Comércio, serviços e construção responderam por 67,47% da oferta de outubro, segundo Caged

Em: 7 de dezembro de 2023

As micros e pequenas empresas amazonenses continuam sustentando a geração de empregos com carteira assinada no Amazonas. Puxadas pelos setores de comércio, serviços e construção, responderam por 67,47% da oferta de outubro, abrindo 1.844 de um total de 2.733 vagas. O ritmo acelerou em relação a setembro (1.222), no terceiro melhor número do ano. Em dez meses, as MPEs somaram 15.422 empregos, deixando para trás as MGEs (médias e grandes empresas), que não passaram de 6.165 postos de trabalho. Mas, o desempenho está aquém do registrado no mesmo período de 2022 (+26.223).

Na média nacional, as pequenas empresas emplacaram 65,20% (124.023) das vagas do mês, e 70,5% (1,26 milhão), no ano. Em outubro, as micros e pequenas empresas amazonenses foram responsáveis pela abertura de 12 empregos, a cada mil gerados, superando com folga as médias do Brasil (6,48 p/mil) e da região Norte (7,58 p/mil). O Estado ocupa o primeiro lugar do ranking nacional nesse tipo de medida. Em dez meses, o Amazonas (100,32 p/mil) cai para a quinta colocação, em uma lista liderada pelo Amapá (124,74 p/mil) e encerrada pelo Rio Grande do Sul (41,07 p/mil). 

Em texto postado no site da Agência de Notícias Sebrae, o presidente do Sebrae, Décio Lima, considerou que os números de outubro confirmaram a força e a importância dos pequenos negócios. “São os empreendedores de pequeno porte que têm sustentado o país. São as pessoas que acordam todas as manhãs e fazem o Brasil se movimentar, distribuindo renda, proporcionando inclusão social e transformação das vidas de bairros e municípios, em todas as regiões. Pela primeira vez na história o Brasil registrou a marca de 100 milhões de pessoas ocupadas. E temos uma das menores taxas de desemprego, de 7,6%”, comemorou.

Atento às dificuldades de caixa enfrentadas pelas micros e pequenas empresas brasileiras, no entanto, o dirigente argumenta que as MPEs precisam de renegociação de dívidas e crédito para serem sustentáveis. Durante a COP28, em Dubai, ele aproveitou a proximidade com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e ministros da área econômica, para levar o assunto novamente à tona e sugerir um Desenrola voltado aos empreendedores.

Comércio e serviços

Assim como ocorrido nos números globais do Estado, o comércio respondeu pela maior parte dos empregos com carteira assinada gerados pelas MPEs amazonenses, em outubro. Em sintonia com a aproximação das festas de fim de ano, e a despeito dos já sentidos efeitos da crise logística gerada pela vazante, a oferta chegou a 714 vagas, sobrepujando os tímidos dados de setembro de 2023 (+194) e de outubro de 2022 (+470). O melhor número veio do varejo de alimentos (+121) e de vestuário (+101), além de armazéns e mercearias (+113). No acumulado, já foram 2.736 ocupações, em número ainda longe do saldo de igual intervalo do ano passado (+65.93).

Embora continue sendo um motor da geração de empregos no Amazonas e no restante do país, os serviços reduziram a marcha e, desta vez, ficou na segunda posição do ranking estadual de outubro. As MPEs do setor criaram 554 postos de trabalho, em um mês negativo para as médias e pequenas empresas (-55). O destaque veio do transporte rodoviário de cargas (+46). Mas, de janeiro a outubro, o setor de serviços (+7.932) ainda responde por 51,43% dos pequenos negócios do Amazonas (+15.422). 

Outro setor que se destacou entre os pequenos negócios amazonenses foi a construção, que ofereceu 543 vagas. Embora ainda se ressinta da falta de investimentos públicos e tenha ficado em compasso de espera das novas regras do programa habitacional federal Minha Casa Minha Vida, a atividade superou os números de setembro (+455) e de 12 meses atrás (+470), sendo alavancada pela “construção de obras de arte especiais” (subclasse do CNAE que compreende obras em pontes, viadutos, elevados, passarelas e túneis, entre outros). Em dez meses, já foram criados 3.160 postos de trabalho.

O dado mais preocupante veio da indústria, o setor mais afetado pelos impactos da vazante histórica deste ano. A manufatura do Estado gerou apenas 61 empregos em outubro, mês em que muitas fábricas tiveram de parar a produção e conceder férias coletivas antecipadas, em virtude da falta de insumos, e também de condições de desovar sua produção. Ainda assim, foi um número melhor do que o do mês anterior (+37), embora muito mais baixo do que o de outubro de 2022 (+252). As MGEs (+402) se saíram melhor no mês. De janeiro a outubro, a indústria do Amazonas criou 1.723 ocupações formais, menos da metade do alcançado em igual aglutinado de 2022 (3.989). Os demais setores fecharam no vermelho. 

“Mercado cauteloso”

O coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, Evanildo Pantoja, concorda que os pequenos negócios precisam de um Desenrola e que esta é uma estratégia que pode gerar bons resultados. “Mas, não tem efeito imediato. Já tivemos algo em torno de R$ 15 bilhões de negociação no programa [com os consumidores], e não tivemos ainda grandes impactos no consumo”, ressalvou.

No entendimento do representante do Sebrae-AM, a base de dados mais forte do ano passado deve ser levada em conta na análise. “Em 2022, tivemos um crescimento considerável de 14% no varejo. Chegamos a mais de R$ 1 trilhão de faturamento, muito devido a atuação dos marketplaces, onde as MPEs tiveram oportunidade de alcançar seus consumidores, por meio das plataformas. O mercado também estava bastante otimista com a retomada do consumo, após o grave período da pandemia”, lembrou. 

Pantoja salientou que houve queda significativa nas vendas no primeiro semestre deste ano, em sintonia com o endividamento das famílias. “Isso tem impacto direto no poder de consumo e, consequentemente, nas vendas. Percebo também que o mercado está mais cauteloso diante destes números. Acredito que a geração de empregos vai se manter estável nos próximos meses, com a possibilidade de crescimento tímido”, estimou.

“Instabilidade e incertezas”

Na avaliação da ex-vice-presidente do Corecon-AM e professora universitária, Michele Lins Aracaty e Silva, levando em conta o destaque das MPEs na geração de empregos, “já passou da hora” de o poder público tomar como prioridade a implementação de uma política pública voltada para elas. “Eles precisam de crédito, mão de obra qualificada, uma cadeia produtiva organizada e de uma garantia para que os negócios possam se sustentar”, listou.

Entre os fatores que contribuíram para os resultados, a economista destaca a dificuldade que a economia brasileira enfrenta, já há algum tempo, de manter o crescimento econômico sustentado. “Cresce um pouco e retrai um pouco. Isso ocorre por causa dos números de desemprego, mas também temos uma inflação que ainda incomoda e juros ainda elevados. Temos também toda uma instabilidade no cenário macroeconômico e incertezas em relação ao amanhã, a exemplo da reforma Tributária. O mais recente levantamento do PIB, por exemplo, mostrou queda nos investimentos”, arrematou. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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