Indústria imobiliária cresce 114,64% no 2º trimestre do ano no AM

Em: 25 de agosto de 2023

O faturamento da indústria imobiliária do Amazonas decolou no segundo trimestre. As incorporadoras somaram R$ 689 milhões em VGV (valor geral vendido) líquido no período, em patamar 291,48% superior ao dos três meses iniciais de 2023 (R$ 176 milhões), e 114,64% acima do mesmo período de 2022 (R$ 321 milhões). O montante foi o terceiro maior dos últimos cinco anos e foi alavancado principalmente por imóveis verticais (R$ 520 milhões). Os imóveis comerciais, por outro lado, saíram de zero para R$ 169 milhões. O semestre acumulou R$ 865 milhões em vendas e alta de 5,36%.

Os números foram extraídos da sondagem dos Indicadores Imobiliários da Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), divulgada em coletiva de imprensa desta quinta (24). O desempenho foi lastreado por uma recuperação nos lançamentos, que saltaram 133,33% na virada trimestral, passando de 3 para 7 – com destaque para imóveis residenciais verticais (6) e de padrão econômico (4). Em relação ao dado de 12 meses atrás (5), o avanço foi de 40%. Em seis meses, contudo, houve recuo de 9,09% nos lançamentos das incorporadoras locais (10).

Os números, no entanto, ainda estão bem mais acanhados do que os atingidos nos dois trimestres finais de 2022, que marcam o apogeu da série histórica fornecida pela entidade empresarial. A Ademi-AM salientou, em texto de sua assessoria, que o mercado imobiliário local viveu um período de “intensa atividade” nos últimos anos, com crescimento em lançamentos e vendas, “mesmo diante de preocupações do setor”, e que os anos de 2020, 2021 e 2022 foram marcados por expansão de lançamentos, atingindo uma sequência de 2.806, 4.439 e 6.821 unidades lançadas, respectivamente.

“No cenário mais recente, o segundo trimestre de 2023 também trouxe números positivos”, destacou o texto da assessoria. “Em 2022 o mercado de imóveis novos no Amazonas chegou a um montante de quase R$ 1,5 bilhão. A previsão do setor era manter os mesmos números em 2023. No entanto, a Ademi-AM já consegue projetar crescimento diante dos números favoráveis do primeiro semestre que já se aproxima de R$ 1 bilhão”, assinalou, sem informar qual é a projeção de alta.  

Concentração nas vendas

A pesquisa confirma nova concentração nas vendas, embora o percentual já venha mais baixo do que os anteriores. Seis localidades responderam, juntas, por 66,8% das vendas do segundo trimestre deste ano. O bairro Ponta Negra (427), na zona Oeste, voltou a encabeçar o ranking, com incremento sobre o trimestre anterior (386). Situado no bairro Planalto, na zona Centro-Oeste, o Parque Mosaico se manteve na segunda posição, ao elevar as vendas de 170 para 231 unidades. Na sequência estão os bairros Lago Azul (186), Santa Etelvina (114) – ambos na zona Norte –, Parque Dez (113) – zona Centro-Sul – e Tarumã (97) – zona Oeste.

Do total de vendas líquidas (2.098), 65,20% foram de unidades residenciais verticais (1.368), 32,98% vieram de unidades horizontais (692) e apenas 1,81% corresponderam a unidades comerciais (38). Entre as unidades residenciais verticais, os imóveis de padrão econômico – e dependentes dos financiamentos de programas federais de habitação – seguiram predominantes, respondendo por 51,17% do total (700). Mas, a participação de imóveis de demais padrões verticais nas vendas aumentou e já corresponde a 48,83% (668) do total. O crescimento foi uma realidade para ambos os segmentos de produtos.

“Período de transição”

Durante a coletiva, o presidente da Ademi-AM, Henrique Medina, lembrou que o primeiro semestre correspondeu a “período de transição” para o segmento, dado que o país mudava de governo – e também de políticas econômicas e regramentos para a atividade de construção. “Nossa expectativa era repetir os números de 2022. Mas, para nossa surpresa, continuamos evoluindo. Tivemos números substanciais e muito disso aconteceu por conta do grande número de lançamentos que tivemos no quarto trimestre do ano passado. Então, houve uma disponibilidade de produtos muito grande no mercado”, declarou.

Medina observou que o período marcou liderança de vendas dos chamados “produtos convencionais”, nos números globais da indústria imobiliária amazonense. Tratam-se de imóveis com preços acima de R$ 219 mil por unidade – empreendimentos abaixo dessa faixa estão enquadrados no programa Minha Casa Minha Vida e correspondem ao padrão econômico. “Isso ocorreu até junho. A partir de julho já houve a MP do governo federal, reeditando o programa habitacional com novas condições que, certamente vão impulsionar o mercado no segundo semestre”, afiançou.

Indagado sobre mais detalhes a respeito do desempenho das vendas por tipo de produto, o presidente da Ademi-AM disse que o segmento está vendendo todo tipo de produtos. “Nossa pesquisa é muito completa e mostra tudo que é vendido em Manaus e Iranduba. Vendemos desde loteamentos até condomínios de casa, dentro ou fora do MCMV, além de empreendimentos verticais que chamamos de multifamiliares”, listou. 

O dirigente frisou que, por mais que os números estejam acima do previsto, ainda estão abaixo do potencial do mercado local. “Manaus é o quinto maior PIB do Brasil, mas está na 17ª posição em unidades vendidas, entre as capitais. Vendemos R$ 1,5 bilhão no ano passado, mas temos potencial muito alto. Existem outras capitais brasileiras com PIB inferior ao nosso, que vendem R$ 5 bilhões, R$ 10 bilhões. Quando falamos que o setor cresceu 10%, 20%, 30%, isso só demonstra que temos capacidade de continuar crescendo”, frisou.

Medina destacou que há boas noticias para o segmento, no curto prazo, embora ainda ocorram problemas. “É importante falarmos sobre fomento e o que está vindo das condições de subsídios pelo Minha Casa Minha Vida. É importante também falarmos sobre o programa do governo do Estado, que vai ser lançado na próxima semana, e que vai vir com excelentes condições para aquisição do primeiro imóvel. Mas, hoje não podemos construir na orla da Ponta Negra, que tem vocação para produtos de alto padrão, por conta do Código Florestal. Se pudéssemos, certamente estaríamos crescendo mais, além de gerar mais empregos e tributos”, finalizou. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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