O metro quadrado da construção civil do Amazonas voltou a ficar mais caro em outubro. O custo médio avançou para R$ 1.780,89 e ficou 0,10% acima do dado de setembro (R$ 1.779,03). Apesar do recrudescimento da crise logística aberta pela vazante, com a suspensão dos atracamentos de navios cargueiros em Manaus, a pressão sobre os preços veio exclusivamente da mão de obra, aumentou 0,48% e passou de R$ 682,83 para R$ 686,11. Em contraste, o mês marcou nova retração (-0,13%) no custo médio dos materiais, que emplacou R$ 1.094,78 contra R$ 1.096,20.
Desta vez, a variação dos passivos da construção civil do Estado ficou atrás da média nacional do setor (+0,02%), perdendo também para o IPCA (+0,24%) no mês. Mas, apesar da desaceleração, outubro marcou o terceiro reajuste consecutivo no Amazonas. Com isso, os dispêndios da construção civil do Amazonas já acumulam alta de 6,07% no ano, quase o triplo do Sinapi nacional (+2,20%) e praticamente o dobro da inflação oficial (+3,75%). Em 12 meses, os preços já avançaram 7,89% no Estado – contra 2,44%, no restante do país. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo, por sua vez, expandiu 4,82%.
Lideranças do setor ouvidas pela reportagem do Jornal do Commercio apontam que, a despeito dos números, os preços dos materiais mais utilizados, como cimento e aço, ficaram efetivamente mais salgados para os construtores do Amazonas com a chegada da vazante. Revelam também que há insumos importantes para o cimento já começa a escassear no mercado local e gerar paralisações dos trabalhos nos canteiros de obras do Estado.
Acima da média
Com a taxa mensal abaixo da média brasileira (+0,14%), o Amazonas (+0,10%) desabou do segundo para o 16º lugar do ranking nacional de altas dos preços da construção. Rio Grande Norte (+1,60%), Pará (+1,36%) e Roraima (+1,18%) encabeçaram com folga uma lista com oito deflações, e com Minas Gerais (-0,38%), Mato Grosso do Sul (-0,24%) e Pernambuco (-0,17%) ocupando as últimas posições. O Estado, entretanto, voltou a registrar o maior aumento do país no acumulado do ano (+6,07%) e no aglutinado dos 12 últimos meses (+7,89%) – com o Mato Grosso (-0,26%) e Minas Gerais (-0,77%) no extremo oposto, nos respectivos comparativos.
Apesar da desaceleração, os aumentos mensais consecutivos nos meses anteriores mantiveram o Amazonas (R$ 1.780,89) como uma das 13 unidades federativas com o custo por metro quadrado acima da média brasileira (R$ 1.716,30). O Estado se segurou na décima posição do ranking brasileiro e como o quinto mais caro da região Norte. Os maiores números do país estão em Santa Catarina (R$ 1.979,06), Rio de Janeiro (R$ 1.896,88) e Acre (R$ 1.874,01). Em sentido contrário, os dispêndios médios mais baixos se situaram em Sergipe (R$ 1.520,65), Alagoas (R$ 1.562,13) e Piauí (R$ 1.570,41).
Apesar da nova queda, o preço médio dos insumos no Estado (R$ 1.094,78) permaneceu na sexta posição e entre as 16 unidades federativas acima da média brasileira (R$ 998,17). O rol foi aberto pelo Acre (R$ 1.193,93) e encerrado por Sergipe (R$ 932,27). O oposto se deu na mão de obra, rubrica na qual o Amazonas (R$ 686,11) segue bem atrás do dado nacional (R$ 717,95), e na 11ª colocação. Santa Catarina (R$ 895,25) e Sergipe (R$ 588,28) ficaram nos extremos da lista.
Acordos coletivos
O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforça que o levantamento mensal aponta que o Amazonas vem elevando sua posição entre as unidades federativas que possuem maior custo para a atividade de construção em todo país. “Em janeiro, o Estado ocupava a 11ª posição, mas em outubro já passou para a décima. Mas, a Pesquisa Mensal do Comércio indica que o varejo de material de construção vem sofrendo retração nas vendas. Com isso, é possível que os preços não subam, e até ocorram promoções nos próximos meses”, ponderou.
Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o gerente da Sinapi, Augusto Oliveira, ressalta que o Norte do Brasil liderou as altas do indicador, com aumentos nos custos dos materiais em quatro de seus sete estados, além de acordos coletivos assinados em Roraima e Pará. A região teve variação positiva de 0,78% e ficou bem à frente do Nordeste, que ocupou a segunda colocação (+0,18%). “A principal influência veio do reajuste das categorias profissionais, contribuindo para a maior taxa entre as regiões”, reforçou.
“Grande problema”
O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, assinalou à reportagem do Jornal do Commercio que a desaceleração inesperada de outubro é um fator pontual e que os demais comparativos do Sinapi confirmam que o setor tem um “grande problema”. “Isso mostra que os custos logísticos sempre são mais caros no Amazonas e nos Estados vizinhos. E você tem que considerar sempre a variação dos últimos meses. Um mês só não dá, porque essas pesquisas são feitas nas fases das obras”, avaliou.
No entendimento do dirigente, o custo da mão de obra local permanece estatisticamente estável e o problema ainda vem dos materiais. “Essa seca certamente influenciou. Por mais que setembro tenha sido maior do que outubro, o indicador ainda está alto no conjunto, e encarece as obras por aqui. Temos de entender que a média se baseia por baixo, porque o tipo de produto entregue por aqui é principalmente o de padrão econômico, do Minha Casa Minha Vida. Não podemos nivelar por cima. As construções contam com materiais mais baratos, mas os preços desses insumos são mais caros aqui”, explicou.
Frank Souza diz que o “grande gargalo” é a escassez dos insumos decorrente do choque de oferta. “O preço do cimento subiu e as grandes construtoras e incorporadoras não encontram esse insumo a um preço aceitável, já que o setor trabalha com orçamento definido e não pode ter grandes oscilações. O preço da saca está chegando a R$ 85, enquanto as empresas costumam comprar no atacado a R$ 47 ou até R$ 50. Já temos canteiros com operários parados, e a previsão é que o material só vai começar a chegar com mais facilidade em 15 de dezembro. Corremos o risco de que algumas frentes de trabalho sejam desarmadas e, dependendo do prazo, ocorram algumas demissões”, arrematou.







