PIM usa menos linhas de produção em 2009

Em: 21 de janeiro de 2010
A indústria amazonense encerrou 2009 utilizando 78,04% de sua capacidade fabril instalada no polo industrial contra 79,82% registrado em 2008
A indústria amazonense encerrou 2009 utilizando 78,04% de sua capacidade fabril instalada no polo industrial contra 79,82% registrado em 2008

A indústria amazonense encerrou 2009 utilizando 78,04% de sua capacidade fabril instalada no polo industrial contra 79,82% registrado em 2008. Embora ainda restem dúvidas, a maior utilização das linhas fabris é apontada como principal razão do otimismo no aumento de efetivos em Manaus para 2010.
Pelo menos para o economista da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Paulo Mol, segundo o qual a UCI (Utilização da Capacidade Instalada) do Estado acompanhou a tendência geral da indústria de transformação em nível nacional que avançou pelo quarto mês seguido, subindo de 74,55% em setembro para atuais 78,0% em dezembro, no indicador já livre das influências sazonais.
Em Manaus, segundo Mol, os setores que mostraram a menor ociosidade no parque industrial foram os eletroeletrônicos (89,2%), bens de informática (89,06%), mídias virgens (88,84%) e metal-mecânico (88,82%). Revelando números divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas), o especialista disse ainda que quase metade das indústrias (48%) pretende ampliar os investimentos neste ano, enquanto 17% projetam que haverá uma diminuição no valor dos aportes.
Mol disse ainda que, além da melhora do ambiente dos negócios, a elevação do nível de utilização da capacidade instalada e a confiança dos empresários se refletiram nas previsões otimistas para o setor industrial. “As projeções para 2010 em todos os quesitos pesquisados, que incluem ainda faturamento e pessoal ocupado, são mais favoráveis do que as feitas para 2009, quando a indústria local foi fortemente afetada pela crise internacional, mas ainda são inferiores às previstas para 2008”, revelou.
No levantamento feito pela FGV, o crescimento mais acentuado na previsão para novos investimentos em Manaus foi registrado no segmento de bens duráveis, um avanço estimado em 58%. A elevação da renda e o retorno das condições favoráveis do crédito devem sustentar o dinamismo do setor, de acordo com a FGV. “Os investimentos no Distrito Industrial continuam baixos. Prova disso é que a idade média dos equipamentos da nossa indústria é de 17 anos para cima, enquanto no Canadá, por exemplo, é de oito anos”, apontou Mol.

Ritmo lento

Para o economista Álvaro Smont, o mercado de trabalho deve apresentar ligeira melhora este ano em relação ao ano passado, mas ao contrário do que se espera o ritmo de expansão do número de vagas será lento, considerando as velocidades de crescimento previstas para investimentos e faturamento em 2010. “A redução na capacidade ociosa na indústria não representa necessariamente elevação na força de trabalho, ainda mais aqui em Manaus, onde a robotização incrementa a produção em larga escala”, criticou.

Para especialistas, efeitos da crise econômica persistem

Outra pessoa que endossa a fila da incredulidade de que o aumento da capacidade fabril represente mais emprego em Manaus é a economista Beatriz Lima Benzecry. Lembrando números da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), a especialista afirmou que os efeitos da crise persistem, pois a produção atual do setor está num patamar 5,9% abaixo do verificado em setembro de 2008, mês em que a indústria atingiu recorde. “O setor de motocicletas sofreu muito com o congelamento do crédito e o choque de confiança decorrentes da crise, apesar de o governo atuar rápido. Além disso, há de se considerar que existe uma demanda reprimida por TVs e LEDs junto a um público que ampliou sua capacidade de gastos, mas ainda não está gastando como o esperado, disse.
Para o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, o que ocorre é que nem todos os segmentos da economia reagiram nos mesmos patamares de recuperação. Exemplo disso, segundo o executivo, foi o setor de bens de informática, em especial notebook, que registrou altas importantes ao longo de 2009. “Note-se também que a diferença percentual de capacidade instalada de 2008 para 2009 foi de 4,63% para um crescimento de PIB igual a zero”, acentuou.

Avalanhce de problemas

Admitindo que a indústria ainda se ressente da crise sofrida ao longo do primeiro semestre de 2009, Loureiro afirmou que o estrago que a economia mundial, em recessão, causou na indústria local entre o último trimestre de 2008 e o primeiro semestre de 2009 foi bem grande. Conforme o empresário era notório desde o início do ano passado que a economia global não reagiria rapidamente à avalanche de problemas financeiros e quebradeiras mundiais. “O Brasil sentiu essa reação e pôde aos poucos caminhar para uma melhor situação. Muito embora tenhamos fechado 2009 com poucos problemas, se comparados com 2008. O último trimestre de 2009 foi um pouco mais alentador. Isto, com relação à recuperação dos empregos e aumento do consumo na área de bens duráveis – eletrodomésticos e eletrônicos -, além do consumo de alimentos”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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