“Quatro fabricantes instalados no PIM”

Em: 3 de junho de 2025
No Dia Mundial da Bicicleta saiba que Manaus abriga as maiores fabricantes de bicicletas do país.

Na data de hoje, 3 de junho, é comemorado o Dia Mundial da Bicicleta, oficializada desde 12 de abril de 2018 pela ONU. O que poucos manauaras sabem é que estão instaladas no PIM (Polo Industrial de Manaus) as quatro maiores fabricantes de bicicletas do país. Juntas, as quatro fábricas produziram, em abril, 35.429 bicicletas, volume 21,6% superior a março e 3,7% maior em relação ao mesmo mês de 2024. De janeiro a abril saíram do PIM 118.614 bicicletas, o que para a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) representa sinais de recuperação do segmento, situação que ocorre, também, nos principais mercados mundiais, com destaque para a categoria das elétricas. Em entrevista ao Jornal do Commercio, Fernando Rocha, vice-presidente do Segmento de Bicicletas da Abraciclo, detalhou melhor como está a produção e venda das ‘magrelas’ no país.

 

Jornal do Commercio: Atualmente quantas fábricas de bicicletas existem no Brasil?

Fernando Rocha: Há diversos montadores de bicicletas em nosso país, porém são poucos os fabricantes efetivos, que realizam as muitas etapas de um ciclo fabril (solda, tratamento térmico, pintura, adesivação, fabricação de aros, montagem da bicicleta, entre outros serviços). A Abraciclo possui quatro fabricantes instalados no PIM (Polo Industrial de Manaus): Audax, Caloi, Oggi e Sense Bike, que representam grande parte do faturamento nacional.

 

JC: O total de bicicletas produzidas no PIM representa quanto por cento do total produzido no Brasil?

FR: Nossas associadas, acima de tudo, acompanham as tendências de mercado, que demonstram que o consumidor brasileiro quer, cada vez mais, produtos de qualidade, diferenciados e com maior nível tecnológico. De acordo com indicadores, as associadas da Abraciclo representam hoje 52% do faturamento da produção nacional de bicicletas e mais de 90% das bicicletas elétricas com bateria de lítio.

 

JC: De janeiro a abril foram produzidas quase 120 mil bicicletas no PIM, e houve um aumento em relação a março, e em relação a abril do ano passado. Por que a demanda cresceu?

FR: Os resultados alcançados até agora mostram sinais de recuperação do segmento, movimento também observado nos principais mercados mundiais, com o aumento da demanda de algumas categorias, sendo a elétrica a protagonista deste crescimento. Para entender melhor esse desempenho, é preciso relembrar que, durante a pandemia da covid-19, houve um ‘boom’ de produção e vendas de bicicletas em todo o mundo (incluindo o Brasil). Esse movimento, no entanto, não teve continuidade, gerando estoques. Agora, aos poucos, estamos voltando aos patamares pré-pandemia.

 

JC: Desde quando as bicicletas elétricas estão sendo produzidas no PIM? Acredita que a tendência é essa produção aumentar mês a mês, ano a ano?

FR: A produção de modelos elétricos teve início em 2011, porém com um aumento mais significativo em seus volumes a partir de 2017. Sim, a tendência de médio e longo prazos é que a procura cresça cada vez mais. A bicicleta elétrica é vista como uma alternativa ao transporte público e aos automóveis para a locomoção em distâncias intermediárias, dentro dos centros urbanos. Além disso, é uma excelente resposta aos desafios topográficos de boa parte das cidades, permitindo maior conforto e

acessibilidade para toda a população. Hoje, ela é uma realidade e uma tendência mundial, com grande expectativa de ascensão nos próximos anos.

 

JC: Antigamente o maior sonho de um garoto era ganhar uma bicicleta. Hoje é ganhar um celular. É isso mesmo?

FR: Embora a tecnologia tenha trazido novos hábitos de consumo nos últimos anos, a bicicleta continua sendo um produto desejado pela sociedade, oferecendo, muitas vezes, o primeiro acesso à diversão, mobilidade individual e prática esportiva. Neste ano de 2025, observa-se um crescimento da procura por bicicletas infantis.

 

JC: Por que, entre as cinco regiões do país, o Norte, com quatro fábricas, é a região que menos adquire bicicletas?

FR: Isso se deve ao fato de as regiões Norte, e também a Centro-Oeste, serem as regiões menos populosas do país, trazendo, consequentemente, impactos nos volumes de distribuição e venda.

 

JC: Que medidas o poder público poderia adotar para que cada vez mais as pessoas passassem a comprar e utilizar bicicletas?

FR: A ampliação e melhoria da infraestrutura cicloviária é essencial para o conforto e segurança dos ciclistas. Investimentos na ampliação e melhoria da malha cicloviária (sinalização, manutenção e integração com outros modais de transporte), podem reduzir acidentes e incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte sustentável, aumentando a demanda pelo produto.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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