Dificilmente pessoas que moram às margens dos rios na Amazônia têm acesso aos serviços odontológicos. Isso ocorre devido à carência de implantação de medidas amplas de serviços de saúde.
O assunto foi tema da pesquisa “Condição de Saúde Bucal em Populações ribeirinhas no Estado do Amazonas”, cujos resultados foram apresentados na manhã de segunda-feira, 31, no ILMD (Instituto Leônidas e Maria Deane), unidade da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) na Amazônia, para alunos do curso de mestrado em odontologia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), pela pesquisadora Flávia Cohen Pontes Cordeiro.
De acordo com ela, a escolha de Coari (a 368 km de Manaus) se deu pela oportunidade de financiamento por meio do PPOPE (Programa Amazonas de Apoio à Pesquisa em Políticas Públicas em Áreas Estratégicas), da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), em edital para o diagnóstico das condições de vida e saúde de populações expostas ao impacto da construção do gasoduto Coari-Manaus.
“Foram escolhidas duas comunidades: Divino Espírito Santo do Isidoro e Lauro Sodré, por representarem 33% da população total do município e necessitarem de planejamento diferenciado para a oferta de serviços de saúde, em virtude das características próprias de acesso fluvial”, explicou.
Os dados foram coletados por meio de entrevistas em grupos distintos. O trabalho de campo foi desenvolvido de 14 a 24 de março de 2006, e o estudo piloto de 24 a 27 de janeiro do mesmo ano.
Ao todo foram entrevistados 126 indivíduos, sendo 52 em Isidoro e 74 em Lauro Sodré, sendo a maioria mulheres. Os entrevistados em Lauro Sodré apresentaram média de idade mais elevada. A análise indicou que os indivíduos de Divino Espírito Santo do Isidoro possuem mais tempo de escolaridade do que os de Lauro Sodré, sem diferença estatística significante.
Em relação à utilização de serviços de saúde bucal, a pesquisa constatou que, embora as diferenças não tenham sido estatisticamente significantes, em Lauro Sodré um número maior de indivíduos já foi ao dentista pelo menos uma vez na vida. Houve ainda uma menor proporção dos indivíduos que relataram atendimento recebido em postos de serviço público e em barcos de saúde. Não houve divergências em relação à ausência de serviços odontológicos permanente em ambas as comunidades.
Nas localidades estudadas, o serviço odontológico tem caráter esporádico e é executado principalmente em barcos equipados com consultório odontológico. Além da SMS (Secretaria Municipal de Saúde), outras instituições aparecem como prestadoras do serviço em caráter também eventual, como igrejas, Exército e, mais recentemente, a Petrobras – como consequência da construção do gasoduto.
Como foi verificado, um posto de saúde instalado em zona rural é tido como um elefante branco, porque não terá equipe disposta a se deslocar até lá.
“Para o gestor municipal, isso ocorre devido à falta de mão-de- obra qualificada para viabilizar a implantação de um serviço permanente nas comunidades. A necessidade de trabalhar educação permanente e capacitação técnica para promoção de saúde bucal dentro das comunidades aparece apenas como possibilidade futura”, comentou Flávia.
Para a pesquisadora, a solução seria a presença de um agente comunitário de nível técnico em saúde nas comunidades e, principalmente, tratamento de água, pois apesar das comunidades viverem às margens do rio, não possuem água potável. É comum utilizar o mesmo líquido em que os degetos são despejados para beber, tomar banho, lavar roupas e escovar os dentes, aumentando o risco de contaminação.
“A solução que encontramos foi a presença desse agente nas comunidades, a melhoria na água, a aplicação de flúor na população e visitas mais frequentes dos barcos comunitários com data certa para estarem lá. Não só para acalmar a dor de dente, mas para ensinar essas pessoas a cuidarem de sua saúde bucal, por meio de acompanhamento presencial”, destacou.
O PPOPE tem como meta apoiar financeiramente atividades de pesquisa induzida que possam beneficiar a formulação e implementação de produtos, processos e inovações tecnológicas vinculadas a políticas públicas do governo estadual. Os projetos são coordenados por pesquisadores vinculados a IPES (Instituições de Pesquisa e Ensino Superior) gratuitas sediadas no Estado.
Serviços de saúde bucal necessitam de reforço
Em: 3 de setembro de 2009
Dificilmente pessoas que moram às margens dos rios na Amazônia têm acesso aos serviços odontológicos. Isso ocorre devido à carência de implantação de medidas amplas de serviços de saúde
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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