A confiança dos comerciantes de Manaus ficou praticamente estável, em maio. Os números locais do Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio) da CNC apontam alta de apenas 0,3% ante abril. Em meio às vendas do Dia das Mães, os lojistas melhoraram a avaliação sobre o momento presente. Mas, o temor de uma nova rodada de perdas com a vazante de 2024 esfriou as expectativas e estancou as intenções de contratar. Assim como nos meses anteriores, o otimismo foi maior nas empresas com até 50 funcionários, mas a data comemorativa elevou as esperanças dos comerciantes de bens duráveis (114 pontos) acima da média.
Manaus aparece com 112 pontos no levantamento, sendo que valores acima de 100 pontos indicam satisfação. Embora a elevação não tenha sido suficiente para repor a perda mensal anterior (-3,4%) indicador ainda se encontra 6,6% acima da marca do mesmo mês do ano passado (105,1 pontos). Em ambos os casos, a cidade foi na contramão da cadente média brasileira (106,9 pontos), que segue em patamar abaixo do dado local. Segundo a Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a confiança dos lojistas do país esfriou em ambas as comparações (-0,2% e -1,4%, respectivamente)
A oscilação do Icec ocorre em meio ao terceiro mês de reforço da ICF (Intenção de Consumo das Famílias), medida pela mesma CNC. A expansão foi favorecida pela foi sustentada por melhora na percepção dos manauenses sobre renda, emprego e acesso a crédito, assim como uma propensão atípica para comprar bens duráveis. A Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da mesma entidade, aponta regressão no peso das contas a pagar (81,5% ou 540.236 delas), após cinco meses de altas, além da segunda redução na faixa dos negativados (49,7% ou 329.142).
Empregos e investimentos
Seis dos nove subcomponentes do indicador avançaram em Manaus, mas quatro ainda se encontram no nível de desconfiança. A melhora mais acentuada veio do conjunto dos subindicadores relativos às condições atuais da economia brasileira (+4,1% e 72,2 pontos) e das empresas comerciais (+3% e 104,5 pontos), mas não do comércio (-0,1% e 80 pontos). Em sintonia, com o dilema de antecipar ou não as compras em um cenário que aponta uma nova vazante recorde em meio à chegada da temporada das datas comemorativas, a satisfação com os estoques (-3,6% e 84,1 pontos) voltou a recuar
As expectativas das empresas comerciais (+1,2% e 157,2 pontos), da economia brasileira (+0,6% e 143 pontos) e do comércio (+0,6% e 150 pontos) progrediram menos. Já os componentes que tratam no nível de investimento das empresas (+1,5% e 97,1 pontos) e contratação de funcionários (-3,3% e 120 pontos) seguiram em direções opostas. Na comparação com maio de 2023, a percepção dos lojistas piorou apenas no que se refere à situação da empresa (-2%) e dos estoques (-4,9%).
O sentimento predominante entre os varejistas locais ainda é o de que as condições atuais da economia “pioraram muito” (34,7%) ou “pioraram um pouco” (31%). A fatias dos entrevistados que apontam que a conjuntura “melhorou um pouco” (23,7%) ou “melhorou muito” (10,6%) progrediram, mas continuam minoritárias. Em média, as visões a respeito do comércio e das empresas são de melhora mais amenas em ambos os casos (28,7% e 35,3%, na ordem).
A pesquisa ainda mostra um panorama relativamente melhor para as expectativas de um futuro sempre adiado. A maior parte dos comerciantes de Manaus aumentou suas apostas de que a economia brasileira vai “melhorar muito” (45,6%), sendo seguida pelos que dizem que vai “melhorar um pouco” (30,5%). Os grupos que esperam “muita” (12,1%) ou “pouca” (11,8%) piora têm menos adeptos. As projeções que pesam mais para o setor e os estabelecimentos também ainda são de progressos mais significativos (46,2% e 49,8%, na ordem) nos próximos meses.
Apesar do esfriamento nas intenções de contratar, a parte majoritária dos lojistas locais ainda aponta que seus quadros devem “aumentar um pouco” (53,4%). Mas, a parcela dos que dizem que pode “reduzir um pouco” (28,9%) avançou. As visões predominantes para investimentos ainda cravam que essa disposição pode ser “um pouco menor” (32,4%). E uma proporção menor de empresários locais considera que os estoques estão “adequados” (57,9%). Outros 25,4% informam que estão acima do ideal – em função de vendas fracas – e 11,9% apontam que estão abaixo dessa marca.
“Movimentos cautelosos”
Em entrevista recente à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, ressaltou que o setor ainda conta as perdas decorrentes da crise da vazante e segue tendo as vendas refreadas pelos juros. “Estamos vivenciando um momento prensado. Saímos da estiagem de 2023 e estamos na expectativa de um segundo momento em 2024”, frisou. “A economia está respirando um pouco. Apesar de termos um prognóstico de estiagem, vamos superar parte dos problemas de 2023. Em maio, temos o Dia das Mães, e estamos com a expectativa de que o comércio continue se reinventando, planejando suas vendas com antecedência”, ponderou.
Texto distribuído pela assessoria de imprensa da CNC informa que a queda do indicador em âmbito nacional foi a primeira, após quatro meses de altas. Conforme o presidente da entidade, José Roberto Tadros, a queda do volume de vendas do chamado varejo ampliado em março (-0,3%) – verificada pelo IBGE – despertou a atenção do empresariado brasileiro. “A redução do ritmo de cortes da Selic e a incerteza em relação aos próximos passos, tanto sobre a redução dos juros, quanto a respeito do comportamento da inflação, fazem com que o varejo adote movimentos cautelosos”, ressaltou.
O mesmo texto mostra que, ao contrário do ocorrido em Manaus, o Icec nacional pontuou crescimento na intenção de contratar mais funcionários. O economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, disse que esse dado corrobora a melhora do ICF e que 63,7% dos varejistas brasileiros quer aumentar seus quadros, sinalizando continuidade nos avanços dos dados do Novo Caged, e alimentando os subíndices de expectativas (+0,2%). “Apesar de tímido, o aumento indica que há esperança dos varejistas na melhoria das condições econômicas, nos próximos meses”, concluiu.







