Falta de cimento já causa impactos na construção

Em: 5 de dezembro de 2023

O setor da construção civil no Amazonas tem sido atingido pela falta de cimento e pelo aumento de preços do produto. Alguns canteiros de obras estão parcialmente parados, tocando outras frentes de serviços. Em estabelecimentos o desabastecimento prejudica as vendas. A escassez no mercado, pode perdurar por dias, já que a seca é a principal responsável pelo desabastecimento do item em lojas de Manaus. A informação é dos empresários e entidades representativas do segmento. 

Sobre o uso do cimento no mercado, segundo Frank Souza, presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), há uns dez dias, falava-se um preço no mercado, na ponta, no consumidor final,  entre R$ 75, R$ 80. Hoje houve uma disparada em torno de R$ 100. “Eu creio que esse cimento está entrando na cidade de forma muito pequena, e quem tem o produto está se valendo do momento desfavorável da chegada de uma regularização de cimento na cidade ou no Estado para cobrar caro”.

Ele informou que o grande receio em relação às empresas e construtoras é que quando regularizar a situação já haverá reajustes maiores. “A gente acredita que vai ser muito ruim, porque os contratos já estão  firmados e você já tem um preço definido ali, não dá para inserir um novo preço nessa planilha. E hoje, na situação dos canteiros, nós já temos muitos canteiros parcialmente parados, onde está sendo feito um remanejamento do tipo de trabalho”. 

Ele explicou que em grandes canteiros, canteiros médios, ou grandes, você faz uma escavação com o uso de argamassa e acaba que o serviço vai para áreas onde não utiliza-se o cimento propriamente, mas quando não pode evitar o uso, tem que estancar, e isso acarreta em operário parado nos canteiros.

“A gente tem brigado pela BR-319, que nós temos outro canal, foi a dificuldade na Covid, agora o exemplo de um material que para boa parte da economia, representa 6% do cenário do PIB do setor. Isso é um fato ruim. Então, eu acredito que não só aconteceu com outros setores que estão sentindo a falta de insumo. A economia para onde há essa falta grande. A verdade é que temos feito um trabalho com as entidades para sensibilizar senadores, deputados estaduais, governo, de uma forma geral, para que a gente consiga resolver esse gargalo em torno da BR 319. A gente tem tentado fazer com que essa regularização do cimento aconteça, mas isso depende só da cheia do rio. Vamos aguardar”. 

Frank Lopes Pereira, presidente da Aceram (Associação dos Ceramistas do Amazonas), reforçou que o impacto é direto e muito negativo, pois influencia no  aumento do custo da obra, além do atraso da construção em si. “Infelizmente não é culpa do empresário, é em toda cadeia da construção civil. Porém, é temporário e sempre haverá esse risco enquanto tivermos, tão somente ,a opção de transporte fluvial, em função do período de vazante e cheia dos rios. Dependemos, exclusivamente, das condições de navegação em nossos rios desde o Estado do Pará. Nas demais regiões do Brasil o fornecimento de cimento está normal”, ressaltou. 

Para Lopes, a BR 319, também alavancaria essa escala de produção e escoamento por meio de transporte terrestre. “Imagine se tivéssemos esse acesso através da BR 319, com Carretas e afins, não teríamos muitos problemas de abastecimento e escoamento de Produção em geral. Vale ressaltar ,também, que o Estado de Roraima está sofrendo com o desabastecimento e sem previsão de normalidade”. 

Na loja de material de construção dele houve uma redução nas vendas em novembro em relação a outubro, de aproximadamente 30% nas vendas gerais e 60% nas vendas de tijolos e blocos cerâmicos. “É muito complicado, pois você não apenas utiliza cimento ,em obras, mas também quando está dando o acabamento da mesma, assentamento de pisos e azulejos”. 

Prejuízos 

A empresária do segmento, Liliane Peres, informou que há cerca de um mês está trabalhando sem o produto nas prateleiras. Ela disse que os mais impactados são os pequenos negócios. “Só quem consegue garantir o produto são os grandes distribuidores. A gente tem orientado os nossos clientes a esperarem para fazer qualquer tipo de obra por conta do valor do item que está muito caro. Infelizmente  tem lojas que estão vendendo o quilo do cimento por R$ 100 e  muitos locais estão limitando a quantidade de compra por clientes”. 

De acordo com a empresária, o preço médio da saca de 42,5 kg era de R$ 55 a R$ 60. “Isso no mês de outubro, ou seja, uma aumento de mais de 35%”, mencionou ela. “O prejuízo nas vendas com a falta do produto já é inicialmente estimado entre 80%”, complementou. 

Nota

A empresa Votorantim Cimentos atende nas regiões Centro-Oeste e Norte informou por meio de nota que o abastecimento de produtos no mercado de Manaus encontra-se momentaneamente afetado em função da seca severa na região Amazônica, que baixou o nível dos rios e está dificultando a navegação. “Com isso, o navio que transporta o cimento da empresa até Manaus só consegue navegar com parte da carga, e não com 100% da capacidade. A Votorantim Cimentos está empreendendo vários esforços logísticos para manter o abastecimento local, inclusive trazendo produtos de outras regiões, como Belém (PA)”, diz o texto. 

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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