Convenção Coletiva de Trabalho do segmento termoplástico no PIM foi fechada após três meses de negociação 

Em: 12 de março de 2024

O polo termoplástico conseguiu concluir um período duro de negociações e uma campanha tumultuada na CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) 2024. A categoria, que tem data base em 1º de janeiro, só conseguiu bater o martelo em fevereiro, após três meses de conversações, com ganho real. Encerrada essa etapa, as empresas esperam reequilibrar os custos com um desempenho melhor nas vendas deste ano, e destacam a expansão de investimentos no segmento, detectada nas últimas reuniões do CAS (Conselho de Administração da Suframa) e do Codam (Conselho de Desenvolvimento do Amazonas).  

Os Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus apontam que a indústria termoplástica fechou no vermelho em 2023, seguindo a tendência da maior parte dos segmentos industriais que carreiam o PIM – incluindo bens de informática, metalúrgicos e químicos. Em sintonia com os impactos da crise da vazante e o peso dos juros sobre o consumo e a produção industrial, o faturamento do subsetor encolheu 2,10%, de US$ 2.97 bilhões (2022) para US$ 2.91 bilhões (2023), interrompendo dois anos consecutivos de altas. Ainda assim, foi o segundo melhor resultado na série histórica de cinco anos fornecida pela Suframa.

A mesma base de dados confirma, por outro lado, que o subsetor não descuidou dos investimentos produtivos. No ano passado, a média mensal dos aportes de capital das empresas desse braço da indústria incentivada já instaladas no parque fabril de Manaus somou US$ 1.95 bilhão. Além de corresponder a um incremento de 16,77% sobre a marca de 2022 (US$ 1.67 bilhão), é o maior valor da série histórica da Suframa nos últimos dez anos. 

“Negociação difícil”

Antes mesmo do fim de 2023, as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho já estavam em curso. A proposta inicial do Sindplast (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Material Plástico de Manaus e do Estado do Amazonas) era de um aumento de 7% no piso salarial, que seria corrigido de R$ 1.728,26 para R$ 1.858,34. A proposta inicial dava conta também de um 3 pontos percentuais de aumento real para os demais trabalhadores (ou 6,71% nominais). Inicialmente, o Simplast-AM (Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Manaus) acenou com a correção pelo INPC acumulado em 12 meses (o equivalente a +3,71%), dividido em duas vezes.

As negociações, que tiveram início na segunda quinzena de novembro/2023, só chegaram a um término na primeira metade de fevereiro, com a assinatura do Termo Aditivo da CCT 2023/2024. O piso salarial foi aumentado para R$ 1.815, o que equivale a uma correção de 4,5% e ganho real de 0,79 ponto percentual. Para os demais trabalhadores que ganham acima dessa remuneração inicial, o índice de reajuste foi definido em 4%, ficando mais próximo do indicador de inflação do IBGE.

O presidente do Sindplast, Francisco Brito, informa que, diante do impasse, a categoria foi forçada a promover paralisações relâmpago em 22 das 107 empresas do polo termoplástico do PIM, já neste ano. “Foi uma negociação muito difícil. Tivemos oito rodadas e, até a nona reunião, os empresários queriam dividir o repasse do INPC. Quando chegou na décima, nós começamos a parar, porque os trabalhadores se revoltaram. Foi só com isso que conseguimos um reajuste melhor. Só chegamos aí com muita luta”, asseverou.

“Negocial e amigável”

O presidente do Simplast-AM, José Petronildo Silva Costa, destaca que, por decisão da gestão anterior do sindicato laboral, as negociações trabalhistas passaram a ser realizadas por meio de uma comissão negocial profissional integrada por três profissionais: o diretor executivo Paulo Roberto da Silva Abreu; o consultor econômico Jose Luiz Mendes Junior; e o assessor jurídico Valdeci Soares da Silva. Ele acrescenta que as CCTs dos termoplásticos são bianuais, sendo o primeiro ano dedicado a “todas as cláusulas do instrumento”, e o segundo apenas às cláusulas financeiras, através do termo aditivo.

O dirigente patronal frisa que houve respeito ao processo negocial e que o segmento não passou necessariamente por movimentos grevistas. E confirma que as empresas ofereceram inicialmente o repasse integral do INPC – primeiro dividindo o reajuste entre janeiro e julho, e depois em parcela única. “O segmento foi muito afetado com a pandemia da covid 19, com reflexos sentidos até hoje. Em 2023, tivemos a vante recorde que impediu a navegação das balsas, afetando diretamente a produção, tanto no recebimento de insumos, quanto no escoamento da produção. Isso implicou no acúmulo de produtos nas fabricas, diminuindo consideravelmente as vendas”, justificou.

No entendimento do presidente do Simplast-AM, após nove reuniões de negociação entre os sindicatos, e outras seis com o comitê das empresas associadas, o resultado alcançado foi considerado satisfatório. “Em que pese as empresas estarem passando por momentos desafiadores, inclusive visando a proteção dos empregos, entenderam que os salários deveriam ser reajustados para minimizar as perdas inflacionarias e manter o poder de compra. Muito embora o reajuste esteja abaixo da expectativa dos trabalhadores, houve esforço em oferecer ganho real, apesar das adversidades econômicas, primando pela via negocial e a composição amigável”, afiançou.

Investimentos em alta

José Petronildo Silva Costa avalia que, passado esse momento, o segmento vive dias melhores. Ele destaca que, dos 15 projetos de implantação previstos na pauta do CAS, oito estavam enquadrados na área de plásticos, representando 67% do total. Juntos, somavam R$ 1,1 bilhão em investimentos e com estimativa de geração de um total de 1.034 empregos. A previsão é que os novos negócios resultem em faturamento global de R$ 6,4 bilhões. “Esses números indicam um crescimento expressivo e promissor para o subsetor, demonstrando que há uma demanda significativa por esse tipo de projeto e que a indústria está investindo em sua expansão”, comemorou.

O dirigente observa ainda que quem já está no PIM também sinaliza apostas maiores no segmento, que contou também com três projetos de diversificação/atualização na pauta do Conselho de Administração da Suframa. De acordo com o presidente do Simplast-AM, a iniciativa é importante, já que os projetos favorecem a renovação desse braço industrial do PIM e a modernização das indústrias, permitindo que estas se adaptem às novas demandas e tendências do mercado.

“Diante dessas informações, fica evidente que o setor industrial terá um crescimento significativo em 2024, com destaque para a área de plásticos. Essa é uma ótima notícia para o Simplast e para toda a cadeia produtiva relacionada a esse subsetor. A reunião do Conselho de Administração da Suframa foi uma oportunidade para discutir e planejar estratégias que impulsionam ainda mais o crescimento e o desenvolvimento desse segmento tão importante para a economia local e nacional”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar