Os preços da construção civil do Amazonas estagnaram pelo quarto mês consecutivo em maio, desta vez com viés negativo. O metro quadrado ficou 0,23% mais barato diante de abril, passando de R$ 1.806,97 para R$ 1.802,84. Foi um resultado com sinal trocado em relação ao levantamento anterior (+0,02%), mas ainda dentro da estabilidade estatística. Foi a segunda menor variação do país, situando o Estado atrás das médias do Brasil (+0,17%) e da região Norte (+0,34%). O custo da atividade também ficou aquém da inflação do IPCA do mesmo mês (+0,46%) –que registrou novo repique.
Ao contrário do ocorrido em abril, a pequena variação na correção dos preços da construção amazonense se deveu unicamente ao custo da mão de obra, que, às vésperas da data base da categoria, saiu de quatro anos de estabilidade para saltar entre R$ 686,11 e R$ 692,64, uma diferença de 0,95%. Em contrapartida, os passivos médios das empresas locais relativos aos materiais caíram de R$ 1.120,86 para R$ 1.110,20. O Estado acompanhou a média nacional (+0,46% e -0,05%, respectivamente).
Os dados são do levantamento mensal do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), do IBGE. A alta acumulada nos cinco meses iniciais de 2024 foi de 0,55%, ficando abaixo da média nacional (+0,99%). Mas, no aglutinado dos 12 meses encerrados em maio, supera o dado brasileiro por uma vantagem de +3,61% contra +2,11%. Mas, com as sucessivas quedas mensais, o Sinapi do Amazonas já está aquém da inflação oficial do IPCA (+2,27% e +3,93%, na ordem) –medido pelo mesmo IBGE.
Acima da média
Com valorização mensal abaixo da média brasileira (+0,17%), o custo da construção civil do Amazonas (-0,23%) desabou do 17º para o penúltimo lugar do ranking nacional de variações mensais para os preços da construção. Ficou à frente apenas de Santa Catarina (-0,26%), em uma lista encabeçada pelo Acre (+2,16%), e com nove variações negativas. De janeiro a maio, o Estado desceu da 16ª para a 20ª colocação, com Amapá (+3,27%) e Mato Grosso do Sul (-0,58%) nos extremos. Apresentou a 11ª maior alta brasileira no acumulado dos 12 meses (+3,61%), em um rol iniciado pelo Rio Grande do Norte (+6,54%) e encerrado por São Paulo (+075%).
O preço médio do metro quadrado do Amazonas (R$ R$ 1.802,84) ficou na 11ª posição do ranking nacional, mas se mantém acima da média brasileira (R$ 1.739,26). Foi novamente o quinto mais elevado valor para a atividade na região Norte. Os maiores números do país estão em Santa Catarina (R$ 1.987,01), Acre (R$ 1.935,76) e Rio de Janeiro (R$ 1.910,26). Em sentido contrário, os dispêndios mais baixos se situaram em Sergipe (R$ 1.549,41), Pernambuco (R$ 1.561,54) e Alagoas (R$ 1.575,97).
O preço médio dos insumos no Estado (R$ 1.110,20) permaneceu na quinta posição no país, situando-se entre as 16 unidades federativas acima da média brasileira (R$ 1.006,80). O rol é aberto pelo Acre (R$ 1.218,48) e encerrado pelo Espírito Santo (R$ 924,96). Apesar da alta mensal, o oposto se deu na mão de obra, rubrica na qual o Amazonas (R$ 692,664) segue bem atrás do dado nacional (R$ 732,46), situando-se na 13ª colocação. Rio de Janeiro (R$ 886,49) e Sergipe (R$ 599,31) ficaram nos extremos da lista.
“Competitividade moderada”
Texto divulgado pelo IBGE-AM aponta as diferenças do preço do metro quadrado do projeto. “De acordo com a pesquisa, em maio, para se construir uma casa de 1 quarto, de 30 metros quadrados, seriam gastos R$ 2.281,62 por metro quadrado, no padrão normal. Já uma casa com dois quartos, de 46 metros quadrados, no mesmo padrão, sairia a R$ 1.873,17 por metro quadrado”, comparou.
O chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Luan da Silva Rezende, enfatiza que o resultado negativo de maio colocou o Estado como um dos que mais conseguiram reduzir seus custos em comparação com abril, em todo o país. “No Brasil, a variação foi positiva, embora em menor ritmo do que no mês anterior. Também desacelerou nos últimos 12 meses, sinalizando uma tendência de estabilização. No geral, o Amazonas se posiciona de forma intermediária nos custos da atividade, e em equilíbrio, refletindo uma competitividade moderada”, ponderou.
Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o gerente do Sinapi, Augusto Oliveira, assinala que, em âmbito nacional, a parcela de materiais (-0,05%) atingiu a menor taxa do ano, com queda de 0,16 ponto percentual em relação a abril, embora ainda se mantenha acima do patamar de maio de 2023. Já a parcela da mão de obra (+0,44%) registrou quedas em ambas as comparações. “A influência da parcela da mão de obra no índice agregado levou Acre, Maranhão e Distrito Federal, localidades que tiveram acordos coletivos, a registrarem as maiores taxas para maio de 2024”, mencionou.
Dissídio e estiagem
Já o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, disse que a subida dos preços da mão de obra no setor registrada em maio já antecipa o comportamento esperado para o Sinapi amazonense em junho, mês da data-base da categoria. “Nosso dissídio está sendo discutido e devemos ter uma subida. Possivelmente nada muito expressivo, mas os índices inflacionários vão ser corrigidos por aí”, adiantou.
Outra questão levantada pelo dirigente é o impacto da estiagem no valor dos materiais de construção. “Se ela bater forte em 2024, isso vai impactar em aumentos novamente, por mais que seja feito atualmente uma prevenção em relação ao estoque de materiais. Você não pode estocar muito porque tem produto perecível e paga muito imposto para fazer isso. Mas, em linhas gerais, não há ambiente atualmente para reajustes. Junho deve ser mais um mês de estabilidade, mas ainda temos um metro quadrado mais caro do que o nacional”, finalizou.






