Ambientalismo de Gabinete, Miséria no Barranco

Em: 1 de julho de 2025

Esta já é a segunda vez que abordo esse tema, que considero de extrema gravidade. A lógica por trás de determinadas operações de repressão a atividades ilegais no interior da Amazônia simplesmente não se sustenta quando se analisa a realidade socioeconômica da região. Em comunidades isoladas, marcadas pela pobreza e pela ausência de oportunidades de trabalho, a criminalização indiscriminada atinge, sobretudo, os mais vulneráveis. Não aceita ver imagens de equipamentos sendo incendiados no interior do Amazonas, enquanto nas operações na capital os bens (carros de luxo) de corruptos são preservados e muitos até devolvidos. Infelizmente, o que se costuma chamar de “emprego” no interior amazônico é, em muitos casos, a participação forçada em atividades ilegais, como o garimpo, o tráfico de drogas e a prostituição. Quando as autoridades realizam operações nessas áreas e incineram bens que poderiam ser reaproveitados pelas comunidades locais — como embarcações, motores, mantimentos e equipamentos —, estão penalizando justamente quem tem menos culpa nesse sistema: os ribeirinhos. Esses moradores, muitas vezes cooptados pela falta de alternativas, acabam sendo as maiores vítimas das ações punitivas. Prender os verdadeiros responsáveis — os financiadores e articuladores do crime — é legítimo e necessário. No entanto, destruir recursos que poderiam ser redirecionados para melhorar a qualidade de vida dessas populações é um ato desumano e contraproducente.
Além disso, a situação se agrava porque atividades econômicas sustentáveis e legais na região têm sido sistematicamente travadas por pressões de ONGs ambientalistas que, em muitos casos, representam interesses de países ricos — os verdadeiros responsáveis pela maior parte da poluição global. Essa contradição precisa ser denunciada.
Enquanto isso, sigo fazendo minha parte, cobrando coerência nas ações estatais e defendendo a dignidade dos que vivem na floresta. A preservação ambiental é essencial, mas ela deve caminhar junto com justiça social e oportunidades reais para quem habita a Amazônia. Isso não vem acontecendo!

01.07.2025
THOMAZ ANTONIO PEREZ DA SILVA MEIRELLES, Servidor Público Federal Aposentado, Administrador/UFAM e especialista na gestão do Agronegócio.

Thomaz Meirelles

Servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected]
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