e gradual que já se aproxima do cenário de estabilidade. A economista destaca o elevado número de encerramento de empresas individuais que, encerrado o período mais duro da pandemia, aponta para uma acomodação.
“Entre as prováveis hipóteses, temos as variáveis macroeconômicas, que causam incertezas. Para os próximos meses, o mercado e os investidores projetam um cenário bem mais favorável, uma vez que já teremos avançado com a reforma Tributária e com as regras do arcabouço, e também se projeta o início da retomada de queda dos juros pelo Banco Central. Tais medidas darão mais dinamismo à economia nacional e ampliarão as possibilidades de investimento e aquecimento do mercado”, estimou.
A consultora empresarial, professora e conselheira do Cofecon, Denise Kassama, considera que os dados sinalizam perspectivas positivas para a constituição de novos negócios nos próximos meses. “Passados esses primeiros meses do governo Lula, a economia está demonstrando que quer voltar a crescer, apesar do problema apresentado por esses juros altos. acredito também que as empresas estão acreditando mais na política econômica. E credibilidade atrai investimentos”, afiançou.
Para a economista, o “ponto chave” continua nos MEIs, em função não apenas do empreendedorismo, mas também do condão de reduzir o custo de mão de obra. “Desde a terceirização aprovada pelo governo Temer [2016-2018], muitas empresas têm usado essa ferramenta, no lugar de assinar a carteira do trabalhador, porque a carga tributária é bem menor. Analiso esses dados, observando que o desemprego caiu e isso pode ter contribuído para reduzir a quantidade de MEIs, o que não seria algo negativo”, ponderou.
Líder do ranking
Em texto veiculado por sua assessoria de imprensa, a Jucea destaca que tem “trabalhando constantemente” para a melhora do ambiente de negócios do Estado, por meio de ações desenvolvidas pelo órgão, em parceria com outras instâncias do Executivo amazonense. “Sabemos da importância de estarmos sempre investindo e aprimorando, não apenas em novas tecnologias que simplifiquem e desburocratizem o registro mercantil, mas sobretudo nos serviços e atendimentos oferecidos por meio da Junta Comercial”, destacou a vice-presidente da autarquia, Jacqueline Alfaia.
Em outra oportunidade, a presidente da Jucea, ressaltou, também por meio de sua assessoria, que o Amazonas foi a unidade federativa mais rápida do país na abertura de empresas, em junho. Ao todo, entre viabilidade e registro, o empreendedor amazonense levou o tempo médio de 7 horas e 3 minutos para abrir um novo negócio, conforme o painel mensal do Mapa do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços”. Até então, o Estado estava na segunda posição do ranking.
“Essa conquista para o Amazonas é o resultado de todo um trabalho em equipe, desenvolvido pela Jucea com os órgãos integrados à RedeSim e com as prefeituras do interior. Continuaremos trabalhando para otimizar ao máximo a análise dos processos de registro, para consolidarmos o nosso Estado como líder no empreendedorismo no país”, encerrou.







