Custo do metro quadrado da construção civil do Amazonas reforça alta em janeiro

Em: 15 de fevereiro de 2024

O Amazonas começou o ano com uma nova rodada de expansão dos custos da construção civil. O metro quadrado da atividade ficou 0,79% mais caro entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024, passando de R$ 1.793,08 para R$ 1.807,25. Foi o terceiro maior índice de reajuste do país, superando com folga a média em todo o Brasil (+0,19%) e na região Norte (+0,60%). Também foi a maior correção desde setembro – mês inicial da crise da vazante. É o que revelam os dados do levantamento mensal do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), medido pelo IBGE.

O aumento foi puxado pelo subindicador relativo aos materiais. Saiu de R$ 1.100 para R$ 1.121,14, avançando 1,88%, em sintonia com o movimento da média nacional (+0,14% e R$ 1.003,26). Já os passivos das empresas com as categorias profissionais da construção civil do Amazonas declinaram 0,14% na mesma comparação, com R$ 686,11 contra R$ 692,64. Foi a primeira variação negativa desde janeiro do ano passado, e vem em contraste com o dado do restante do país (+0,27% R$ 722,26). Em 12 meses, o metro quadrado do Amazonas já ficou 6,50% mais caro – contra +2,43% no restante do país.

Além de manter a dianteira em relação à média nacional, a variação do custo médio da construção civil do Estado bateu com folga também o IPCA, conforme o mesmo IBGE. Em janeiro, o Sinapi do Amazonas (+0,79%) correspondeu a praticamente o dobro da inflação oficial (+0,42%). Em 12 meses, o reajuste no custo local da atividade (+6,50%) também supera o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (+4,51%) com facilidade. O Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), embora a vazante já tenha ficado para trás, o foco dos aumentos continua nos materiais.

Acima da média

Na análise de janeiro, com a taxa novamente acima da média brasileira (+0,19%), o Amazonas (+0,79%) saltou do sétimo para o terceiro lugar do ranking nacional de variações mensais para os preços da construção. Só perdeu para o Tocantins (+0,95%) e Sergipe (+0,81%), em uma lista com apenas cinco deflações e uma estabilidade. Santa Catarina e Rio de Janeiro (ambos com -0,07%) empataram na última posição. O Estado voltou a registrar o maior aumento do país no acumulado dos últimos 12 meses (+6,50%), tendo Minas Gerais (-1,75%) no extremo oposto do rol.

Com o novo aumento mensal, o Amazonas (R$ 1.807,25) avançou da décima para a nona colocação no ranking nacional do custo do metro quadrado, e se mantém acima da média brasileira (R$ 1.752,52). Mas, caiu da quarta para a quinta colocação dentro da região Norte. Os maiores números do país estão em Santa Catarina (R$ 1.985,70), Rio de Janeiro (R$ 1.893,15) e Acre (R$ 1.888,46). Em sentido contrário, os dispêndios médios mais baixos se situaram em Sergipe (R$ 1.542,08), Pernambuco (R$ 1.570,89) e Alagoas (R$ 1.573,18).

Com o aumento mensal, o preço médio dos insumos no Estado (R$ 1.121,14) subiu da sexta para a quinta posição no país, situando-se entre as 16 unidades federativas acima da média brasileira (R$ 1.003,26). O rol é aberto pelo Acre (R$ 1.212,89) e encerrado por Sergipe (R$ 941,18). O oposto se deu na mão de obra, rubrica na qual o Amazonas (R$ 686,11) segue bem atrás do dado nacional (R$ 722,26), além de descer da 12ª para a 13ª colocação. Santa Catarina (R$ 880,56) e Sergipe (R$ 600,90) ficaram nos extremos da lista.

Texto divulgado pelo IBGE-AM ressalta que a pesquisa do Sinapi também possibilita calcular o custo do metro quadrado por padrão de acabamento. Em janeiro, uma casa popular de 46 metros quadrados no Amazonas, com padrão de acabamento mínimo, teria um custo de R$ 1.185,03 por metro quadrado. Já uma casa de 104 metros quadrados com padrão de acabamento normal, sairia por R$ 1.768,75, o metro quadrado.

Salário mínimo

No texto de divulgação dos números locais do Sinapi, o chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Luan da Silva Rezende, enfatiza que o Estado iniciou o ano com “alta expressiva” no indicador, depois de atravessar “vários meses de estabilidade nos preços da atividade. “A única causa do reajuste foram os aumentos no componente material, que sofreram forte reajuste do valor cobrado no balcão. Por outro lado, a mão-de-obra teve leve queda. Com isso, o Estado figura entre os oito com maior custo do metro quadrado no país”, comparou.

Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o gerente da Sinapi, Augusto Oliveira, observa que o Sinapi nacional de janeiro pontuou o número mais baixo para o mês, para a série histórica que considera a desoneração da folha de pagamento do setor (iniciada em julho de 2013). O pesquisador explica que, enquanto a parcela do indicador relativa aos materiais (+0,14%) desacelerou, o oposto ocorreu com o componente da mão de obra (+0,27%).“Foi impulsionada pelo reajuste do salário-mínimo nacional para 2024, que impacta diretamente nos salários das categorias de profissionais que possuem pisos salariais inferiores ao novo valor vigente”, explicou.

Seca e importados

O presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, salienta que o principal agravante para a progressão dos preços do metro quadrado no Amazonas foi a crise logística aberta pela vazante histórica de 2023. “Isso encareceu muito a atividade e os produtos não voltaram à mesma proporção de preços que tinham no passado. O material de construção é preponderante nesse custo, já que a mão de obra se manteve estável. Outro fator que está influenciando é o preço do combustível, que é mais caro no Amazonas. O mesmo acontece com a energia, fazendo com que o custo de produzir materiais seja mais caro aqui”, avaliou.

No entendimento de Frank Souza, a tendência de curto prazo é de novos reajustes para os insumos da construção. “Dependendo do material e do momento da composição do custo, vai ter aumento. Se for um insumo de acabamento melhor vai sair mais alto do que se for mais simples. A boa verdade é que ainda sofremos os efeitos da estiagem, além da própria elevação dos preços dos insumos. Um dos casos é o cimento; o outro é o aço, que tem tido uma pressão muito grande com as importações. Há um cabo de guerra entre as grandes siderúrgicas e a concorrência dos importados, e isso faz com que não se consiga reduzir preços no Brasil”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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