Modelo ecológico garantiria incentivos do PIM

Em: 21 de janeiro de 2010
A transformação do parque industrial de Manaus em um PIE (Polo Industrial Ecológico) pode garantir a prorrogação dos incentivos fiscais após 2023, data limite estabelecida pelo Congresso Nacional
A transformação do parque industrial de Manaus em um PIE (Polo Industrial Ecológico) pode garantir a prorrogação dos incentivos fiscais após 2023, data limite estabelecida pelo Congresso Nacional

A transformação do parque industrial de Manaus em um PIE (Polo Industrial Ecológico) pode garantir a prorrogação dos incentivos fiscais após 2023, data limite estabelecida pelo Congresso Nacional. Hoje, o modelo industrial do Amazonas e o herdado da Revolução Industrial –iniciada no século 18– estão fadados ao fracasso porque ignoram a finitude dos recursos naturais.
Segundo o economista Roderick Cabral Castello Branco, responsável pelo projeto de mestrado “Polo Industrial Ecológico de Manaus: uma proposta para o alcance de sustentabilidade”, há uma relação crítica entre os processos econômicos e o meio ambiente o que justifica o fracasso do modelo atual. “Gera-se valor econômico e ao final do processo os resíduos gerados são devolvidos ao meio ambiente em forma de lixo”, lamentou.
Desenvolvida com o apoio da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), por meio do RH-Posgrad – mestrado (Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados do Estado do Amazonas), a pesquisa foi realizada na PUC/SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Ele explicou que um dos principais conceitos adotados é o derivado da Ecologia Industrial, no qual o sistema industrial é compreendido como organismo vivo que integra as indústrias ao meio natural para reduzir seu impacto ecológico e contribuir com o desenvolvimento sustentável.
O pesquisador disse que mesmo o PIM sendo formado por empresas de baixo impacto ambiental, as empresas estão distantes do idealizado pela EI e do conceito de PE (Polo Ecológico). No PE, elas optam por trabalhar juntas como parte de um sistema único para alcançar os desempenhos ambiental, social e econômico superiores aos obtidos quando operam isoladamente. “Em Manaus, as empresas precisariam cooperar entre si na troca de resíduos, como água, energia e materiais diversos e subprodutos. Assim, o resíduo de uma pode ser a matéria-prima para outra”, informou.

Produto diferenciado com atrativos ambientais

Para o economista Roderick Cabral Castello Branco, com as mudanças, as empresas melhorariam a imagem corporativa por se localizarem na Amazônia, que é uma região onde se discute a importância da floresta na manutenção do clima global. Ele afirmou que ao ajustarem suas operações, as fábricas potencializariam a ligação entre os produtos fabricados localmente e a marca “Amazônia”, criando vantagens frente ao mercado consumidor.
Para ele, as empresas devem enxergar essas novas medidas como oportunidade de negócio e fonte de inovação e diferenciação no mercado, não uma obrigação legal ou um mal necessário para garantir a legitimidade de suas operações.

Força da marca

A pesquisa demonstra que a força da marca “Amazônia”, aliada às vantagens vinculadas ao conceito de PIE, colocariam no mercado um produto diferenciado com atrativos ambientais. “A criação dessa imagem em Manaus permitiria resultados econômicos significativos. Todavia, exigem-se investimentos no marketing regional e a adoção desse conceito pelas políticas de desenvolvimento do Amazonas e dos órgãos federais que atuam na região”, afirmou.
Segundo ele, a imagem ambiental ajudaria na estratégia de defesa da prorrogação dos incentivos fiscais, pois a não prorrogação levaria ao caos social e tributário, o qual seria ocasionado pela queda do número de empregos e da arrecadação com efeitos diretos na economia amazonense.
Sobre a possibilidade de criação de um selo verde como garantia para comprovação de uma empresa ecologicamente correta, o pesquisador disse que a adequação da empresa aos preceitos ecoindustriais não foi abordada na pesquisa, uma vez que foge do seu objetivo. “Contudo, as vantagens da imagem verde junto ao mercado corporativo são inegáveis e merecem estudo”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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