Produção de motocicletas no PIM segue superando resultados pré-pandemia

Em: 13 de agosto de 2023

A indústria de motocicletas do PIM consolidou um novo recorde em julho. O Polo Industrial de Manaus fabricou 122.723 unidades, superando em 17,1% a marca de 12 meses atrás (104.776). Foi o melhor desempenho para o mês, desde 2014. Houve alta de 9,97% em relação a junho (95.274), que teve a mesma quantidade de dias úteis. Em sete meses, as montadoras já somam 886.994 motocicletas produzidas, volume 14,3% acima do registrado no mesmo período do ano passado (776.069). Os números foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), nesta sexta (11). 

As vendas domésticas também tiveram saldo positivo, embora tenham desacelerado na variação mensal. O dado negativo veio das exportações, que declinaram em todas as comparações. A entidade empresarial manteve suas projeções para 2023. A projeção da Abraciclo é de fechar o ano com elevação de 10,4% na quantidade de motos produzidas (1.560.000) e expansão de 10,9% no número de emplacamentos (1.511.000). A estimativa em relação às vendas externas ainda aponta para uma queda de 11,5% e apenas 49.000 unidades remetidas ao estrangeiro.

“Graças a estratégia das associadas da Abraciclo, que investem constantemente no aprimoramento dos processos produtivos e na implantação das mais avançadas tecnologias em seus produtos, a motocicleta vem conquistando cada vez mais novos consumidores”, declarou o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, em texto distribuído pela assessoria de imprensa da entidade.

Varejo e exportações

Diferente do ocorrido com os dados de produção, o volume comercializado no varejo interno encolheu 12,3% entre junho (140.387) e julho (123.085). A comparação com o mesmo mês do ano passado (107.499), entretanto, apontou acréscimo de 14,5%. Em sete meses, os emplacamentos avançaram 21,4% e totalizaram 903.155 unidades – contra as 744.064 registradas em igual período de 2022. O Sudeste concentrou 38,4% (346.613) das vendas do acumulado do ano, sendo seguido já mais de perto pelo Nordeste (30,5% e 275.352), e mais de longe pelo Norte (12,9% e 116.103), Centro-Oeste (9,6% e 86.351) e Sul (8,7% e 78.736). A maior taxa de crescimento veio novamente dos Estados nortistas (+28,8%), seguidos de perto pelo Nordeste (+24,9%).

As motos de baixa cilindrada (até 160) representaram 80,9% (99.568) das vendas do mês. Os modelos de 161 a 449 cilindradas responderam 15,8% (19.427), ao passo que a categoria acima de 450 cilindradas contribuiu com apenas 3,3% (4.090) do total. A categoria Street respondeu por 52% (63.964) dos licenciamentos, sendo seguida pela Trail (23.184 e 18,8%) e pela Motoneta (14.929 e 12,1%), entre outras. Em relação a julho de 2022, houve alta para sete das 12 categorias listadas. A variação mensal, contudo, foi positiva apenas para o segmento minoritário das motos custom (872 e 0,7%), que avançaram 3,7% na produção. 

Em contrapartida, as exportações seguem em baixa. Encolheram 11,2%, entre junho (3.578) e julho (3.176), além de tombar 36% diante do dado de 12 meses atrás (4.962). O acumulado do ano ficou negativo em 21,2% (30.077). Conforme o portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, os embarques do mês foram liderados pelos Estados Unidos (1.382), que respondeu por 31,2% do total. 

Na entrevista coletiva concedida em junho, Marcos Bento assinalou que um dos fatores que vem contribuindo para a retração nas exportações de motocicletas ‘made in ZFM’ é a “a desarmonia da legislação brasileira de emissões, em relação ao que é estabelecido pelos países vizinhos” – que são os principais destinos das vendas externas do segmento.

“Demanda aquecida”

As principais montadoras do PIM também comemoraram. Procurado pela reportagem do Jornal do Commercio, por meio de sua assessoria de imprensa, o vice-presidente industrial da Moto Honda, Julio Koga, informou que a unidade fabril da multinacional japonesa produziu mais de 667 mil unidades, entre janeiro e julho, o que corresponde uma alta de 17% – e ritmo bem acima da taxa de crescimento para projetada para 2023, que é de 10%. De acordo com o executivo, o desempenho vem se refletindo também gradativamente nos empregos.

“Somente no mês de maio, mais de 119 mil motocicletas saíram das linhas de produção da nossa fábrica. A produção acompanhou a tendência dos resultados comerciais, uma vez que a demanda pela motocicleta segue aquecida. As novas contratações de mão de obra vêm sendo realizadas de forma gradativa, acompanhando a demanda do aumento de produção de motocicletas”, resumiu.

Em declarações recentes à reportagem do Jornal do Commercio, por meio de sus assessoria de imprensa, o gerente de Relações Institucionais da Yamaha, Afonso Cagnino, avaliou que o segmento passa por um “bom momento” no mercado. “O balanço é positivo, graças a uma conjuntura econômica favorável. Ainda há instabilidades nas cadeias de fornecimento global, mas conseguimos adequar o volume de produção à disponibilidade de insumos, e seguimos sem interrupções. Nossa expectativa é manter o plano de produção e que o segundo semestre siga na mesma trajetória do primeiro”, asseverou.

Confiança e protagonismo

Em coletiva de imprensa realizada no mês passado, o presidente da Abraciclo destacou que a aprovação da PEC da reforma Tributária na Câmara dos Deputados foi “muito importante”, ao reforçar a garantia constitucional da Zona Franca até 2073 e garantir a competitividade da indústria incentivada. “Essa segurança jurídica é muito importante não só para o anúncio, mas também para a atração de novos investimentos para a região”, comemorou.

Marcos Bento assinalou também que a conjuntura macroeconômica, é positiva para os fabricantes de motocicletas, com a sinalização de queda da cotação do dólar, aumento de taxas de emprego (segundo o Novo Caged) e a expectativa da equipe econômica do governo federal para crescimento do PIB com menor inflação – em cenário renovado pelo começo do ciclo de queda da taxa Selic, no âmbito do Copom.

No entendimento do dirigente, o cenário também apresenta oportunidades setoriais, em virtude do diferencial do produto. “Vale destacar o protagonismo da logística urbana, especialmente com uso para o delivery. É um instrumento importante para os deslocamentos urbanos, principalmente pela economia com baixos custos de aquisição, manutenção e quilômetro rodado. Tudo isso faz com que nossos fabricantes continuem atentos a novos investimentos, com ampliação e modernização dos parques produtivos e adoção de novas tecnologias”, listou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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