Na contramão da média nacional, a indústria amazonense renovou alta de produção em fevereiro, consolidando a recuperação esboçada no mês anterior. Mesmo dispondo de três dias úteis a menos, o setor avançou 7,3% em relação a janeiro, no segundo melhor resultado do país. Em sintonia com o longo retorno à normalidade após a crise logística aberta pela vazante histórica, a manufatura do Estado escalou 17,2% frente ao mesmo período do ano passado, em ritmo ainda mais forte do que o do mês anterior (+10,8%), sendo puxada principalmente pelos polos eletrônico e de bens de informática.
Os números são da Pesquisa Industrial mensal e foram divulgados pelo IBGE, e foram divulgados na terça (9). O mesmo levantamento indica que a indústria do Amazonas vai gradativa e lentamente deixando os impactos da estiagem histórica para trás. O incremento registrado no primeiro bimestre do ano foi de 14%, sendo alavancado por sete dos dez segmentos industriais sondados. Em 12 meses, a taxa de expansão acumulada pela indústria amazonense foi de 2,9%. Em ambas as comparações, o Amazonas superou a média nacional do setor (+4,3% e +1%, respectivamente).
A despeito da progressão de 7,3% ante janeiro, o Amazonas desceu do primeiro para o segundo lugar do ranking nacional. Perdeu apenas para o Rio Grande do Sul (+9,4%), em uma lista com cinco quedas e o Mato Grosso (-3,3%) na outra ponta. Com a alta de 17,2% na variação anual, o Estado passou da segunda para a terceira posição, em um rol liderado pelo Rio Grande do Norte (+67,3%) e encerrado pelo Maranhão (-0,5%). A elevação apresentada no bimestre (+14%) também foi a segunda melhor do Brasil, mas manufatura amazonense ainda está na nona colocação, no acumulado dos 12 meses (+2,9%).
Eletroeletrônicos e informática
Na comparação com fevereiro de 2023, a indústria extrativa (que produz óleo bruto de petróleo) do Amazonas encolheu 5,7%, suplantando o ganho capturado no levantamento anterior (+4%). A indústria de transformação decolou 8,8%, puxada por sete das dez atividades acompanhadas mensalmente pelo IBGE, com destaque para as divisões de máquinas e equipamentos (condicionadores de ar e terminais bancários, com +43%); e de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (celulares, computadores e máquinas digitais, com +41,1%).
Os subsetores de produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear, estruturas de ferro, com +19,2%); produtos químicos (metais preciosos, inseticidas, nitrogênio e desinfetantes, com +14,2%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com +13,8%); “outros equipamentos de transportes” (motocicletas e suas peças, com +12,40%); e de borracha e material plástico (+9,9%) também avançaram. O mesmo não ocorreu com os segmentos de derivados de petróleo e combustíveis (gás natural, com -17,1%); “produtos diversos” (artefatos de joalheria, isqueiros,
No acumulado do ano, a indústria extrativa recuou 0,9% e a de transformação expandiu 15,1%. Os incrementos desta também foram bem disseminados pelas linhas de produção de máquinas e equipamentos (+43,4%); equipamentos de informática e produtos eletrônicos e ópticos (+30,9%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-3,7%); bebidas (+21,1%); produtos de metal (+12,6%); “outros equipamentos de transporte” (+11,2%); borracha e material plástico (+6,8%); e produtos químicos (+3,7%). No outro extremo ficaram petróleo e combustíveis (-11,7%); bebidas (-6,3%); e “produtos diversos” (-5,9%).
“Boas perspectivas”
Em texto divulgado à imprensa, o chefe da Disseminação de Informações IBGE-AM, Luan da Silva Rezende, considerou que o segundo mês consecutivo de crescimento de produção para a indústria amazonense no ano, aponta um desempenho “bastante significativo”. O pesquisador acrescenta que os resultados positivos se espraiaram por todas as comparações da sondagem, mantendo o Estado em destaque no ranking nacional e amparando boas expectativas para os próximos meses.
“Mensalmente, o IBGE pesquisa 11 atividades da indústria do Amazonas [incluindo a indústria extrativa]. E, em fevereiro, sete delas tiveram aumento de produção, sendo que todas ficaram acima dos 9%. Na contramão do país, a média móvel trimestral da indústria local, está acima de 10%, o que deixa boas perspectivas de resultados positivos para os próximos resultados da pesquisa”, afiançou, acrescentando que o índice nacional de média móvel trimestral está com variação negativa de 0,1%.
Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o analista da pesquisa, Bernardo Almeida, aponta que os dados nacionais de fevereiro refletem gargalos no crédito. “Observamos dentro da conjuntura que, mesmo com a política monetária mais expansionista, com cortes seguidos na Selic, ela [a taxa de juros] ainda está em patamares elevados. Isso recai diretamente na cadeia produtiva, quando analisamos o nível de investimento ainda aquém do que seria implementado dentro da indústria”, avaliou.
O analista do IBGE também observou um ganho de ritmo na produção industrial com relação aos resultados anteriores à pandemia. “Em fevereiro de 2024, encontramos nove locais acima do patamar pré-pandemia: Amazonas, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo”, listou.
“Situação atípica”
“Ano promissor”
Para o presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, os números do IBGE atestam novamente a “robustez” do PIM e sinalizam um “ano promissor”. De acordo com o dirigente, o desempenho do primeiro bimestre corrobora as expectativas de que a indústria incentivada deve manter uma tendência de crescimento ao longo de 2024.
“Especialmente nos segmentos já consolidados, como bens de informática, eletroeletrônicos e duas rodas. Destaco também a atuação da Suframa, na pessoa de seu superintendente Bosco Saraiva, pelo incansável trabalho que tem promovido um ambiente seguro para as indústrias. Esses fatores, aliado às perspectivas econômicas positivas, criam um cenário econômico que propicia a produção e reforça nosso otimismo”, afiançou”.
O vice-presidente da Fieam e presidente do SIMMMEM (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), Nelson Azevedo, salientou à reportagem do Jornal do Commercio que o incremento de produção já era esperado pelo setor, em razão de uma “situação atípica”. “Devido às restrições logísticas de recebimento dos insumos no último quadrimestre de 2023, algumas indústrias tiveram de antecipar férias coletivas, reprogramando suas linhas de produção conforme a disponibilidade de insumos, e parte da produção foi deslocada para o primeiro quadrimestre de 2024”, explicou.
O dirigente avalia que, embora a retomada das condições de navegabilidade dos rios Amazonas, Negro e Madeira ajude a explicar a performance do PIM, a “melhoria na economia do Brasil como um todo”, também contribuiu. “Com a redução da taxa de juros e do desemprego, as famílias se sentem mais confiantes em destravar seus projetos de consumo, pois há uma sensação de melhoria ou continuidade da renda”, concluiu.







